O negócio é atacar, se vitimar, usando todo tipo de clichê

O tribunal das redes sociais continua implacável nos seus ataques rocambolescos e estapafúrdios.  Acusações são proferidas ao sabor das emoções mais primárias e, na falta de sessões diárias de psicanálise, vemos shows de psicopatias variadas sendo apresentados e reproduzidos por incautos, que nem se dão ao trabalho de averiguar, mesmo que de forma primária, o teor dos ataques e desabafos. 

Dia após dia, temos novos espetáculos na arena dos gladiadores que pertencem a espectros políticos variados, transitando da mais extrema direita ao esquerdismo mais radical. O negócio é atacar, se vitimar, usando todo tipo de clichê associado a movimentos, estes sim, legítimos, construídos pela sociedade.

Neste vale tudo sem regras, o público vibra de forma emocional e histérica divulgando o material publicado, sem ao menos investigar a veracidade do que foi dito e ou publicado, transformando o palco internético num seriado digno do pior folhetim, ressaltando que nada tenho contra o gênero.

Vai a dica: antes de espalhar vídeos e textos estude o conteúdo, verifique a veracidade e, só aí, propague. Sei que é difícil, pois revoltas e recalques povoam nossos corações e almas e, na primeira oportunidade, o gosto de sangue alimenta nossa alma vingativa e revanchista.

Mas, insisto, ou começamos a frear esta onda, ou vamos transformar este excelente mecanismo de aproximação e debate saudável de ideias no mais raso esgoto, disfarçado de louça sanitária limpa e desinfetada,  cheia de causas e ideais nobres.

Fernando Guerreiro é ator, diretor teatral e presidente da Fundação Gregório de Matos. 

Fonte: Correio