Na Live Segundou, Morena Leite anuncia livro sobre iguarias dos orixás

A pandemia do coronavírus trouxe dificuldades para a chef Morena Leite. Paulistana de nascença, veio para a Bahia em seu primeiro ano de vida quando seus pais, Fernando Leite e Sandra Marques, procuravam um estilo de vida mais natural e saudável e encontraram na cidade de Trancoso o local perfeito para colocar isso em prática. Mas também trouxe algumas novidades e espaço para dar um gás em vários projetos, especialmente seus livros: entre os lançamentos previstos, estão previstas uma obra sobre as iguarias de Trancoso, seu lugarzinho no mundo e um livro sobre as Iguarias dos Orixás, escrito em conjunto com seu babalorixá, Paulo de Oyá.

Morena contou um pouco de sua história durante o Segundou nesta segunda-feira (5) e mesmo na hora de falar das dificuldades, como reduzir a equipe que tinha mais de 500 pessoas pela metade, deixou a leveza sair de suas falas para o publicitário e entrevistador Joca Guanaes. Uma média de 2,2 mil pessoas assistiu o bate-papo que teve pouco mais de 50 minutos de duração.

Morena entrou na live carregando sua filha mais nova, a pequena e comilona Júlia de apenas 8 meses. A comida faz parte da vida de Morena Leite desde sua origem: ao chegar a Trancoso, seus pais abriram o restaurante Capim Santo, que se tornou uma pousada e teve participação decisiva nas escolhas que a Chef tomou durante sua trajetória.

Foi no Capim Santo que ela começou a cultivar o sonho de ser jornalista. Entrevistava os hóspedes com quem dividia a mesa de café da manhã e lhe traziam curiosidade sobre coisas como o porquê de mineiros serem acanhados, cariocas serem mais expansivos e paulistas serem mais fechados. Um outro hóspede disse que a antropologia explicava tudo isso e aí ela decidiu, aos 6 anos, ser antropóloga.

Nenhum desses sonhos foi para a frente: com 15 anos, foi estudar em um internato em Cambrigde, na Inglaterra, e convivendo com uma russa judia, uma cambojana budista e várias outras pessoas de diversas nacionalidades descobriu que podia usar a comida para entender e se comunicar com pessoas de todo o mundo. Dois anos mais tarde e ela iniciava os estudos na escola de culinária francesa Le Cordon Bleu, onde se formou Chef de Cozinha e Patisserie em 1999.

“O que mais me surpreendeu foi como a França valoriza a cultura e a região de cada comida. Voltei de lá entendendo que não queria fazer comida francesa, queria usar a técnica deles para fazer nosso bobó de camarão, goiabada com sorvete de queijo ou uma moqueca de maturi”, disse na live, que foi transmitida pelo Instagram do CORREIO.

Autora de 9 livros, Morena Leite afirma que gosta de se comunicar e que passar para a frente o seu conhecimento é uma de suas grandes paixões. O lema da chef é “pensar global e afir local”. Para Morena Leite, é importante conhecer o máximo de coisas do mundo todo, mas sempre ter cuidados como adaptar essas ideias para ingredientes da própria região, como uma maneira de pensar sustentável.

Transmitir esse tipo de racioncínio foi isso que motivou a fundação do Instituto Capim Santo, em 2010. O projeto conta com 5 unidades – duas delas na Bahia, em Trancoso e Itacaré – e basicamente é um instituto de formação e capacitação de jovens em gastronomia.

“A intenção inicial do Instituto era compartilhar técnicas e conhecimento gastronômico com pessoas para gerar mobilidade social e empregabilidade. Começou em Trancoso, foi para a Raposo Tavares [em São Paulo], Itacaré… Mais importante que técnica e mão, é importante trabalhar o coração, o desenvolvimento comportamental. O desenvolvimento do ser”, disse a chef.

A pandemia atrapalhou as atividades do projeto e motivou a criação de um novo: o Capim Solidário, que de acordo com Morena é “envolve voluntários, amigos, alunos que colocaram a mão na massa distribuindo quentinhas, arrecadando ingredientes, apoio financeiro… é um trabalho em que distribuímos mais de 60 mil de quentinhas entre Trancoso, Itacaré, Rio de Janeiro e São Paulo”.

Por conta da pandemia, Morena Leite cancelou uma série de eventos que iria participar e acha que o setor de entretenimento é o grande prejudicado com a chegada do coronavírus. A chef ia trabalhar em megaeventos como Rock in Rio Lisboa, Lollapaloosa e Feirão do Automóvel. Tudo isso foi suspenso e está sem data para voltar. A pandemia fez com que a sua equipe, que tinha cerca de 500 pessoas, fosse reduzida pela metade.

Morena é acostumada a cozinhar para públicos grandes. Em 2005, foi escolhida para preparar o coquetel comemorativo para 500 pessoas na Praça da Bastilha, em Paris, durante as comemorações do Ano do Brasil na França.

Aquele foi o ano que antecedeu o lançamento de seu primeiro livro, publicado em francês: Brasil, sons e sabores foi premiado na Suécia como o melhor livro de cozinha do mundo no quesito inovação.

Anos mais tarde, em 2012, orena seguiu para a maior feira de turismo do mundo (ITB), realizada na Alemanha. Além de lecionar para 30 jornalistas alemães, a Chef realizou um jantar para 200 pessoas com inspiração na gastronomia típica brasileira. Em junho daquele ano, em parceria com a confeiteira Otávia Sommavilla, Morena Leite lançou o livro Doce Brasil – Bem Bolado, onde conta a história dos bolos brasileiros.

Até o próximo ano, pretende lançar pelo menos mais três livros. Uma nova versão de Brasil, sons e sabores será lançada junto a Moreno Veloso, filho do cantor Caetano Veloso que também é músico. 

Os olhos da chef, no entanto, brilharam ao falar de dois projetos: ‘Iguarias de Trancoso’, onde escreve sobre a culinária do lugar que é o seu cantinho no mundo, e sobre o livro Iguaria dos Orixás, que escreve em conjunto com seu pai de santo, o babalorixá Paulo de Oyá.

Aproveitamento total
Durante a live, Morena Leite deu algumas dicas de receitas que chamaram atenção e que servem para fazer o que ela chama de aproveitamento total dos alimentos. Uma das dicas que a chef deu foi de fritas cascas de batata para servir temperadas com vinagre. “É uma delícia!”, afirmou empolgada.

De acordo com Morena Leite, pensar em sustentabilidade não é só passar uma mensagem com alguma coisa verde. É buscar explorar melhor alimentos. “Como que a gente pode trabalhar uma abóbora usando casca, semente e polpa?”, questionou antes de diz. Os ‘ deliciosos e super ricos’ talos de salsa podem render farofas ou até um patê.

Morena Leite disse a Joca Guanaes que pensa em seus cardápidos pensando nas estações do ano, para ter alimentos da época e pensando na sustentabilidade.

A live segundou acontece todas as segundas-feiras, com Joca Guanaes trazendo convidados especiais para a conversa, que é transmitida pelo Instagram do CORREIO. Durante os mais de seis meses de projeto, nomes como o jogador Daniel Alves, a atriz Mariana Rios, o pugilista popó e a cantora Majur já passaram por lá.

Fonte: Correio