Apesar de público reduzido, missas para Nossa Senhora Aparecida emocionam fiéis no Santuário do Imbuí

As missas do dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, comemorado neste segunda (12), não tiveram fiéis de pé e aglomerados no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Imbuí, em Salvador. Com a pandemia, apenas 370 fiéis puderam comparecer a cada uma das 5 celebrações na festa da padroeira do Brasil no templo da capital baiana. Em anos anteriores, cerca de mil pessoas acompanhavam cada missa no dia 12 de outubro.

Poder estar mais próximo dos fiéis foi uma grande emoção para o reitor e pároco do santuário, Padre Cleriston Mendes, que conta ter ficado muito triste por ter que fechar a igreja durante a pandemia. 

“Foi uma celebração de muita emoção e gratidão a Deus por estarmos tendo a possibilidade de celebrar hoje. Há cerca de 6 meses, nós não sabíamos se isso ia ser possível. Depois da incerteza, agradecemos a Deus e a Nossa Senhora Aparecida por permitir que celebrássemos hoje”, diz o padre. 

Para ir presencialmente às celebrações, os devotos tinham que retirar um convite pela internet. Os fiéis que acompanharam a celebração presencialmente foram divididos entre os bancos do santuário, com 250 devotos, e as cadeiras organizadas em um toldo do lado de fora da igreja, onde ficaram 120 pessoas. 

Quem não conseguiu garantir seu lugar, pôde assistir a transmissão das missas pelo YouTube. O vídeo do ato litúrgico das 6h30, a Missa das Redes, possuia 26 mil vizualizações às 21h desta segunda. Em outros anos, apenas 2 mil pessoas assistiam às missas pela internet.

O pároco do santuário acredita que muitas pessoas assitiram ao vídeo pela força que a Missa das Redes possui de renovação de fé. “Muita gente não pode vir ao santuário devido à pandemia. Nesse momento, muitas pessoas estão renovando sua fé e reforçando a espiritualidade. A Missa das Redes é um momento propício pra isso, ela toca muitos corações. As redes passam e as pessoas fazem pedidos ao tocarem objeto, imagino que muitas pessoas tenham tido esse momento em casa”, comenta o padre. 

Poder assistir a missa presencialmente foi uma grande emoção para a estudante Maria Fernanda Mesquita, 18 anos, que acompanhou a novena pela internet. Mesmo sem o contato com as pessoas, estar no santuário já era especial, conta a jovem devota.

“Foi uma honra e um privilégio poder acompanhar a missa presencialmente justo no dia de Nossa Senhora Aparecida. Fiquei muito emocionada por poder estar agradecendo e louvando a Deus no santuário hoje. Pela internet não é a mesma coisa, não podemos comungar”, diz a estudante.

Todos os dias da novena, o estudante Lucas de Andrade corria para garantir seu convite para as missas no santuário. Ele foi a todas as festas da padroeira desde 2013, o que fez com que o jovem estranhasse as regras impostas pela pandemia. Mesmo assim, o devoto adorou a celebração.

“A missa estava mais vazia que de costume, especialmente para o último dia, que costuma ser mais aglomerado. Com menos gente, a infraestrutura foi menor, mas a qualidade foi a mesma”, conta o devoto, que foi ao santuário em todos os dias da celebração.

Depois de comparece à missa nesta segunda, o empresário Airton Bastos, 67, ficou renovado. “Meus próximos dias serão com a força de Nossa Senhora Aparecida. Eu fico muito emocionado neste dia. A cada hora minha fé por ela aumenta”, conta o homem, que é devoto de Nossa Senhora Aparecida há 30 anos. 

Fiéis que não puderam entrar na igreja, formavam uma fila para chegar perto da imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi colocada no estacionamento do santuário (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Com as restições impostas pela pandemia, alguns fiéis sem convites apenas entravam no estacionamento do local para passar em frente à imagem de Nossa Senhora Aparecida, que foi colocada do lado de fora da igreja. 

A procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao redor da praça que fica em frente a igreja é acompanhada por até 10 mil pessoas. Neste ano, a procissão foi substituída por uma carreta realizada no último domingo (11).

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

Fonte: Correio