Deus das Copas: Maradona fez história e virou mito na Argentina

“Meu primeiro sonho é jogar uma Copa do Mundo. Meu segundo, ser campeão”. Diego Armando Maradona era apenas uma criança quando disse essas lendárias palavras. Mal sabia ele que não só realizaria seu desejo de infância, como se tornaria o maior ídolo do futebol argentino. O astro morreu nesta quarta-feira (25), aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória.

A história de Maradona com sua seleção começou em 1977. Naquela época, ele já despontava como sensação do Argentinos Juniors e foi chamado para jogar pela Albiceleste em um amistoso contra a Hungria na Bombonera. Aos 16 anos e 130 dias, entrou no lugar de Leopoldo Luque e, mesmo sem marcar na goleada por 5×1, mostrou qualidade. 

A performance, porém, não foi o suficiente para ser chamado ao Mundial de 1978, vencido pela Argentina em casa. Foi a primeira decepção do jovem jogador.

“Quando eu fui deixado de lado da equipe por ser ‘novo demais’, percebi que minha raiva poderia se tornar um combustível”, disse.

E que combustível. No ano seguinte, o ídolo foi peça fundamental na conquista do título da Copa do Mundo Sub-20, com seis gols marcados. Após a Albiceleste ser eliminada na segunda fase da Espanha-1982, quando caiu no forte grupo com Brasil e Itália, veio a nova chance na edição do México-1986. Naquele ano, Maradona faria ‘milagres’ e entraria de vez para a história.

O Mundial não começaria forte para o ídolo. Na fase de grupos, marcou apenas um gol, no empate em 1×1 com a Azzurra, no segundo jogo. Passou em branco no 3×1 sobre a Coreia do Sul e no 2×0 sobre a Bulgária. Depois, foi a vez de encarar o Uruguai nas oitavas e, novamente, a Argentina ganhou – por 1×0 – sem gol de Maradona.

Mão de Deus
Chegava a hora das quartas de final contra a Inglaterra, em uma partida que tinha importância que ia além do campo. Entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, os dois países travaram a Guerra das Malvinas, um conflito armado pela posse do arquipélago, que deixou mais de 600 soldados argentinos mortos e terminou com vitória inglesa.

Diante de 114.580 torcedores no Estádio Azteca, na Cidade do México, os hermanos queriam dar o troco nos europeus. Conseguiram – e com requintes de crueldade. Aos seis minutos do segundo tempo, Maradona disputou a bola pelo alto com o goleiro Peter Shilton e, mesmo mais baixo, colocou a bola para dentro com a mão. Mesmo com os protestos rivais, o gol foi validado pelo árbitro tunisiano Ali Bin Nasser.

“Marquei um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus”.

Maradona e o lance que ficou conhecido como ‘Mão de Deus’
(Foto: Getty Images/Fifa/Reprodução)

Quatro minutos depois, mais um gol do ídolo que entrou para a história. Maradona arrancou do meio de campo, driblou cinco marcadores e, na saída de Shilton, tocou para o fundo do gol. A Inglaterra até descontou, mas poucos lembram disso.

Nas semifinais, contra a Bélgica, mais dois gols do astro e vitória da Albiceleste por 2×0. Na grande final, a Alemanha Ocidental colocou Matthäus para marcar fortemente Maradona. Ele não fez gol, mas, com sua genialidade, conseguiu dar o passe para Burruchaga fazer o terceiro gol dos argentinos, aos 38 minutos do segundo tempo, decretando a vitória por 3×2.

Maradona beija a taça da Copa do Mundo de 1986
(Foto: Imago Images/Fifa/Reprodução)

Em 1990, na Itália, a Argentina não fez grande exibição na fase de grupos e, com um triunfo, um empate e uma derrota, passou em terceiro. Nas oitavas, enfrentou o Brasil. Maradona deu passe, Caniggia marcou e os hermanos avançariam após o 1×0.

Nas quartas e semi, dois empates, por 0x0 e 1×1, com Iugoslávia e Itália, respectivamente, e vitórias nos pênaltis. A Argentina chegava na sua segunda final em duas Copas seguidas, mais uma vez contra a Alemanha Ocidental. Mas quem sorriu por último foram os europeus, com gol único de Andreas Brehme.

A Copa do Mundo de 1994 foi a última de Maradona. Prestes a completar 34 anos, queria mostrar ao mundo que ainda era um dos melhores jogadores do planeta, em meio a críticas que estava acima do peso e desacreditado. Logo na estreia, fez um gol e ajudou a Argentina na goleada por 4×0 sobre a Grécia.

Veio o segundo duelo, contra a Nigéria, e Maradona deu assistência para Cannigia marcar na vitória de 2×1. Mas, após o jogo, foi escalado para o exame anti-doping. Deixou o campo em uma das mais emblemáticas imagens da Copa do Mundo, de mãos dadas com uma enfermeira. Foi seu último ato no torneio.

Maradona deixou o gramado de mãos dadas com enfermeira
(Foto: Reprodução)

Mais tarde, saiu o resultado: positivo para efedrina. O ídolo acabou suspenso e a Argentina deixou o Mundial dois jogos depois, eliminada pela Romênia nas oitavas, por 3×2.

Até hoje, Maradona é o jogador argentino com maior número de aparições em Copas: entrou em campo 21 vezes. Também é o atleta do seu país com a maior quantidade de assistências na competição, com oito, ao todo.

Edição Jogos Gols Assistências Resultado
Espanha-1982 5 2 Eliminada na segunda fase
México-1986 7 5 5 Campeã
Itália-1990 7 2 Vice-campeã
Estados Unidos-1994 2 1 1 Eliminada nas oitavas de final
Total: 21 8 8

Fonte: Correio