Homenagem a Popó do Ilê era aguardada há dez anos no Curuzu

A reforma da Rua do Curuzu, no bairro da Liberdade, em Salvador, deu o que falar entre os moradores. Após o evento oficial de inauguração realizado pela prefeitura, na manhã desta sexta-feira (6), houve até fila para fazer fotos com o busto em homenagem a Apolônio Souza de Jesus Filho, o Popó. Ele foi um dos fundadores do Ilê Aiyê.

O monumento foi colocado na parte de cima da ladeira, no cruzamento entre a Rua do Curuzu e a Rua Progresso. O busto é feito de fibra de vidro, e foi concebido e realizado pela artista plástica Márcia Magno, baiana e professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba). O primo de Popó e também fundador do Ilê, Djalma Cândido dos Santos, 77 anos, disse estar emocionado.

“Foram dez anos tentando fazer esse projeto acontecer. Ele tinha sido aprovado pela Fundação Palmares, mas depois eles recuaram. Foi, então, que a Fundação Mário Leal Ferreira abraçou a ideia. Estou agradecendo a Deus. Apolônio fez muito pela nossa cultura, e merece essa homenagem. Estou muito feliz”, contou.

Batizado de “Popó, herói negro da Liberdade”, o monumento homenageia o homem que batalhou pela a afirmação das entidades negras, numa ação cultural de caráter político, trabalhando pela união das comunidades. Popó era promotor e guia de excussões, nasceu em março de 1952 e morreu aos 40 anos, em novembro de 1992. A escultura foi um pedido da comunidade.

Para o presidente do Ilê Aiyê, Vovô do Ilê, o resultado ficou dentro do esperado. “A ladeira ficou ótima. Agora, os carros não derrapam mais. Eu senti falta de mais pontos de coletas de lixo, mas foi um desejo da própria comunidade para que ficasse como está. No mais, ficou tudo muito bonito. A rua estava precisando dessa reforma”, afirmou.

Foto: Valter Pontes/SecomPMS

Projeto
Depois da inauguração, a população aproveitou para explorar as novidades. Com as mãos na cintura e parada do outro lado da rua, uma senhora apurou as vistas para tentar identificar a escultura. “Ali é Popó?”, perguntou. E sorriu ao ouvir de outra mulher que ‘sim’. “Que bom, porque ele merece todas as homenagens. Era gente da gente”, respondeu, e seguiu andando.

A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield, contou que foram realizados seis encontros com os moradores do Curuzu para discutir os detalhes da reforma.

“Cada oficina aconteceu em uma associação diferente para que o trabalho fosse o mais democrático possível, e o resultado é um conjunto do saber do cotidiano e do saber técnico. O Curuzu tem um colorido próprio, por isso, propomos esse piso intertravado colorido. Já as ruas são muito estreitas, o que provocava um conflito entre os carros e os pedestres, e não havia acessibilidade porque as calçadas eram irregulares”, disse.

Os passeios passaram a ter um metro de largura e acessibilidade para pessoas com deficiência. O estacionamento foi organizado, e a iluminação substituída. Mas para os moradores a principal mudança foi a Ladeira do Curuzu que ganhou uma escadaria, mural em grafite e piso em concreto, o que vai evitar a derrapagem dos veículos.

O titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), Luciano Sandes, contou que a preocupação principal foi com a melhoria do espaço físico, por conta da mobilidade, e para fomentar a economia e o turismo na região. Foram 15 meses de obras.

“Fizemos a requalificação dos passeios, com meio-fio em granito. Nova drenagem e paisagismo. Piso intertravado, nova iluminação em LED, e instalamos mobiliário urbano. Criamos espaços físicos para melhorar o ordenamento, fizemos pórticos de acesso, e a homenagem a Apolônio de Jesus. Foram várias intervenções”, afirmou.

O investimento foi de R$ 8 milhões e a requalificação foi de 1,1 quilômetros. A estimativa da prefeitura é de que 20 mil moradores serão beneficiados.

Fonte: Correio