Pandemia provoca aumento de casos avançados de câncer em clínicas, diz médica

Por medo de contrair a covid-19, muitos pacientes deixaram de procurar as clínicas médicas e, em todo o mundo, especialistas têm alertado para a queda nos diagnósticos de inúmeras doenças graves. Convidada da live Segundou desta segunda-feira (2), a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, a médica baiana Clarissa Mathias alertou que, por causa desse fenômeno, já se observa um aumento da chegada de pessoas que apresentam casos já avançados de câncer nos consultórios ligados ao Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB).

“Infelizmente, temos seis meses de pandemia, e nos nossos consultórios, estamos vendo isso. São pacientes que chegam com nódulos palpáveis, tumores inoperáveis, obstrução intestinal. São várias situações que estávamos desacostumados a ver e que passamos a ver com maior frequência. O medo existe, mas o medo precisa ser entendido e ser vivido de forma cautelosa. A covid-19 é muito grave, mas as outras doenças também são”, disse ela. 

A médica aconselha que as pessoas não deixem de fazer os exames periódicos que ajudam a identificar a presença de câncer porque o diagnóstico precoce está diretamente relacionado com maiores chances de cura da doença.

Assista na íntegra:

Segundo um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Mastologia realizado em centros hospitalares que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em algumas capitais, a queda nos atendimentos de mulheres em tratamento nos meses de março e abril deste ano esteve, em média, 75% abaixo em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Se os casos não forem diagnosticados precocemente, não conseguimos curar de forma efetiva. Então, é preocupante o que vai acontecer com esses pacientes que não estão sendo diagnosticados e a sobrecarga do sistema de saúde é uma incógnita mundial. Os hospitais têm rotas seguras de diagnóstico. Se a pessoa está sentindo alguma coisa, procure logo um médico porque a perda de tempo vai ter um preço muito alto”, acrescenta. 

A médica também explicou que, ao longo dos anos, diminuiu-se na sociedade o tabu em relação ao câncer. As histórias de pessoas, principalmente artistas, que em algum momento da vida foram diagnosticadas e sobreviveram têm ajudado a mostrar que, em alguns casos, há possibilidade de cura e tratamento efetivo.

Ainda segundo ela, os indicadores de morte por câncer de vários tipos vinham tendo queda em todo o mundo até o ano passado. No entanto, com a pandemia, inúmeras pesquisas científicas sobre oncologia pararam e os médicos e pesquisadores tiveram uma redução no acesso a dados e informações levantadas por esses estudos. 

Fonte: Correio