Aeroporto de Salvador funciona com 30% de energia gerada por usina solar

Quase um terço da energia gerada no Aeroporto Internacional de Salvador vem do céu, e não é de avião que ela chega. Dentro de um conceito de gestão sustentável, iniciado em 2018 quando começou a ser administrado pela Vinci Airports, o terminal alcançou, no mês passado, a marca de 30% de energia gerada pelo sol.

Isso mesmo. É o astro rei, através de 11 mil painéis fotovoltaicos refletindo um investimento de R$ 16 milhões, que tem ajudado a fazer o aeroporto da capital baiana ter dias de maior brilho. Os equipamentos, pra dar a dimensão da coisa, são capazes de prover energia para 3.800 imóveis residenciais.

O projeto de desenvolvimento sustentável das atividades do local já conta com R$ 25 milhões em investimento e foi elogiado pelo secretário-executivo do Ministério de Infraestrutura, Marcelo Sampaio, que visitou o local nesta sexta-feira (7).

Todo investimento da Vinci na gestão sustentável faz parte da AirPacts, estratégia ambiental global que define a política ambiental de todos os aeroportos administrados pela concessionária. O trabalho desenvolvido pela empresa no Aeroporto de Salvador é curto, mas já ganhou reconhecimento do maior prêmio voltado para sustentabilidade da aviação nacional.

Em 2019, o equipamento foi apontado como o “Aeródromo Mais Sustentável do Brasil em 2019” pela avaliação inédita da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Aeroporto de Salvador foi reconhecido como o mais sustentável do Brasil em 2019 (Foto: Will Recarey/GOV)

Exemplo nacional
Para Marcelo Sampaio, a premiação concedida é uma amostra de como o que é realizado no equipamento é algo de destaque entre os aeroportos do país.

“O que se tem aqui é algo inédito para o país. Ver 30% da energia que é consumida pelo aeroporto sendo gerada através de painéis de energia fotovoltaica é impressionante. E não para por aí. Aqui, existem outros exemplos de iniciativas sustentáveis muito interessantes como a gestão de resíduos e o reaproveitamento de água. A gente avalia isso como uma iniciativa extremamente bem-vinda já que é uma tônica do governo e é necessário dar respostas em relação a sustentabilidade”, afirma o secretário.

Desde janeiro de 2018, R$ 25 milhões foram investidos em ações que visam deixar o funcionamento do aeroporto mais sustentável e diminuir os impactos na natureza.

Além dos painéis solares – que custaram R$ 16 milhões -, R$ 7,5 milhões foram investidos na estação de tratamento de efluentes do local e R$ 1,5 milhão direcionado à gestão de resíduos, que são conduzidos, integralmente para a reciclagem.

Sampaio acredita que iniciativas como essa são extremamente bem-vindas (Foto: Will Recarey/GOV)

As práticas citadas, que têm o intuito de tornar o funcionamento do aeroporto menos nocivo para a natureza, são apenas passos de uma gestão que pretende intensificar ainda mais os investimentos sustentáveis segundo Yann Le Bihan, diretor técnico do aeroporto.

“Ter 30% da nossa energia gerada pela captação dessas placas solares, uma estação de efluentes e uma gestão de resíduos consciente são alguns passos. Largos passos que nos aproximam de um desenvolvimento sustentável das nossas atividades no aeroporto. Nós entendemos que aproveitar melhor os recursos naturais para diminuir os impactos do nosso funcionamento para o meio ambiente é fundamental e a usina solar é uma prova disso. São R$ 16 milhões investidos em energia sustentável”, diz.

Política de gestão
De acordo com Le Bihan, a administração sustentável e a execução de práticas que coloquem o desenvolvimento sustentável em primeiro lugar faz parte do caráter de gerenciamento da Vinci Airports.

“Ser sustentável é um objetivo que faz parte da nossa política de gestão. Nós investimos muito em iluminação, em aproveitamento de água para refrigeração, em gestão de resíduos. A nossa missão enquanto concessionária é desenvolver ações que melhorem a administração do aeroporto e, ao mesmo tempo, tenham como prioridade a questão da sustentabilidade”, declara.

O governo vê essa forma de gestão como ideal segundo Sampaio. Ele afirma que a premiação do “Aeródromo Mais Sustentável do Brasil”, que começou em 2019 é uma das maneiras que a gestão encontrou de fomentar o desenvolvimento de ações como as que ocorrem no Aeroporto de Salvador.

“Nós estamos buscando maneiras de incentivar e fomentar iniciativas sustentáveis como essas que podemos observar aqui. A ANAC criou esse prêmio em 2019 justamente para reconhecer projetos que estão dando respostas relativas à questão da sustentabilidade nos nossos aeroportos”, explica. 

Segundo secretário, governo busca maneira de fomentar projestos sustentáveis (Foto: Will Recarey/GOV)

Perguntado se esse tipo de política de fomento se estende para outros equipamentos do governo federal, Sampaio citou as rodovias e ferrovias e falou sobre novos critérios para o fechamento de contratos para concessionárias.  

“Esse tipo ação de incentivo do Ministério da Infraestrutura também é levada para outros equipamentos do governo como ferrovias e rodovias. Temos feito uma modelagem para os nosso novos contratos de concessão com um zelo muito grande pela sustentabilidade. Isso é tão importante pra nós que, hoje, temos uma subsecretaria vinculada ao ministério que é de sustentabilidade. Temos feito um esforço grande para atrair investimentos verdes que não se restringe aos aeroportos”, informa.

*Com orientação da subeditora Clarissa Pacheco

Fonte: Correio