Em segundo debate televisivo, candidatos à prefeitura de Salvador sobem o tom

Em clima mais acalorado do que o primeiro, o segundo debate televisivo com os candidatos à prefeitura de Salvador, realizado neste sábado (24) pela TVE, teve a presença de sete dos nove postulantes que disputam o cargo. A maioria deles insistiu para que as demais emissoras de televisão da capital, Record, TV Bahia e Aratu, revejam suas decisões em relação ao cancelamento dos debates tradicionalmente realizados pelas mesmas, que têm alegado falta de segurança. O principal tema das perguntas foi a questão da alta taxa de desemprego, mobilidade urbana e educação, enquanto a saúde terminou escanteada.

Seguindo uma série de protocolos sanitários de distanciamento, participaram Bacelar (Podemos), Bruno Reis (DEM), Celsinho Cotrim (PROS), Hilton Coelho (PSOL), Major Denice (PT), Olívia Santana (PCdoB) e o Pastor Sargento Isidório (Avante). Ficaram de fora Cézar Leite (PRTB) e Rodrigo Pereira (PCO). 

O debate foi dividido em três blocos, sendo que nos dois primeiros os candidatos podiam escolher quem responderia sua pergunta. Cada candidato só pode ser escolhido uma vez em cada bloco. A terceira parte foi destinada às considerações finais. Diferente do debate anterior, não houve pergunta de partida construída pela emissora e os postulantes já iniciaram se enfrentando diretamente. 

DESEMPREGO

Bruno Reis: “Combater o desemprego vai ser prioridade do nosso governo. Nós investimos em obras que geram empregos diretos, lançamos uma série de programas e projetos que contratam milhares de pessoas. Estimulamos o ambiente de negócios, trazendo segurança jurídica com a nova Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (LOUS), o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de Salvador (PDDU). Simplificamos os processos de licenciamento e aberturas de empresas. Agora, 30 empreendimentos estão sendo licenciados na cidade, habitacionais e comerciais que vão gerar 35 mil empregos. Tenho a disposição de reduzir o IPTU contando que tenha a contrapartida do emprego, e de reduzir o ISS contando que contrate pessoas da nossa cidade. Vamos estimular outros vetores de crescimento na cidade, como o turismo de bem-estar e saúde com a duplicação de hospitais, o polo logístico de Valéria e a nova centralidade de Águas Claras”.

Hilton Coelho: Nós vamos implementar o programa de Renda Básica Permanente, o primeiro Banco do Povo da cidade, para fomentar a atividade produtiva do nosso povo e criar o aplicativo municipal que vai cobrar 5% da corrida na cidade.

Olívia Santana: No nosso governo, vamos assumir um plano emergencial de recuperação da economia da cidade, vamos estabelecer política municipal de microcrédito para injetar recursos nos micro e pequenos empreendimentos. Tem pessoas que estão na miséria. Vamos democratizar o ambiente de negócios para que todas as empresas participem. Temos que estimular a economia criativa, democratizar oportunidades de negócios e o desenvolvimento das artes. É uma vergonha a Barroquinha e a Baixa do Sapateiros, destruíram o comércio e não tem nenhuma política de desenvolvimento social e econômico para o Centro Histórico.

MOBILIDADE URBANA

Pastor Sargento Isidório: Não precisa ser doutor para ver a perversidade que está sendo feita, o povo está dentro do ônibus como se fosse lata de sardinha, sovaco na cara do outro, e as frotas foram ficando na garagem. O pior é o desrespeito ao Ministério Público, sempre claramente a prefeitura está protegendo os empresários em detrimento do povo, inclusive na saúde. E querem proibir o povo de se desestressar na praia. É um desrespeito grande às pessoas, sabendo que a covid-19 continua. 

Olívia Santana: No meu governo, vamos enfrentar essa situação absurda, desigual. O Ministério Público precisou entrar na justiça para a prefeitura entender que, em plena pandemia, as pessoas não podiam continuar viajando dessa forma e colocar 100% da frota em funcionamento. Mesmo assim, a qualidade do atendimento é péssima. Tenho um compromisso de redesenho das linhas, de dar conforto e qualidade, colocar linha onde mais precisa. Tratam o transporte público como coisa de pobre, que não recebe respeito. Só levam em conta os interesses dos empresários.

