Mais de R$ 588 milhões podem ter sido repassados irregularmente nas eleições

Um levantamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio do Núcleo de Inteligência da Justiça Eleitoral, encontrou indícios de irregularidades em doações e fornecimentos para as campanhas eleitorais municipais deste ano que ultrapassam R$ 588 milhões. Os dados foram apurados até a última segunda-feira (23).

O caso mais recorrente foi de fornecedores de campanha que possuem em seu quadro de sócios pessoas que recebem Bolsa Família e/ou auxílio emergencial. Foram 31.725 situações, que somam R$ 386 milhões de doações.

Em segundo lugar nesse ranking, foram encontrados 7.985 fornecedores com empresas recentemente criadas cujo quadro societário é composto por pessoas filiadas a partidos político. Nesse quesito, foram R$ 68,7 milhões em gastos contratados com essas empresas.

Ainda de acordo com o TSE, foram localizados 65.303 doadores de campanha que provavelmente não têm capacidade financeira para tal repasse. Ao todo, essas possíveis irregularidades envolvem R$ 54 milhões, conforme declarado por candidatos e partidos à Justiça Eleitoral nas respectivas prestações de contas.

Os valores das doações realizadas por pessoas sem emprego formal registrados somam mais de R$ 44 milhões e envolvem 12.437 doadores. Em seguida, aparecem 2.751 doadores com renda incompatível com o valor doado – as doações realizadas por essas pessoas ultrapassam R$ 23 milhões.

Também foram encontrados 5.603 prestadores de serviço que têm parentesco com candidatos e que receberam um total de R$ 7,3 milhões, e 24 doadores no Sistema de Controle de Óbitos (Sisobi) que aparecem como doadores de uma quantia total de R$ 36.194,50.

Esse trabalho de identificação de indícios de irregularidades envolve, além do TSE, outros seis órgãos federais: Receita Federal do Brasil (RFB), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público Eleitoral (MPE), Departamento de Polícia Federal (DPF), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Cidadania (MC).

Segundo o TSE, os resultados já foram encaminhados aos tribunais e cartórios eleitorais como informação de inteligência e direcionamento da fiscalização das contas. Além disso, foram também compartilhados com os parceiros institucionais do TSE no Núcleo de Inteligência para atuação em sua área de competência.

Fonte: Agencia Brasil