Cai média de idade de pacientes de Covid-19 em hospitais privados de SP

Um perfil mais jovem de pacientes tem procurado os hospitais privados da capital paulista nessa nova onda de aumento de casos de Covid-19, iniciada em novembro.

A principal hipótese é que esse público esteja hoje mais exposto aos vírus, seja no ambiente de trabalho, já que muitas empresas retomaram as atividades presenciais, seja em atividades de lazer, como a ida a bares e festas.

No Hospital Sírio-Libanês, a idade média dos pacientes caiu cinco anos, de 45 (entre março e maio) para 40 anos. No HCor (Hospital do Coração), de 50,4, para 44,4 anos. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de 54 para 44 anos.

“Essas pessoas estão voltando para a rotina, ou próximo do que era a rotina, do que as pessoas mais velhas, do grupo de risco, que mantêm as medidas de isolamento, de pouco contato”, afirma o infectologista Filipe Piastrelli, do Oswaldo Cruz.

Segundo Rodrigo Borsari, gerente e porta-voz médico do Hospital Nipo-Brasileiro, muitos pacientes têm sido encaminhados ao pronto-socorro pelas próprias empresas, sempre que há um caso confirmado entre os funcionários.

“Se a pessoa sabe que o colega do lado foi infectado, procura o hospital para colher o teste, às vezes mesmo sem sintomas ou com sintomas leves”, diz Borsari.

Isso está sendo possível porque hoje há maior disponibilidade de testes diagnósticos nos hospitais. “No início da pandemia, a gente testava os doentes com critério de internação hospitalar, em geral, mais idosos e com mais fatores de risco”, lembra Piastrelli.

Mesmo que as pessoas estejam com sintomas leves ou assintomáticas, a testagem é importante para que elas se isolem e evitem a transmissão do vírus. Muitos médicos, no entanto, argumentam que existe a chance alta de falso negativo e, por isso, não recomendam o exame nesses casos.

Para Christian Morinaga, gerente médico do pronto-atendimento do Sírio-Libanês, essa diferença de perfil também ser reflete em um menor grau de gravidade desses pacientes.

“A população que nos procura hoje apresenta sinais mais leves do que aquela de março, abril e maio. E, por consequência, tem se internado menos.”

Ainda que os hospitais tenham registrado aumento das internações por coronavírus, ele diz que hoje a grande demanda por leitos é de pacientes não Covid. As instituições têm fluxos de atendimento diferentes para esses dois perfis.

“No primeiro semestre, as pessoas precisavam de atendimento médico e não procuravam os hospitais. Muitas tiveram prognóstico pior por isso. Agora a gente consegue manter uma boa assistência para os casos Covid e não Covid”, reforça Morinaga.

Em parte, a menor necessidade de internação de pacientes Covid é explicada pelo fato de que, nos mais jovens, a doença tende a se manifestar de forma mais benigna. Mas, segundo Morinagua, outras hipóteses estão sendo investigadas.

“Há pessoas estudando se houve mutação viral ou não, se o comportamento do vírus mudou ou não”, diz ele.

Segundo Borsari, do Nipo-Brasileiro, a instituição também tem observado grande aumento de diagnósticos positivos de crianças e adolescentes.

Na faixa etária entre zero e nove anos, os atendimentos passaram de 2,6% em março para 15,9% em novembro. Entre 10 e 19 anos, de 1,3% para 5,8%. E entre 50 e 59 anos, de 21% para 30%. Nas demais, não houve variação.

“Vem a família toda testar. Se os adultos jovens estão mais expostos, ou seja, os pais dessas crianças, então automaticamente aumenta o diagnóstico positivo de crianças também.”

Dados preliminares da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) mostram que os doentes que chegaram às UTIs em novembro parecem ter condições menos graves, precisando de menos ventilação mecânica em relação aos doentes internados no início da pandemia.

As informações têm como base 8.400 internações registradas na primeira quinzena de novembro, a maioria em UTIs privadas. A média de idade dos doentes é de 60 anos –não houve mudança em relação à primeira onda.

A necessidade de ventilação mecânica caiu quase pela metade em relação a um grupo de pacientes avaliados na primeira onda, segundo Suzana Lobo, presidente da Amib.

A média do tempo de duração de ventilação passou de 11 para 6 dias.

Uma das hipóteses é que a menor gravidade esteja relacionada ao perfil de paciente das UTIs privadas, que compõem a maior parte do banco de dados da Amib. São 521 unidades no total, sendo 364 privadas.

“Normalmente é um paciente um pouco menos grave, procura o atendimento mais rápido, tem mais acesso e chega em condições clínicas melhores. E, como as UTIs ainda não estão lotadas, o tempo de espera em emergência é menor.”

Fonte: Agencia Brasil