Hilton Coelho: A situação do transporte coletivo em Salvador é dramática. A disseminação da covid-19 na nossa cidade está relacionada a essa forma desrespeitosa que ataca a vida da população. O governo do estado não tem um comportamento que destoa da prefeitura. O trem do Subúrbio, um transporte coletivo que pode ver os seus trilhos arrancados. Salvador pode sair da malha ferroviária do estado porque o governador que tirar os trilhos do Subúrbio, afundando a possibilidade de termos o sonho do trem regional, um trem proposto pela Ufba, que pode fazer Salvador ser religada à Região Metropolitana, Recôncavo e parte do Sertão. Tudo isso pode acabar porque o governador quer colocar um transporte sobre pneus no Subúrbio Ferroviário. Esse monotrilho do VLT é um transporte de pneu. É um crime com o futuro de Salvador, que tira nossa oportunidade de nos conectar com as cidades irmãs. Precisamos de um fundo público que taxe as grandes fortunas e coloque tarifa zero para estudantes.

Major Denice: O VLT é o transporte do futuro que está sendo levado para uma região que foi tão massacrada historicamente, que é o Subúrbio. É para o menino sair de Paripe e chegar no aeroporto rapidamente. A minha proposta é pegar o VLT e levar de Paripe até a nova rodoviária em Águas Claras, e ao unir com o metrô, teremos essa cidade integrada e unida.

HABITAÇÃO

Bruno Reis: “O programa Morar Melhor virou um case de sucesso e não vai parar. Vamos chegar até o fim do ano com 40 mil unidades reformadas e, nos próximos quatro anos, vamos reformar mais 50 mil unidades, recuperando banheiro, fazendo reboco, pintura, telhado, para que as pessoas não sofram com as chuvas”.

Celsinho Cotrim: “Iremos fazer a maior revolução habitacional da história dessa cidade. Precisamos minimizar o déficit de moradias, iremos regularizar os terrenos, os comércios informais de garagem. Quando regularizarmos, a pessoa vai poder ir ao banco solicitar empréstimo para comprar um freezer, um tabuleiro. A partir daí, a gente fomenta os empreendimentos, regulariza, reforma as casas e dá dignidade. 

Pastor Sargento Isidório: Estou já incentivando as pessoas a se prepararem para saírem candidatos/as a prefeitos/as dos bairros, porque, assim como tem eleição para conselheiros tutelares, na minha gestão, quem vai escolher o prefeito do bairro é o povo. É nas comunidades que vamos administrar e estarei, periodicamente, atendendo nas prefeituras-bairro, vamos acabar com esse balcão de emprego.

EDUCAÇÃO

Bacelar: A educação para ter resultados tem que ser em tempo integral. Em Salvador, houve um retrocesso na educação integral. Quando secretário criei as primeiras escolas de ensino fundamental em tempo integral, mas infelizmente essa prática se reverteu. Eu o resgatarei. Iremos ter no primeiro turno os conteúdos formais e no contraturno acesso à cultura, ao teatro. No meu programa de governo consta a Escola Técnica Municipal. Podemos fazer convênios com o Sistema S para ter um amplo programa de formação de mão de obra para serviços que não existam grande formação profissional, como a economia do cuidado, do idoso, da criança, do doente. Vamos formar essa mão de obra para estar à disposição do mercado. 

Bruno Reis: Estamos transformando a educação de Salvador. Em 2012, tínhamos 1.000 salas de aula sem professores, crianças sem merenda, sem kit escolar, essa realidade mudou. Recuperamos ou construímos mais de 244 escolas, as crianças fazem hoje cinco refeições diárias, entregamos fardamento, o kit, temos um programa próprio, que é produzido pelos professores, os agentes da educação estão lá reduzindo a evasão escolar. Vamos seguir aumentando a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Foi na nossa gestão que implantamos plano de cargos e salários dos professores. Todas as nossas conquistas foram porque conseguimos motivar os professores. Temos muitos desafios e vamos agora melhorar, universalizando o acesso a creches. Ainda temos 10 mil crianças fora das creches. No passado, Salvador tinha apenas 17 mil vagas, hoje oferecemos 55 mil. O nosso compromisso com as crianças é alfabetizá-las até, no máximo, os seis anos, e reduzir a evasão escolar a distorção idade-série.

