José Júnior fala sobre novas séries e reviravolta na Live Segundou

O tempo não diminui a agitação de José Júnior. Aos 52 anos, o fundador da ONG AfroReggae já viveu muita coisa, viveu seu pior ano em 2017, luta para dar a volta por cima e diz que sabe de bastidores do Rio de Janeiro que nem mesmo o poder público imagina. Tudo isso foi contado pelo próprio Júnior na live Segundou com Joca Guanaes nesta segunda (19). 

Fundado em 1993, o Centro Cultural AfroReggae tem como norte usar arte e cultura para reduzir a desigualdade e resgatar pessoas do crime organizado no Rio de Janeiro. Durante a trajetória, chegou a ter 500 funcionários e movimentava recursos superiores a R$20 milhões divididos entre os centros comunitários de Vigário Geral, Caju, Cantagalo e Parada de Lucas. Só que esse grande império ruiu: a ONG enfrentou problemas para pagar seus funcionários e teve dívidas na casa dos R$7 milhões. Para dar a volta por cima, José Júnior apostou na criação de uma produtora audiovisual e é assim que segue a sua escalada de volta ao topo.

O ano de 2017 foi definido por José Júnior como o pior de sua vida. Marcado por uma grande espiritualidade, ele acredita que num futuro próximo vai mudar o seu próprio ponto de vista para afirmar que na verdade ele será seu melhor ano.

José Júnior diz que seu principal legado é a capacidade de mediar conflitos e contrariar o que classificou como unanimidades. É reconhecido como um interlocutor e percursor da ponte entre autoridades e criminosos que, por algumas vezes, conseguem mudar  de vida por meio da arte, música e cultura. Junior é o cara que fala com os dois lados.

“Eu sempre buisquei juntar os diferentes, criar pontes numa via de mão dupla para juntar classes sociais e até preconceitos – porque todo o mundo tem preconceito. Tem muito a ver com a minha espiritualidade. Eu tenho um lado guerreiro, de justiça, que é muito forte. Tenho ousadia e vou sempre além, claro que posso cometer erros com isso mas acho que cometi mais acertos do que erros tanto na ONG Afroreggae quanto na produtora”, disse Júnior.

Se 2017 foi o ano de grandes decepções, caras quebradas e necessidade de se reconstruir, em 2021 José Júnior pretende viver um de seus melhores anos: 6 projetos serão lançados até lá. O destaque fica para o reality show “Na Laje da Favela”, que vai acontecer dentro de comunidades do Rio de Janeiro.

O reality será transmitido no multishow e vai mostrar moradores de classe média vivendo com famílias da Rocinha. A produtora AfroReggae já tem alguns sucessos como a série Arcanjo Renegado, que é a produção nacional mais assistida no Globoplay e teve sua segunda temporada confirmada pela Globo.

“Tive que transformar documentários em dramaturgia. 40 atores de Arcanjo Renegado vieram do tráfico. A gente forma atores, equipe de produção boa parte composta por ex-traficantes e milicianos. Fazemos esse trabalho de inclusão. Os protagonistas são sempre negros. O elenco é formado predominantemente por atores e não-atores negros que vêm das favelas”, conta.

Segundo José Júnior, a missão dele na Terra é de contribuir para transformar vidas e que enquanto estiver por aqui fazendo suas ‘horas-extras’ irá levantar as bandeiras que acredita serem necessárias para a construção de um mundo melhor: colocar pessoas negras, gays, lésbicas, transexuais, além de abrir portas para pessoas oriundas do crime organizado em situação de protagonismo faz parte do plano de ação.

As ‘horas-extra’ que ele afirma viver é porque já sofreu uma série de atentados contra a sua vida. Por cinco anos ficou sob proteção policial 24h ao dia. Carro? Tinha que ser blindado. Em sua trajetória manteve contato com chefões do tráfico como Elias Maluco e Celsinho da Vila Vintém e por conta disso levava uma fama de bandido que ele classifica como “natural porque as pessoas não acreditam que quem fala com essas pessoas e se expõe tanto não vai querer algo em troca”.

Para fazer os planos das 5 séries e um reality show seguirem em frente, Júnior vive uma verdadeira maratona diária: dorme à 0h e acorda às 3h30 da manhã, quando começa a mexer em roteiros de produtos como a série Betinho, que vai contar a vida do sociólogo e ativista de direitos humanos Herbert José de Sousa e terá Júlio Andrade como protagonista.

Todo rendimento que suas séries e o reality conseguirem obter terão 60% do lucro revertido para a ONG AfroReggae, que segue existindo e encontrou no audiovisual a maneira de se tornar sustentável.

O dia segue com leituras, uma corrida, diversas reuniões, mais produção de roteiro, novas reuniões até a hora de se deitar. É dessa maneira que José Júnior organiza a sua rotina e seguindo esses passos quer voltar ao topo.

Confira a íntegra do bate-papo logo abaixo.

A live Segundou retorna -advinhem- na próxima segunda (26), desta vez com participação do produtor musical Rick Bonadio, proprietário do estúdio Midas e da gravadora Midas Music. 

Experiente profissional do mercado fonográfico brasileiro tem em seu currículo a descoberta de grandes nomes da música e a produção de artistas como Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Tihuana, CPM22, Los Hermanos, Ultraje a Rigor, Planta & Raiz, Luiza Possi, Rouge, Br’oz, IRA!, NX Zero, Fresno, Titãs, Mr. Catra, Biel, Sérgio Reis, Roberta Miranda entre outros. A live segundou acontece sempre às 19h e é transmitida no Instagram do CORREIO.
 

Fonte: Correio