Tabela mostra qual é o risco de infecção por coronavírus durante eventos

Vontade de ir pra rua! A frase que virou meme pelas redes sociais explica bem o sentimento de muita gente em meio à pandemia. No novo normal, com reabertura parcial de setores da economia e atividades de lazer, há quem já tenha dado uma escapulida com familiares e amigos. Mas será que é seguro?

Foi tentando responder a essa pergunta que pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) desenvolveram uma tabela para avaliar o risco de contaminação por coronavírus em um evento social. Os cientistas levaram em consideração características do ambiente – aberto ou fechado – tempo de permanência no local e o uso ou não de máscaras. O artigo foi publicado no periódico de saúde BMJ.

A quantidade de pessoas num ambiente e até mesmo o ato de falar podem trazer riscos altos ou baixos de infecção. O estudo sugere que as gotículas da Covid-19 conseguem viajar por mais de dois metros quando o infectado tosse ou grita. Pesquisas científicas mostraram que a saliva infectada se espalha por até oito metros – o que pode significar uma necessidade de se aumentar ou reduzir o distanciamento social.

“O distanciamento físico é uma parte importante das medidas para controlar a Covid-19, mas não está claro exatamente a que distância e por quanto tempo o contato é seguro em diferentes contextos”, explica um dos trechos do artigo.

 

Segundo os pesquisadores, “descobertas de estudos de dinâmica de fluidos ajudam a explicar por que em uma prática de coral, nos Estados Unidos, uma pessoa sintomática infectou pelo menos 32 outros cantores, com mais 20 casos.

Alerta

Para o infectologista Leandro Curi, com ou sem distanciamento, “ainda não saímos do momento mais crítico da pandemia”, por isso não é recomendado frequentar festas, bares e eventos, ainda que com distanciamento e usando máscaras. “Imagine uma festa de criança, em que você vai querer abraçar o aniversariante. Pegar crianças no colo. E na hora de soprar as velas são inúmeras partículas que voam, mantendo alto o risco de transmissão da Covid-19. Ainda que as pessoas usem máscaras e higienizem mãos e superfícies constantemente, o recomendado é que as comemorações sejam virtuais neste momento”, aconselha. 

Mais de 2 milhões já deixaram isolamento

Em Minas Gerais, 62% das vidas perdidas em decorrência do coronavírus são de pessoas na faixa etária dos 20 anos aos 50 anos, sendo 24,4% dos 30 anos aos 39 anos. Até o dia 15 deste mês, o Estado registrava 8.267 óbitos por Covid-19. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, o número de pessoas rigorosamente isoladas por causa da pandemia no Brasil caiu em cerca de 2 milhões entre a primeira e a segunda semana de setembro.

Segundo o infectologista Leandro Curi, ainda que lugares ou ações apresentem baixo risco de infecção pelo novo vírus, os índices de contaminação não se estabilizaram.

“Não saímos ainda nem da ‘primeira onda’ de contaminação. O Rt – taxa de transmissão – é o mesmo de junho, quando a pandemia estava em curva ascendente. Todos nós estamos ansiosos por eventos e festas, mas, agora, mais que nunca, não é o momento”, finaliza. 
 

Fonte: Agencia Brasil