Parentes ligam para hospitais e necrotério em busca de acidentados em Taguaí

Dezenas de pessoas estão reunidas na frente do prédio do IML (Instituto Médico Legal) de Avaré, no interior paulista, em busca de notícias dos filhos, irmãos, sobrinhos e amigos, envolvidos no acidente entre um ônibus e um caminhão que deixou 41 mortos e 10 feridos na manhã desta quarta-feira (25) em Taguaí (SP).

Familiares passaram o dia ligando para hospitais da região ou buscando informações no IML sobre mortos. À tarde, por volta das 16h, a açougueira Fernanda de Fátima ainda aguardava notícias da irmã Fabiana de Góis Vieira, que, segundo ela, estava no ônibus.

“Uma amiga dela me ligou perguntando se eu fiquei sabendo do acidente. Aí fiquei desesperada e já fui procurar em todos os hospitais da região. Mas até agora não tenho nenhuma informação. Sei que ela estava no ônibus e a minha única esperança é que ela não esteja nesse caminhão”, disse a açougueira.

Ela se referia ao veículo que havia chegado com corpos das vítimas ao IML de Avaré. Fernanda criticou a qualidade do ônibus onde a irmã estava. “Passa [na cabeça] que a gente não tem valor. Não tem valor nenhum. Tinha que ter mais segurança sim, ela é solteira, tem dois filhos… tem o meu paizinho que está lá esperando notícias.”

Antonia Aparecida de Oliveira, 55, foi a primeira em meio à multidão em frente ao prédio do IML a ser chamada para reconhecer um dos corpos, do sobrinho dela, Claudinei Carlos Barbosa. “Olha, não sei nem explicar para você, sem palavras.”

Ela conta que a reação da família, ao saber do acidente, foi primeiro ligar para os hospitais da região. “Olha, eu nunca visitei ninguém na cadeia, mas eu preferiria ir na cadeia do que aqui! Agora é só fé em Deus.”

O corpo da costureira Ozani Lucio, 58, foi identificado pelo sobrinho, filho do aposentado Isaias Lucio, 54.

“Nós procuramos notícias da minha irmã em todos os hospitais que você possa imaginar, mas nos orientaram a ir ao IML de Avaré, conta Isaías. “Segundo meu filho, o corpo dela estava repleto de pó.

Ela era trabalhadora, construiu a casa dos sonhos dela por dez anos, até ficar do jeitinho que ela queria, terminou de pagar o guarda roupa-ontem.”

Segundo o médico José Carlos de Arruda Campos, chefe do IML, foi preciso organizar uma força-tarefa para receber todas as vítimas na unidade.

Os feridos foram encaminhados a hospitais da região, como em Taguaí, Taquarituba, Itaí e Fartura. Quando tiverem melhora no quadro, devem ser ouvidos, segundo o delegado Rubens César Garcia Jorge, da Delegacia de Investigações Gerais de Avaré.

Um dos pontos a serem esclarecidos é se houve algum motivo para provocar a mudança na trajetória dos veículos. “É uma tragédia muito grande, eles estavam indo trabalhar, são trabalhadores. Primeiramente vamos dar assistência aos familiares.”

As vítimas são de Itaí, cidade de 27 mil habitantes vizinha a Taquarituba. O município já preparou dois ginásios para o velório coletivo e deixou um terceiro espaço reservado para o caso de necessidade

Fonte: Agencia Brasil