Vacina de Oxford: pesquisadores cobram saber se voluntário morto recebeu placebo

A empresa AstraZeneca ainda não revelou publicamente se o voluntário brasileiro da vacina contra Covid-19 que morreu no período do estudo recebeu a vacina ou placebo, o que não é formalmente obrigada a fazer. A agência de notícias internacional “Bloomberg” afirma ter conversado com um familiar do médico João Pedro Feitosa, 28, o voluntário, e que a fonte teria dito que o profissional recebeu placebo. 

Dado que sequer os próprios participantes do estudo sabem o que receberam, pesquisadores cobram que a empresa torne pública a informação e evite desinformação. “Eles têm que divulgar isso. E não há por que esperar se já soubessem que o paciente recebeu placebo. Só pioraria a situação”, destaca a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto de Vacinas Sabin e ex-membro do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC). 

Questionada pela reportagem, a Astrazeneca informou que não pode comentar casos individuais do estudo, pois obedece “estritamente à confidencialidade médica e às regulamentações relativas a estudo clínicos e, em linha com esses princípios, podemos confirmar que todos os processos de revisão exigidos foram seguidos”.

Os testes do imunizante não foram interrompidos no Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A recomendação de dar continuidade aos testes pode indicar que o voluntário fazia parte do grupo controle (recebeu placebo).

José Cássio de Moraes, especialista em imunização e membro do Observatório Covid-19 BR, lembra que não é atípico mortes ocorrerem ao longo de grandes estudos, sem necessariamente estar relacionadas a ele. “O indivíduo pode ter um infarto, ser atropelado ou ter um AVC, precisaríamos ver se é possível ou não afastar a relação disso com a vacina”, diz. Segundo o “Estadão”, a causa da morte do voluntário foram complicações da Covid-19. 

(Com agências)

Fonte: Agencia Brasil