Celsinho Cotrim: Terei educação em tempo integral no meu governo, darei café da manhã para que o aluno quando chegue, se alimente e consiga elaborar a questão educacional. O secretário de educação será escolhido pelos servidores municipais da educação para, desta forma, a gente não ter partido cuidado da educação dos filhos.

Olívia Santana: Vamos fazer o Educação de Jovens e Adultos [EJA] conectado com a formação profissional para o trabalho, ampliar horizontes e oportunidades. A nossa juventude nos bairros populares não pode continuar sendo tratada como um inimigo a ser combatido, tombando, morrendo na base da bala. Temos que enfrentar esse quadro abrindo oportunidades para a juventude, dando caminho para nosso povo. Nós, mulheres negras, a juventude negra tem que ter direito a um lugar ao sol. Não quero ver nosso povo nascendo, crescendo e morrendo sem oportunidade, enquanto essa elite se perpetua no poder. Peço que reflita e vote numa alternativa nova.

Pastor Sargento Isidório: Propus ao governador Rui Costa que os colégios militares fossem feitos em parceria com os prefeitos da Bahia. Na Fundação Dr. Jesus estamos brigando para atender quem não usou drogas. Salvador está precisando de creche porque tem muita maquiagem e precisa mudar essa realidade, fazendo também escolas com tempo integral.

CULTURA E TURISMO

Major Denice: A cultura pulsa em cada região dessa cidade e tem que ser vista como espaço profissional. A cidade pode transformar a partir da cultura a vida das pessoas, pautando a educação. Precisamos ter um aumento no orçamento destinado à cultura. Para a gente profissionalizar esse espaço, vamos construir o maior centro de capacitação do país. Cultura é além do carnaval e Salvador sabe disso, só não foi oportunizada. Estamos trazendo proposta de outros potenciais espaços para apreciação turística na cidade, como o Circuito da Moqueca, sinalizando os espaços que podem ser visitados e propagados pelo mundo todo, como se faz na Espanha, com a paella. Queremos incentivar o turismo religioso e o da história do petróleo, Salvador tem o primeiro poço de extração de petróleo do país. A minha proposta é transformar Salvador na Wakanda do turismo étnico para que venham celebrar conosco o fato de serem essa capital negra que muito me orgulha.

Celsinho Cotrim: Sem o trade turístico, o turismo não avança. Vamos fazer mais cursos de formação empresarial para construir no município o Simtur, que é o Serviço de Intermediação de Mão de Obra para o Turismo.

IMPOSTOS

Major Denice: “A arrecadação não pode ser esse lugar de prejuízo, de dissolução das empresas, da vida das pessoas. A prefeitura de Salvador nos últimos anos praticou essa perversidade, aumentando o IPTU, forçando empreendimentos a fecharem e demorando mais de um ano para liberar alvarás. Na minha gestão, vamos revisar essa política tributária, alvará nenhum demorará mais de um ano, em específico as grandes obras que gerarão renda para nossa população. Não podemos pautar, por exemplo, uma indústria de multas que força as pessoas a não aprenderem a cuidar das suas vidas, das suas famílias quando estão no trânsito, não sinaliza a elas a importância de se manterem vivos, apenas suga, retira financeiramente dessas pessoas até o que elas não tem. Os motoristas de aplicativos amargam com essa política. A nossa pauta é educar as pessoas, elas precisam entender o motivo de estarem sendo punidas. A arrecadação municipal não pode ser espaço de sangrar cidadãos”

SEGURANÇA PÚBLICA

Celsinho Cotrim: A iluminação pública é essencial à qualidade de vida, previne a criminalidade e precisa estar dentro de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública, que vamos criar, para caminhar e identificar, de forma integrada e inteligente, todo o serviço, não ficando sequer um bairro sem iluminação com LED branca. 

Bruno Reis: Nossa meta é chegar ao fim do ano com 80% da iluminação da cidade modernizada, toda em LED. Vamos chegar até o meio do ano que vem com 100% da iluminação em LED e vamos seguir com telegestão, iluminando monumentos público, valorizando ainda mais os pontos turísticos.

Fonte: Correio