'Parecendo Carnaval', diz morador sobre aglomerações no Solar do Unhão

As areias da Gamboa, MAM e Solar do Unhão voltaram para a lista de lazer de baianos e turistas com a reabertura das praias de Salvador. Nesse último final de semana, mesmo proibidas por decreto municipal, aglomerações foram registradas nos locais que são cercados por uma comunidade de cerca de 173 residências. Os moradores sentem um misto de medo e alegria com a nova realidade. “Estamos felizes, mas preocupados com o fluxo de gente. Muita gente já se contaminou e há o medo dos casos voltarem a aumentar”, contou o presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Solar do Unhão, Dilson Vasconcelos dos Santos.  

“Normalmente, a partir do meio-dia começa a encher, mas dia de domingo, às 9h, já está cheio. Fica parecendo carnaval. Isso é um problema, pois somos uma comunidade apertada”, completou o presidente.  

Do Solar do Unhão dá para acessar as três praias, que possuem pequenas faixa de areia e são banhadas pela Baía de Todos-os-Santos. Na praia do Solar, as pessoas podem pegar um barco por R$ 5 e ir para a praia do Museu de Arte Moderna (MAM), que está fechado, assim como todos os espaços administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac).  

Mesmo assim, algumas pessoas pulam o muro da instituição para ter acesso à praia. O CORREIO flagrou um casal fazendo isso na última sexta, por volta das 12h. Eles não falaram com a reportagem. “A Guarda Municipal não faz tanta fiscalização por aqui”, reclamou Dilson. 

O fotógrafo Vinicius Sapucaia, 18 anos, que vive na Gamboa, também observa a preocupação dos moradores. “Alguns estão gostando ao mesmo tempo que estão com medo. Mas, muitos dependem financeiramente disso. Não é o meu caso, mas tenho gente da família que sim. Espero que quem venha saiba respeitar a comunidade e cumprir as medidas de segurança”, disse.  

Vinicius é sobrinho de dona Suzana Sapucaia, que se tornou estrela em um episódio da série internacional Street Food, lançada em julho desse ano pela Netflix. A produção tem ajudado a despertar a curiosidade de turistas em conhecer o Solar do Unhão.  

Renda
Quem depende financeiramente do fluxo de pessoas no local para sobreviver está animado com a nova realidade. A guardadora de carro Valdelia Machado, mais conhecida com Delinha, explicou que muitos dos seus vizinhos não conseguiram o auxílio emergencial ou outros benefícios do governo. “Esse momento está sendo bom para a gente, pois estamos tirando uma renda. Só no final de semana passado que teve essa movimentação maior, mas antes não foi desse jeito”, avaliou.  

Delinha explicou que, só guardando carro, são sete pessoas que tiram uma renda. Ela revelou trabalhar com isso há 20 anos. “Temos conosco um garoto de 18 anos que precisa ajudar a mãe que está desempregada. Se não for com esse trabalho, como ele vai tirar a renda da família? Isso sem contar os vários comerciantes que vivem desses visitantes. Somos a favor dessa abertura, mas pedimos que quem venha, respeite a comunidade”, ponderou. 

Marcos Prisk é um dos sócios do bar A Novidade, que fica na beira da praia do Solar. Ele falou que é a própria comunidade que frequenta a praia e que o movimento ainda está pequeno. “Tomamos todos os cuidados com o uso de máscara, álcool e evitando aglomerações. Aqui, não foi tão cheio esse final de semana se comparado com as outras. Nós mesmo, moradores, vetamos a vinda de visitantes que possam aglomerar aqui”, disse.  

Moradores da Vasco da Gama, Ildjara Almeida e sua avó Valquíria de Almeida conheceram o local nesta semana e estão apaixonadas. “No sábado, viemos para organizar um aniversário da minha mãe, que aconteceu na quarta. Nós gostamos tanto que voltamos hoje. Virou um point”, contou Ildjara.

Já Diego Rafael, 32 anos, morador do Politeama, conhece o Solar do Unhão há tanto tempo que nem soube precisar quando foi a primeira vez. “Só dei uma pausa de frequentar aqui no período da pandemia, pois os próprios moradores nos orientaram para não vir. Voltei há aproximadamente um mês”, afirmou.

Moradora da comunidade da Gamboa, a aposentada Altamira Oliveira, 78 anos, disse não ficar preocupada com a vinda de muitas pessoas para o bairro. “Eu não saio muito, fico só em casa. Então, não me preocupo com isso. Para mim, não faz tanta diferença. Graças a Deus estou bem de saúde”, comemorou.   
 

Praias estão abertas, mas com ressalvas
Um decreto de 20 de março determinou o fechamento de todas as praias de Salvador por conta da pandemia. Quase seis meses depois, no dia 18 de setembro, o prefeito ACM Neto anunciou a reabertura desses espaços no último dia 21, uma segunda-feira, mas com algumas ressalvas. As praias do Porto da Barra, Buracão e Paciência permanecem fechadas porque têm uma faixa de areia muito estreita, o que provoca aglomerações. A de Piatã está temporariamente interditada pela prefeitura.

Já São Tomé de Paripe, Tubarão, Ribeira, Amaralina e Itapuã podem funcionar apenas de terça à sexta. A Prefeitura excluiu a segunda-feira porque esse dia tem movimento grande de banhistas nos locais. As demais praias podem funcionar de segunda à sexta-feira, e não há limite de horário.

Todas as praias estão proibidas de receberem público aos fins de semana. O protocolo determina distanciamento de 1,5 metro entre os banhistas, uso de máscara sempre que estiver fora do mar, proíbe o comércio de alimentos na praia, não permite uso de cooler ou caixa de isopor com comidas e bebidas entre outras regras. Confira mais abaixo. 

Regras de reabertura das praias em Salvador

– O distanciamento mínimo de 1,5m entre os frequentadores deve ser observado durante todo o período de permanência nas praias; 

– O uso de máscara é obrigatório para acesso e durante toda a permanência nas praias, inclusive durante a realização de atividades físicas, com exceção feita às atividades aquáticas, momento em que o distanciamento mínimo recomendado entre as pessoas deve ser de 2m; 

– Além da permanência na faixa de areia e no mar, são permitidas atividades esportivas individuais ou em duplas, desde que os participantes usem máscaras durante todo o período; 

– Fica vedada a prática de qualquer modalidade esportiva que envolva mais de quatro participantes, a exemplo de futebol, e de atividades que gerem contato físico; 

– Recomenda-se que para a realização de atividades com uso de bolas e equipamentos lançados, os praticantes devem higienizar as mãos antes do início da atividade e limpar adequadamente os objetos utilizados antes do início e durante os intervalos; 

– Não são permitidas atividades que gerem aglomerações como piqueniques, luaus, eventos, etc.; 

– Fica proibido qualquer forma de comércio ambulante nas praias, inclusive de alimentos e bebidas; 

– Fica proibido o uso de cadeiras, ombrelones, guarda-sóis, sombreiros, caixas térmicas, instrumentos musicais e equipamentos sonoros.

Funcionamento das praias

Fechadas: Porto da Barra, Buracão, e Paciência.
Abertas de terça à sexta-feira: São Tomé de Paripe, Tubarão, Ribeira, Amaralina, e Itapuã;
Abertas de segunda à sexta-feira: Todas as praias não citadas anteriormente;
Fim de semana e feriados: Todas as praias de Salvador fechadas.

Fonte: Correio