‘Pela primeira vez’, mais de 20% do orçamento municipal é investido na Saúde, diz Léo Prates

A pandemia de covid-19 exigiu  demais do sistema público de saúde e isso refletiu nos gastos do executivo nesse setor. Só em Salvador, mais de 20% do orçamento foi investido na Saúde, segundo Léo Prates, secretário da pasta. A afirmação foi feita enquanto o gestor explanava as ações municipais no webinário Perspectivas da Pandemia em Salvador, promovido pela Rede CoVida. 

“Pela primeira vez, vamos bater a marca de mais de 20% do orçamento investido em saúde pública”, disse.  A previsão é de que, ao final de 2020,  cerca de 22,62% do dinheiro tenha sido gasto pela prefeitura seja na saúde. O mínimo exigido por lei é de 15%.  Ainda para o secretário, esse dinheiro a mais investido serviu para a implantação de melhorias na área: “Inauguramos 15 Unidades Básicas de Saúde, aumentamos a quantidade consultórios de ruas de três para cinco, inauguramos a UPA Santo Antônio, na Cidade Baixa, ampliamos a rede hospitalar com os hospitais de campanha, adquirimos 20 novas ambulâncias para o Samu e adquirimos 205 mil testes de covid-19, 150 mil já feitos”, afirmou. Dos testes realizados, ainda segundo o secretário, todos os moradores das três ilhas que fazem parte de Salvador (Ilha de Maré, Bom Jesus dos Passos e Paranama) tiveram acesso. 

Participaram também os pesquisadores da rede CoVida Maria Yuri Travassos e Gervásio Ferreira. O evento foi mediado pela professora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba) Glória Teixeira. “Nós continuamos extremamente preocupados com a pandemia de covid-19. Todo dia é uma surpresa nas pesquisas e é importante mergulharmos na situação específica da nossa cidade”, disse Teixeira.  

Já a cientista Maria Yuri destacou em números a evolução do coronavírus em Salvador. “Em 25 semanas da presença confirmada da covid-19 na capital baiana, todos os bairros já estavam atingidos pela doença.  A maior dissidência de mortalidade está nos bairros de Caixa D’Água, Pau Miúdo e São Caetano. Em toda cidade, chegamos a 60% de índice de isolamento social e hoje ele é menor que 40%”, afirmou. 

Por sua vez, o pesquisador Gervásio Ferreira trouxe a socioeconomia de Salvador na pandemia de covid-19, destacando a importância dos auxílios federal e municipal para a sobrevivência da população. “Essa questão entre economia e saúde não tem dilema. Reforçar as medidas de isolamento não pode estar oposto a necessidade do setor econômico. Numa eventual segunda onda, se vier a necessidade de mais medidas de isolamento, não há muito o que fazer”, concluiu, se referindo a necessidade de continuação das ajudas sociais.

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro. 

Fonte: Correio