Era sol que me faltava: baianos e turistas aproveitam dia sem chuva

Para os soteropolitanos, os versos da canção de Tiago Iorc nunca fizeram tão sentido nessa sexta-feira (6). “E num mar de tanta indiferença, era sol que me faltava”. Sim, aquele que ficou tão escondido durante a semana era o que faltava para as pessoas saírem de suas casas e botarem a cara no sol. Indiferentes ou não à pandemia de covid-19, não faltou gente na orla de Salvador disposta a curtir o dia, seja com um banho de mar ou na prática de uma atividade ao ar livre.  

“Rapaz, quando eu acordei de manhã e vi esse solzão, disse para mim mesmo: preciso ir treinar meu basquete”, conta o artista Douglas da Silva Souza, 22 anos. Morador de Pernambués, ele estava com mais cinco amigos na quadra a céu aberto localizada no Jardim dos Namorados, orla de Salvador. “A chuva impede que a gente pegue esse baba, pois a bola fica molhada e escorregadia. Tem ainda o perigo de alguém escorregar e cair”, explicou. 

Isso sendo verdade, é possível afirmar que foi praticamente impossível a prática esportiva de Douglas durante essa semana. Só nos últimos quatro dias, 80,4 milímetros de chuva foram registrados pela estação meteorológica de ondina do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O esperado para todo o mês de novembro é 106mm.  

 São Pedro parece ter sido generoso com os baianos e apenas 7,4mm de chuvas foram registrados em Salvador. Foram pancadas isoladas e fracas, daquelas vindas “só para refrescar”. Isso fez com que o casal de Itapuã Janaina Santos e Josenilton Macedo corressem para aproveitar o dia na praia com o filhão. “Estamos levando cerveja num cooler e muita disposição. Não temos hora para voltar para casa. Gosto dessa praia que é tranquila e confortável”, disse ela.  

Mesmo não sendo permitido por causa da pandemia, esportes coletivos foram práticados na orla (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Ainda em Itapuã, a baiana Patrícia Cerqueira, 37 anos, comemorava o dia ensolarado, que ajuda nas suas vendas de acarajé e abará. “Essa semana o movimento foi muito fraco. Chega a cair uns 50% por causa da chuva. Claro que tudo que vem de Deus é bem-vindo, mas para trabalhar, nós precisamos do sol”, contou a baiana, que ainda lamenta o fato de ter que fechar sua barraca às 22h30, por causa da pandemia. “Se não fosse essa doença, ficaria vendendo aqui até de madrugada, pois o movimento nesse período é realmente alto”, disse.  

Turistas 
A verdade é que não foram apenas os baianos que viram o sol ‘brilhar inteiro’ nesse dia. No Farol da Barra, dezenas de turistas aproveitavam para curtir o ponto turístico da capital baiana. Valber dos Santos, 38 anos, saiu de Aracaju com a família para comemorar o aniversário da esposa em Salvador. Enquanto ela estava numa loja de roupas da Barra, ele deu um pulo na orla com a filha Catarina, 9.  

“Nós ficamos com medo de pegarmos chuva, mas viemos confiantes. Em Aracaju também choveu bastante nessa semana. Tenho uma empresa de marcenaria que ficou alagada. Perdemos alguns materiais, mas consegui resolver todos os problemas lá para curtir bastante aqui com segurança, faça chuva ou faça sol”, disse o rapaz, que utilizava máscara de proteção.  

Na faixa de areia, dezenas de pessoas se protegiam da radiação solar em sombreiros azuis e brancos. Outros se banhavam nas águas calmas do mar da Baía de Todos-os-Santos. Vendedores ambulantes vendiam seus produtos para os banhistas e lucravam com o movimento.  

Jô Brasil foi uma das turistas que curtiram a praia. Ela saiu de Minas Gerais na quinta-feira para passar apenas dois dias em Salvador. Deve ter trazido o sol na bagagem. “Cheguei com chuva, mas tive sorte que hoje o céu abriu. Vim logo aproveitar a praia. É a primeira vez que vim aqui. Não gostei muito da quantidade de pedras, mas valeu a pena”, afirmou.  

Corrida, caminhadas e bicicletas também foram vistas na orla (Foto: Marina Silva/CORREIO)

E se você espera que o sol torne a voltar amanhã, pode esperar tranquilamente, pois a previsão do tempo informa que ele virá ‘mais uma vez’. Segundo o aviso meteorológico emitido pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), apenas chuvas fracas e isoladas, a qualquer hora do dia, podem cair em Salvador. Não há risco para alagamentos e deslizamentos de terra. Mas preste atenção que um decreto municipal proíbe que as praias da cidade sejam frequentadas aos finais de semana.  

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro. 

Fonte: Correio