Sérgio Siqueira lança livro que se passa entre Arembepe e Capão

Muita gente vai jurar que tudo o que está ali é ficção, mas, segundo o autor, é a mais absoluta realidade. É assim que Sérgio Siqueira, baiano de 68 anos, apresenta seu livro Clareou – Conversa pra Boi Leão Dormir, que será lançado no dia 25 e já está em pré-venda no site da editora Solisluna. “Para uma pessoa desatenta, acostumada à vida da cidade grande, tudo no livro pode parecer ficção, mas pode apostar que tudo o que está escrito é real”, assegura o autor, que é publicitário e trabalhou na área de criação da Rede Bahia por 25 anos.

Ambientado entre Arembepe e o Vale do Capão – dois lugares pelos quais Sérgio é apaixonado -, Clareou tem textos  dinâmicos, entremeados por algumas entrevistas sobre diversos assuntos, incluindo uma com Silvio Palmeira, músico e produtor cultural que morreu em agosto deste ano, aos 68 anos. Silvio foi integrante da banda Mar Revolto e em Salvador, nos anos 1980, criou o Circo Relâmpago, na Pituba, onde aconteceram shows históricos.

Mas o centro desse papo é o cantor João Gilberto (1931- 2019), ídolo de Sérgio. E por que João? “Ele foge completamente do quadrado e todo o livro é assim: foge do quadrado, com histórias que parecem irreais, mas são reais, que acontecem nas ‘quebradas’, nos desvios das estradas de barro. João foge de qualquer parâmetro e é por isso que ele está ali”, diz o escritor.

Sérgio Siqueira (divulgação)

Sérgio se entusiasma ao falar do bossa-novista: “Na entrevista, a gente descobre por que João Gilberto era tão recluso. Entendemos também a sua busca pela perfeição. O livro dele de cabeceira era do Paramahansa Yogananda [iogue e guru indiano]. Isso explica a busca dele pela perfeição , que você só consegue através da disciplina e da repetição”.

Discos voadores

Mas não é só de João Gilberto que o livro fala, segundo o autor: discos voadores, cachorros, gatos, cobras e lagartos, aventuras, sonhos e pé na estrada… tudo isso está em Clareou, garante o escritor. Ele acrescenta que o foco do livro é a “política da alma”.

A política no sentido tradicional não é assunto central, mas está em um textos, que surgiu depois que Sérgio gravou “clandestinamente” uma conversa, sem que os participantes soubessem. Mas a publicação, claro, é autorizada. “Um dos personagens desse texto é um senhor estrangeiro de 70 anos, adepto de Timothy Leary [neurocientista que ficou famoso por defender os benefícios terapêuticos e espirituais do LSD]. Mas ele pediu para ter a identidade preservada para não parecer que queria imiscuir na política de outro país”.

Segundo aquele senhor, todo político deveria passar por uma cerimônia de purificação, uma espécie de cerimônia xamânica, em que seriam submetidos ao princípio ativo do cogumelo mágico, mas tudo muito organizado, acompanhado por médicos. “Ele acredita que assim os políticos se tornariam pessoas melhores. Mas tudo isso era baseado em teorias de Timothy Leary”, destaca Sérgio.

Clareou, que tem apresentação da jornalista Isabela Larangeira, é ilustrado por fotografias feitas pelo próprio escritor, que aproveitou para pôr em prática uma de suas paixões. Segundo o autor, o livro faz uma conexão entre o Vale do Capão e a Arembepe dos anos 70. Uma das entrevistas, por exemplo é com Vera Valdez, brasileira que que foi a modelo número um de Chanel nos anos 60. “O Capão e Arembepe são dois lugares que as pessoas sonharam, onde viveram aventuras… e hoje, isso faz falta. Falo de sonhos, de aventuras, de xamãs, de trangressão. Enfim, é esse o espírito do livro”.

À venda no site da Solisluna

Fonte: Correio