Jonas Bueno conta trajetória marcada pela vontade de compartilhar

Vários dos rostos que você viu dando vida ao Fashion Film do Afro Fashion Day 2020 são experientes na passarela mais negra do Brasil. O modelo, diretor de arte, ator e ativista Jonas Bueno, 27, é uma dessas pessoas. Vencedor do Afro em 2018 após passar pelas seletivas de bairro, Jonas sequer iria concorrer naquela oportunidade e só o fez porque os alunos do seu projeto social ficaram “colocando pilha”, ou insistindo, como se diz na Bahia.

Jonas contou parte da sua trajetória a Joca Guanaes na Live Segundou desta segunda (23). Essa e outras histórias estiveram presentes durante mais ou menos 1h de bate-papo ao vivo no Instagram @correio24horas. Toda a conversa está disponível no perfil.

O modelo é fundador do projeto Focus Moda, que nasceu após uma experiência frustrada em São Paulo – onde tentou modelar após fazer umas série de workshops, cursos e até desfilar em algumas passarelas na Terra da Garoa. As oportunidades, no entanto, não tiveram continuidade.

Mesmo sem receber as críticas diretamente, Jonas acredita que o olhar dizia muita coisa: o fato de não ter grana para investir em mais cursos, ser nordestino e negro pesou bastante naquela época. Ele aponta que hoje há uma evolução quanto a isso, mesmo que as oportunidades ainda estejam longe do ideal.

Essa experiência frustrada fez com que ele voltasse para Salvador com um projeto na bagagem: criar uma iniciativa que desse oportunidade a outros jovens, sem ter o corpo ou as condições das pessoas como o ponto fundamental. A ideia de Jonas era de ser alguém que acredita no potencial de pessoas. Esse foi e é o lema do FocusModa, que existe desde 2015.

“A primeira turma teve 70 jovens, só que a equipe não poderia refazer o que faziam lá fora: ir atrás do belo, dos meninos altos, das meninas altas… A ideia era buscar um espaço onde todos tinham espaço”, disse

Desde o nome, a Focus Moda e Produções comunica tudo que propõe fazer: conquistar pessoas através da moda e da produção artística-cultural, e transformar suas histórias individuais e coletivas. Para isso, é preciso foco e persistência. “Eu sei que nem todo mundo vai virar modelo, sei que nem todos vão colocar em prática aquilo que sonham, mas tiveram oportunidade, e com foco, é possível”, defende Jonas.

Mais de 1800 pessoas passaram pelo projeto que funciona no Subúrbio 360, em Vista Alegre, no Centro Cultural Plataforma e no Casarão da Diversidade, no Pelourinho. Compartilhar é o grande ‘vício’ de Jonas. Para ele, não faz sentido aprender se não for para passar o conhecimento à frente.

Pensando em pessoas negras, esse mantra faz ainda mais sentido: Jonas entende que meninas e meninos pretos na cidade não têm tantas oportunidades e que uma pessoa disposta a ensinar algo de bom costuma ser um divisor de água na vida de muitas dessas pessoas. Mesmo que não se torne um ator, modelo ou artista. É por isso que ele abre mão de critérios mais mercadológicos na hora de fazer as suas seleções.

O papo completo entre Joca Guanaes e Jonas Bueno pode ser visto, na íntegra, logo abaixo.

Fonte: Correio