Morte de brasileiro em testes da chinesa Coronavac não tem relação com vacina

O presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas, afirmou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (10) que o “evento adverso grave” que causou a morte de um dos voluntários brasileiros nos testes da Coronavac – vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela chinesa Sinovc – não tem relação com o imunizante. 

“O evento adverso foi analisado e não teve relação com a vacina. E essa informação está de posse da Anvisa desde o dia 6”, pontuou. Há expectativa de que a Anvisa, que suspendeu os testes da vacina no Brasil, autorize retomada entre esta terça-feira e esta quarta-feira (11).

O Butantã declarou que não pode divulgar detalhes sobre o evento adverso por “regras de sigilo”. A única informação divulgada por ora é que o voluntário era do centro de estudo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

“Se vocês pudessem ter acesso às informações que temos, poderiam identificar o quão injusto está sendo essa penalidade e suspensão de continuidade dos estudos da fase 3 da vacina desenvolvida pelo Butantã”, frisou João Gabbardo, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo.

Controvérsia política

Menos de 12 horas após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspender os testes com a vacina Coronavac, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma extensa publicação nas redes sociais sobre quais ações o governo federal tem realizado para enfrentar a pandemia de covid-19. 

Entre as medidas mencionadas no Twitter, o presidente citou a realização de testes clínicos para verificar se a vacina BCG – que protege contra formas graves da tuberculose – é “uma maneira preventiva da covid-19, reforçando o sistema imunológico” e outros 15 protocolos de vacinas nacionais em desenvolvimento para o vírus.

Bolsonaro também mencionou, como um dos esforços promovidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, estudos sobre a nitazoxanida no tratamento precoce da covid-19. O medicamento é um vermífugo que “reduz a carga viral”, diz o tuíte do presidente, mas que não evita complicações da covid-19, segundo pesquisas médicas.

Nas postagens, o presidente reforçou o caráter nacional das medidas implantadas e defendeu que o País ganhou independência de importações como, por exemplo, a de ventiladores pulmonares.

“O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e o presidente Jair Bolsonaro trabalham, desde fevereiro, ao lado da ciência, no combate à covid-19”, escreveu Bolsonaro.

Disputa

A Coronavac, em desenvolvimento pelo Butantan, tem sido objeto de disputa política entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da República.

Bolsonaro disse não que planeja adquirir o imunizante, contrariando, inclusive, manifestações dadas pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Apesar da disputa entre o presidente e o governador, Doria tem reforçado a confiança no trabalho “republicano” e “correto” do ministro Pazuello.

Nessa segunda (9), o governador paulista também havia anunciado o início das obras da nova fábrica do instituto para produção de vacinas, em especial, de imunizantes contra o coronavírus.

Fonte: Agencia Brasil