Caso Mariana Ferrer mobiliza mulheres na Europa

O caso da influenciadora digital Mariana Ferrer tem repercutido com força em Portugal, e a mobilização já se espalha por outros países europeus. Nas redes sociais, mulheres em várias cidades da Europa têm se engajado em um protesto virtual em apoio à jovem catarinense.

Postando uma selfie e indicando a localidade em que estão, elas querem chamar atenção para o caso no exterior.

“A ideia veio do sentimento de injustiça que sentimos ao ver a sentença do caso da Mari. Acompanhamos o processo e vimos o quanto a Mari foi revitimizada pelo sistema de Justiça”, diz a psicóloga Ana Paula Costa, uma das diretoras da Casa do Brasil em Lisboa, ONG que tem organizado as manifestações.

 

 
 
 
 
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A Casa do Brasil de Lisboa e a Plataforma Geni juntam-se para pedir #justicapormariferrer. Não podemos admitir a culpabilizacão da vítima e processos judiciais que desrespeitam, depreciam e revitimizam as mulheres vítimas de violência. Junte-se a essa campanha a partir da sua cidade. Tire uma foto com o nome da sua cidade, a hashtag #justiçapormariferrer e poste nas suas redes sociais. Também pode nos enviar sua foto por direct ou e-mail: plataformageni@gmail.com. Participe dessa campanha de repúdio à justiça misógina. #violenciadegenero #justica #processopenal #igualdadedegenero #respeito #sororidade #lisboa #portugal

Uma publicação compartilhada por Casa do Brasil de Lisboa (@casadobrasildelisboa) em 4 de Nov, 2020 às 7:36 PST

“Quando saiu a sentença e as cenas da audiência, que mostram a postura do advogado, do promotor e do juiz, pensamos que tínhamos que fazer alguma coisa, pois não podemos admitir que nenhuma mulher vítima de violência, que denuncia e segue com o processo, seja tratada daquela forma”, completa.

Por conta das várias restrições impostas pela segunda onda da Covid-19 nos países da Europa, as manifestações, por enquanto, ficarão apenas no ambiente virtual.

O protesto virtual começou com a adesão de mulheres de cidades portuguesas, como Lisboa, Porto e Setúbal, mas já se espalhou por países como Holanda, Espanha e Polônia. “A maioria são brasileiras, mas há outras nacionalidades também”, diz Ana Paula Costa.

Em Portugal, os principais jornais têm veiculado reportagens sobre o caso de Mariana Ferrer, destacando principalmente as falas do advogado de defesa do réu e a tese de estupro culposo.
Jornais e sites de países como Inglaterra, França e Espanha também têm começado a acompanhar o assunto.

O PROCESSO

Após imagens do julgamento de seu processo terem sido divulgadas em reportagem do site The Intercept na última terça-feira (3), o caso de Mariana Ferrer voltou a ter destaque.

A influenciadora digital acusa o empresário André de Camargo Aranha de estupro em um clube de luxo há dois anos, em Florianópolis.

Na audiência, o advogado do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, exibiu imagens sensuais da jovem, feitas na época em que ela era modelo, para reforçar sua argumentação de que o sexo foi consensual e descredibilizar Mariana.

Classificando as poses da influenciadoras como ginecológicas, o advogado afirmou ainda que “jamais teria uma filha do nível” de Mariana. Ele ainda repreendeu quando ela começou a chorar: “não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lágrima de crocodilo”.

O caso foi marcado ainda pela mudança de versões, trocas de delegados e promotores e sumiço de imagens de câmeras de segurança.

Aranha acabou absolvido. O promotor Thiago Carriço de Oliveira argumentou no processo que não era possível comprovar que o acusado sabia que Mariana não tinha capacidade de consentir a relação sexual.

Essa tese de estupro sem intenção foi classificada de “estupro culposo” pela reportagem do The Intercept. O termo, porém, não aparece nos autos.

A condução do julgamento que o inocentou causou indignação e tem sido criticada por especialistas.

Nas redes sociais, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes se manifestou sobre o assunto.

“As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram”, afirmou.

Fonte: Agencia Brasil