Um crime bárbaro ocorrido nas proximidades da fronteira entre Brasil e Bolívia teve uma resolução, pelo menos inicial, com a prisão pela Polícia Civil de quatro suspeitos envolvidos num estupro seguido da chacina contra a família da vítima. O caso ocorreu em 13 de setembro em Acrelândia, no Acre, e começou quando o pai de uma menina boliviana de 14 anos a viu ser estuprada por um acreano que trabalhava em sua propriedade. As informações são do portal “G1”.

Após o flagra, o boliviano conseguiu amarrar o autor da violência sexual para em seguida ir pedir auxílio da polícia. Porém, o pai do suspeito do estupro o viu amarrado, e juntamente com um casal de filhos e o genro atacaram a família boliviana. Após executar a mãe e dois filhos e atirar na filha, os suspeitos ainda queimaram a casa.

O delegado Samuel Mendes, responsável pelas investigações, informou que entre os presos estão o pai, que não teria participado diretamente do crime, mas seria o “líder” do bando. A família estava morando em um acampamento montado em uma área de mata fechada após o crime, por isso a prisão foi mais complicada.

“Ele (o pai) acabou sendo preso porque seria o patriarca da família, deu suporte. E essa família já vinha agindo há algum tempo na localidade praticando vários delitos, então acabou formando uma organização criminosa e têm praticado vários crimes de furto, ameaça”, disse o delegado.

A adolescente que havia sido estuprada acabou sobrevivendo mesmo após ser baleada. Ela passou por duas cirurgias na última quinta (15). Uma feita por uma equipe de ortopedia, em um dos braços; e a outra por um cirurgião buco-maxilo-facial, no pronto-socorro de Rio Branco, onde está internada. O hospital informou neste sábado (17) que ela se recupera bem e pode ter alta nos próximos dias para seguir o acompanhamento pelo Serviço Social e Psicologia do PS.

Prisões

Os suspeitos dos crimes bárbaros foram ouvidos pela polícia e encaminhados ao presídio de Rio Branco. Eles foram indiciados por homicídio, ocultação de cadáver e apenas o que estuprou a menina teve acrescentado tal crime.

“Após o crime, eles montaram um acampamento e passaram a viver dentro da mata, escondidos. Ainda temos mais algumas diligências, perícia em aparelhos celulares que foram apreendidos para poder alimentar o máximo possível esse inquérito”, acrescentou Mendes.

Em depoimento, os suspeitos envolvidos diretamente deram detalhes sobre a chacina, atribuindo a cada um o que teria ocorrido.

“Eles individualizaram a participação da cada um. E foi esse o contexto, eles foram lá para resgatar o membro da família e acabou tendo o desentendimento com os familiares da vítima, inicialmente com o irmão dela e com a mãe. Eles discutiram com o rapaz e mãe interveio na situação para proteger o filho. Foi quando ela tomou o primeiro disparo que atravessou o corpo dela e atingiu o filho que estava atrás. Segundo um dos autores, a mãe morreu na hora e esse rapaz que levou o tiro ficou agonizando, o outro foi lá e executou com um tiro. Então, viram que um dos outros filhos estava filmando a ação e por ele estar filmando, o menor (que já estava apreendido) viu e deu um tiro nele também”, pontuou.

Depois da terceira execução, eles viram que a adolescente também estava no local e foi quando tentaram executá-la.

Tragédia

Ausente no local da chacina, o pai da menina estuprada contou em depoimento que havia empregado a família, que conhecia há cinco anos. Só após as mortes e o estupro ele soube do envolvimento dos empregados em outros crimes.

“Estamos muito abalados realmente. Eu tinha confiança neles, contratei para trabalhar lá na minha propriedade, conhecia há cerca de cinco anos e eles estudaram tudo, até como minha mulher guardava o dinheiro”, disse.

A adolescente também tentou explicar como ocorreu a tragédia, conforme áudio obtido pelo “G1”, mas acabou se emocionando. “Primeiro dispararam na minha mãe e depois disparam em mim, depois dispararam no (um dos irmãos) e depois no (outro) irmão, que estava atrás de uma árvore”. A partir daí o áudio é interrompido pelo choro compulsivo da menina.

Justiça

Devastado pela tragédia, o pai boliviano clama por justiça e pede que os envolvidos sejam extraditados para seu país, onde os crimes teriam ocorrido.

“Peço por favor, e também falo ao meu país, que eles sejam pegos e extraditados para o consulado. Somos trabalhadores, nunca tivemos nenhum problema, mas tive a família baleada, querem tampar minha boca, mas não, a mim não vão calar. Quero que se cumpra a lei e que paguem seus delitos na Bolívia, porque mataram na Bolívia. Vou falar com governador da Bolívia, vou ao Ministério Público, quero Justiça”, desabafou.

O consulado boliviano informou à reportagem que acompanha o caso, mas que não iria se pronunciar.

Fonte: Agencia Brasil