Os bastidores da amizade entre Caetano Veloso, Márcio Victor e Marrom

Um dos grandes nomes da cena axé, artista talentosíssimo, Márcio Victor circula com desenvoltura entre grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e, principalmente, Caetano Veloso de quem é amigo.  Líder e fundador do Psirico (uma das bandas mais populares do pagode baiano), Márcio já tocou com Caetano Veloso em diversos shows e todas as vezes em que o tropicalista está em Salvador eles estão sempre em contato. Sem falar no Carnaval quando também é comum ver Caetano em cima do trio caindo na suingueira e nos ensaios que o Psi faz durante o Verão.

A ligação dele com a família Veloso é tamanha que recentemente a cantora Belô Veloso (filha de Mabel e sobrinha de Caetano) lançou uma versão cult do sucesso do Psirico Firme e Forte. Ela confessa que gravou por influência do tio famoso depois de ele tê-la mencionada no programa Todo Canto é Santo, apresentado por Belô.

“Aquele papo me trouxe a música à memória. O coro de vozes na rua, cantando o refrão. Assim voltei o olhar pra ela, dessa vez com maior atenção para a história que ela conta”, lembra Belô.

Certa vez Márcio comentou em conversa com a colega Telma Alvarenga, jornalista e ex-colunista do CORREIO, que uma das suas maiores alegrias foi “ver Caetano Veloso, na gravação do DVD dele, abrir um solo de percussão pra mim, na música Tigresa, na parte em que ele canta “Como é bom poder tocar um instrumento”. Isso foi um elogio e tanto. Caetano, Ivete e Brown sempre falam que eu sou o melhor percussionista do mundo, e isso é um grande elogio pra mim, porque eles são mestres”.

Menino do Engenho Velho de Brotas, filho de Dona Tuta e sobrinho de Ninha, Márcio Victor também passou pela Timbalada criada por Carlinhos Brown com que tem forte ligação e ainda adolescente foi percussionista de Caetano Veloso na gravação do CD Livro. Daí acompanhou o artista durante nove anos sempre se destacando na chamada “cozinha” como se denomina entre os músicos o núcleo de uma banda formada pelos percussionistas. Até que resolveu desenvolver um trabalho pessoal com a Banda Psirico. Aí é que eu entro na história.

Márcio Victor e sua mãe Dona Tuta (Divulgação)

Prestes a se lançar nessa nova aventura, Márcio me contou anos depois (e ele faz questão de sempre lembrar esse fato) que ele chegou a mim através de Caetano Veloso. Ele precisava divulgar seu trabalho, mas não conhecia ninguém na imprensa. Foi quando, segundo ele, Caetano disse que eu seria a pessoa ideal para ele procurar. Certa vez fui para uma entrevista de um show de Caetano no qual Márcio iria tocar e ele comentou esse fato.

E foi assim que eu me aproximei de Márcio. Ele começando a carreira e sempre mandando as notícias, até sua carreira crescer a tal ponto que ele passou a ter uma assessoria profissional e até hoje sempre que nos encontramos é uma festa. Nos tratamos sempre em tom jocoso: “E aí colega”. Dai por diante sempre estou presente nos lançamentos de seus discos, nos seus ensaios e no caruru de aniversário, dia 25 de setembro, que ele realiza todos os anos. Aliás que caruru maravilhoso.

O Carnaval é outro capítulo à parte. Sempre que passa em frente ao glass de transmissão da TV Bahia no circuito Dodô (Barra-Ondina) ou no Osmar (Campo Grande-Avenida), além de gritar “a música do carnaval”, Márcio sempre pergunta por amigos em comum. “E aí Marrom, como vai fulano”. E meus colegas de transmissão na curiosidade perguntam? Quem é fulano Marrom? Eu respondo: pergunte a Márcio (rs).

Outra ligação que tenho com Márcio vem através de sua Mãe, Dona Tuta, torcedora ferrenha do Esporte Clube Bahia. Apesar de ele dizer ser tricolor eu raramente o vejo na Arena Fonte Nova. Mas Dona Tuta sempre. É aquela resenha. Quando time ganha saímos felizes, quando perde é claro que não ficamos tão alegres.

Fonte: Correio