Black Friday: 54% dos soteropolitanos pretendem comprar no semana de descontos

A hora de comprar está chegando e já tem gente preparando o bolso. Pesquisa apontou que 54% dos soteropolitanos estão esperando as promoções da Black Friday para adquirir aquele bem mais caro que ainda não conseguiu sair da lista de desejos. Segundo o levantamento, o ticket médio investido por quem vai comprar será de R$ 1.200,00 

O levantamento, realizado pela consultoria Pollis Estratégia, em parceria com o Shopping Itaigara e o Curso de Administração da Unijorge, ainda aponta que os primeiros lugares na lista de compras de quem vai aproveitar as promoções são: presentes de Natal, utensílios do lar e celulares. A pesquisa ouviu 200 participantes de poder aquisitivo diverso.

O dia de promoções é marcado sempre para a última sexta-feira de novembro. Diante da expectativa no incremento das vendas várias lojas acabam antecipando os preços especiais por todo o mês. O pico de vendas, no entanto, ainda é esperado para o fim de semana oficial de promoções, a partir do próximo dia 27.

“É a primeira grande data do varejo em que estaremos com os shoppings abertos Ainda existem limitações e os protocolos de segurança precisam ser seguidos. Isso gera um impacto nas vendas, mas a expectativa não deixa de ser positiva”, afirma Edson Piaggio, coordenador estadual da  Associação Brasileira de Shopping Centers, na Bahia (Abrasce – Ba).

Piaggio explica que as vendas ainda não retornaram ao patamar anterior à pandemia e que ainda não é possível esperar por números que superem os de 2019. “Desde que os shoppings reabriram estamos vendendo 60% a menos do que o mesmo período do ano passado e a expectativa é que com a Black Friday a gente fique apenas com 10% a menos no comparativo”, detalha.

“É um período que cada vez mais tem ampliado os setores que acabam beneficiados. Eletrodomésticos e eletrônicos sempre são bastante procurados mas a cada ano outros setores acabam também com aumento nas vendas”, finaliza. 

A auxiliar administrativa Sofia Costa, 32 anos, é uma das soteropolitanas que quer aproveitar os descontos. Diferente da maioria, ela deixou de lado os eletrônicos para focar as economias em finalizar uma reforma em casa. “Reformei recentemente o apartamento mas o dinheiro não deu para alguns detalhes e principalmente para móveis e decoração. Já deixei tudo preparado , tenho as medidas, o modelo e quero ver se consigo comprar uma mesa de jantar, além de pegar alguns materiais para terminar alguns detalhes da obra em si”, conta ela. 

Vários produtos 
Os materiais de construção, apesar de não serem as estrelas da data, carregam grande expectativa para esse ano. Segundo levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-Ba), os materiais de construção devem ser o setor com maior incremento nas vendas para o período, com uma alta de 34,7% nas vendas em relação ao mês anterior, já que o setor está aquecido. 

Para os produtos geralmente associados à data,  os eletrodomésticos & eletrônicos, a Fecomércio prevê uma elevação no faturamento de 16,5%, atingindo os 2,3 bilhões de reais. Apesar dos números volumosos, os dados não mudam o cenário de queda na comparação com o ano anterior.

“No geral será um resultado extremamente positivo quando se analisado o que se previa no início da crise. Em maio, por exemplo, se projetava uma forte retração de 37% para o desempenho de novembro. Porém, a melhora nos últimos meses ainda não é suficiente para mudar o saldo negativo esperado para o ano de -7%”, analisa o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, responsável pela pesquisa feita pelo órgão.

A social media Gabriela Brito, 22 anos, já aproveitou uma promoção antecipada (Foto: Acervo pessoal)

Quem ja contribuiu com os números do setor de eletrônicos foi a social media Gabriela Brito, 22 anos, que aproveitou a antecipação da promoção em uma loja online para investir em um novo computador.

“O computador é meu instrumento de trabalho e o que eu tinha estava cheio de problemas. Já há alguns meses vinha olhando valores e a máquina que eu queria estava por volta de R$ 8 mil. Consegui comprar por menos de R$ 6 mil e com boas condições de pagamento’, conta. 

Cuidados
Outro que quer aproveitar a Black Friday e já está pesquisando há meses é o universitário Gustavo Pinheiro, 18 anos. “Desde abril vejo os preços para ter certeza que a promoção é de verdade e vale a pena. Tenho visto é os valores subindo de uns meses pra cá. Vou esperar para ver se a promoção vai ser só para voltar ao valor inicial ou se vai valer mesmo’, diz o rapaz, que quer trocar de celular. 

O universitário Gustavo Pinheiro, 18 anos, quer garantir que as promoções realmente são para valer (Foto: Acervo pessoal)

Profissionais da área afirmam que a conduta de Gustavo é uma saída para não acabar caindo em falsas promoções.  “Saber a média de preço de determinado produto impede que os consumidores sejam atraídos por empresas que se valem de grandes ofertas para a aplicação de golpes. O período favorece a aplicação de descontos, mas não deve ser motivo de descuido”, destaca George Araújo, advogado e consultor jurídico em Direito do Consumidor.

“É importante realizar uma pesquisa prévia nas lojas físicas, panfletos, comerciais e nas plataformas online das respectivas lojas para ter uma ideia da média de preço do produto desejado. A base que o consumidor precisa ter não é a porcentagem do desconto, mas se o preço final está abaixo da média esperada” , orienta.

Fiscalização
De olho nos possíveis golpes, a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-BA), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), vem fiscalizando desde outubro sites que antecederam o evento promocional da Black Friday. Na última terça-feira (17) foi dado início às fiscalizações nos grandes centros comerciais, como shoppings, e comércios de rua. As fiscalizações acontecem até o dia da realização da Black Friday, na próxima sexta-feira (27).

Durante o primeiro dia de operação iniciada no Salvador Shopping, em 18 locais fiscalizados, foram identificadas infrações em quatro estabelecimentos, como por exemplo a exposição de produtos sem preço em vitrine interna, externa e dentro da loja.

“Esse tipo de infração gera processos administrativos para as empresas e caso não seja corrigido, pode gerar multa. Nós já vínhamos fiscalizando desde outubro os sites, pois muitas lojas anteciparam a Black Friday e nós acompanhamos. Averiguamos algumas regras que o comércio eletrônico exige, como número do CNPJ, e nas lojas físicas vamos avaliar questões básicas como preço e venda casada, por exemplo”, destacou Iratan Vilas Boas, diretor de fiscalização do Procon-BA.

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro 

Fonte: Correio