Quiosque que desabou no Rio Vermelho já tinha estrutura comprometida

Antes de cair, o quiosque do Beiju do Paço apresentava rachaduras e apodrecimento de parte da estrutura de madeira, conta a dona do estabelecimento e permissionária do espaço, Orlanita Cruz, 64 anos. Apesar dos problemas, ela acredita que a pressão causada por um galho de árvore que ficava encostado na construção foi a grande responsável pelo desabamento, que ocorreu na noite de quinta-feira (26).

“Tinha os problemas na estrutura, mas  quando cortaram o galho e nós ficamos despreocupados. Era um galho grande que ficava pressionando o quiosque, forçava a lateral, e a chuva e o vento do Rio Vermelho pioravam ainda mais o problema. Tenho certeza que isso não teria acontecido se o galho não tivesse ficado lá por tanto tempo”, afirma a permissionária.

De acordo com Orlanita, ela tentava ligar para a prefeitura desde julho para que o galho fosse cortado, mas só conseguiu o serviço depois de quatro meses. A dona da barraca disse ainda que ela cuidava do espaço, mas não fazia a reforma no local porque o quiosque era da prefeitura e ela não teria sido informada da necessidade do permissionário realizar as manutenções estruturais. Na próxima segunda-feira (30), o Beiju do Paço volta a funcionar em uma tenda.

Em nota, a Secretaria de Manutenção (Seman) afirma ter realizado, em 12 de novembro, a poda de um vegetal de pequeno porte no Largo de Santana, Rio Vermelho, atendendo à solicitação da permissionária do quiosque, sendo feita a retirada de alguns galhos que tocavam o telhado. “Em uma imagem da execução do serviço, podemos observar que a estrutura já estava envergada, com desalinhamento dos pilares e que, após a poda, o vegetal não estava em contato com a mesma”, pontua a pasta em nota. 

A Seman informa ainda aguardar a conclusão da perícia da Defesa Civil de Salvador (Codesal) para esclarecimento do ocorrido. A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) informa que cabe ao permissionário a manutenção do equipamento licenciado.

As quatro pessoas que se feriram com a queda da estrutura estão bem, garante Orlanita. “Sei que o cliente está bem e o morador de rua foi atendido no HGE porque teve um corte no rosto. A minha funcionária e minha filha estão bem, só sentem muitas fores. Ninguém teve fraturas”, relata. Todos foram atendidos no Hospital Geral do Estado (HGE).

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

Fonte: Correio