Procon-SP notifica Apple sobre iPhone sem carregador na caixa; prazo acaba sexta

Depois de a Apple anunciar que os próximos smartphones da marca viriam sem o carregador na caixa no último 13 de outubro, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de São Paulo notificou a filial da empresa no Brasil nessa terça-feira (27) pedindo explicações sobre a decisão. A Apple precisa responder as questões (veja abaixo) até esta sexta-feira (30). 

Apesar de o órgão citar que “a nova linha de iPhones” será comercializada sem o carregador, informações no site estadunidense da empresa indicam que todos os aparelhos vendidos – incluindo os de gerações anteriores – também devem ser despachadas sem o item.

A empresa deverá apresentar as seguintes informações, conforme nota do Procon-SP:

  • Quais razões fundamentam a decisão comercial da empresa;
  • Qual será o custo dos dispositivos ofertados em separado;
  • O que será disponibilizado para aquisição do consumidor para que seja efetuada a recarga e qual o tempo de previsão de carregamento do aparelho com o novo dispositivo;
  • Se o consumidor tem alternativa para utilização de outros dispositivos com a mesma função;
  • Como se dará o atendimento em garantia, já que os itens serão comprados em períodos distintos.

Durante o evento em que a Apple apresentou os novos iPhones, a justificativa usada fora de preocupação ambiental e sustentabilidade – a empresa alega que, com a medida, que pouparia “2 milhões de toneladas de carbono” de serem emitidas o que, conforme comunicado à imprensa, equivaleria a “remover quase 450 mil carros das ruas por ano”. 

Contudo, a preocupação com os direitos do consumidor é ampla e, os anseios ambientais da empresa, questionáveis. À época do evento, usuários e consumidores questionaram a decisão da empresa insistir em usar a porta “lightning” nos smartphones, ao invés do padrão universal USB-C. “Reduziria ainda mais as emissões, mas não foi feito”, comentou um repórter do “The Verge” após a apresentação. 

“É um acessório indispensável. Há alguns opcionais, como o fone de ouvido, que poderiam ser retirados, mas não entregar o carregador é como vender um carro sem bateria”, opina o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Marcelo Barbosa.

“Pode não ser ilegal, no fim das contas, mas é uma medida antipática e prejudicial”, conclui. A reportagem tentou contato com o Procon do Ministério Público de Minas Gerais para apurar se algum movimento parecido ao de São Paulo está previsto, e aguarda retorno. 

Fonte: Agencia Brasil