Quem precisa vai à rua. Quem não precisa, também vai…

Quem trabalha em serviços essenciais, atua em área já liberada para voltar a funcionar com protocolos de segurança ou sobrevive de atividade executada na rua, como os varredores, tem a necessidade da sobrevivência, de pagar as contas, que obriga a sair de casa desde o começo da pandemia. Para esse contingente, os oito meses de isolamento  nunca puderam ser cumpridos à risca por motivo de força maior. Se não sair, não come ou paga o aluguel. 

Muita gente que não passa pelos mesmos problemas e têm o privilégio de trabalhar de casa, diante de um terminal de computar, acredita que ‘dar um rolê’ é um direito sagrado. Afinal, que  insuportável é ficar trancado em casa. E,  de fato, pelo bem da saúde mental, é válido dar uma volta. É inquestionável que as pessoas  podem – e devem – espairecer, tomar um sol. Mas, o que ninguém tem, diante de uma pandemia, é o  direito de se aglomerar e espalhar o coronavírus. Tirar a máscara no bar enquanto papeia com os amigos, também não deve.

Ainda não existe no Brasil vacina para a covid-19. E como muitos baianos pararam de cumprir as normas que permitiram a reabertura do comércio e de outros serviços, os casos da doença voltaram a crescer. Mais de 500% foi o aumento de infectados entre 2 de novembro e 2 de dezembro, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), divulgados essa semana. Na comparação entre o primeiro e o último dia do período, o aumento foi de 505% com registros de 533 e 3.228 casos, respectivamente.

Praia de Piatã em outubro deste ano, mês da pesquisa do IBGE (Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

Também essa semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tornou pública a mais nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19. Os números assustam: 780 mil pessoas deixaram o isolamento na Bahia em outubro. Muito difícil acreditar que todas saíram de casa por estrita necessidade. As aglomerações durante a campanha eleitoral, inclusive, eram totalmente desnecessárias.

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, houve uma redução no número de pessoas isoladas de 17,8% nos últimos dois meses. O número de quem cumpria o isolamento caiu de 3.214 milhões para 2.642 milhões de pessoas. A quantidade de baianos que flexibilizou o isolamento cresceu 12,5%, passando de 5.071 milhões em setembro para 5.705 milhões em outubro.

A infectologista da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Adielma Nizarala, disse ao CORREIO que as pessoas entenderam a flexibilização da quarentena de forma equivocada. “Flexibilizar não quer dizer liberar aglomeração”, afirmou. 

A pergunta é: as pessoas interpretaram errado a flexibilização por ingenuidade, por se acharem imunes e desafiarem o destino? Ou é só o velho egoísmo de sempre? Porque quanto mais gente sem necessidade nas ruas, mas quem precisa corre riscos.

Outros destaques da semana:

Antes do MEC revogar portaria, Ufba já havia anunciado que não retornaria às aulas presenciais (Foto: Arquivo CORREIO)

MEC: idas e vindas da portaria sobre universidades

O Ministério da Educação (MEC) publicou portaria na quarta, 02, determinando que as instituições federais de ensino superior voltassem às aulas presenciais a partir de 4 de janeiro do ano que vêm, mediante adoção de protocolos de biossegurança para evitar a propagação da covid-19. Menos de 48 horas depois, recuou da decisão e, na sexta, 04, disse que vai cancelar a portaria do dia 02.

O documento estabelecia a adoção de recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais, que deveriam ser “utilizados de forma complementar, em caráter excepcional”. 

A decisão inicial do MEC aconteceu em meio ao crescimento de casos da doença, na chamada segunda onda, e sem a vacina para proteger estudantes, professores e funcionários contra o vírus. A UFBA foi uma das instituições que afirmou, desde o início, que manterá as aulas online e que não arriscará a vida de seus alunos e alunas; e dos trabalhadores.

O que as celebridades disseram:

Fora e Gil estão juntos há 40 anos (Foto: Reprodução/Twitter)

É imperdoável, me tira do sério… A gente tem que conseguir fazer com que as pessoas entendam o quanto é miserável ser racista. É como ser nazista, Flora Gil

A empresária de 60 anos, em entrevista ao Universa, na sexta-feira, 04, falou sobre o quanto abomina o racismo e sobre o crescimento mundial das lutas contra o preconceito racial. Na mesma conversa, disse ainda que têm se mantido em isolamento contra a covid-19 e que esse ano, o Natal não terá uma grande festa, para evitar aglomeração em casa.

Assaltantes provocaram incêndios e destruição na cidade (Foto: Guilherme Hahn/Ishoot/Estadão Conteúdo)

SC: assalto, reféns e centro de Criciúma sitiado

Uma quadrilha fortemente armada sitiou Criciúma (SC), na terça-feira, 01, para assaltar um banco. O bando provocou incêndios, bloqueou ruas e usou reféns como escudo para enfrentar a polícia. Cena de faroeste em pleno século XXI.

Trânsito de Salvador tem ficado mais intenso com flexibilização do isolamento (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Menos carros nas garagens

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta, 03, revela que 62% dos moradores de Salvador se preocupam com o aumento do trânsito após a pandemia. O estudo foi encomendado pela empresa  99 e revela ainda que 38% de quem vive na cidade está insatisfeira com a mobilidade urbana de modo geral. Desse total, 58% dos entrevistados defendem que o uso de veículos particulares piora a mobilidade e 79% opinaram que os apps de mobilidade colaboram para o trânsito fluir mais rápido na capital.

Incêndios florestais em 2020 foram agravados pelas altas temperaturas (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Esquentou o tempo para 2020

A Organização Metereológica Mundial (OMM) divulgou, na quarta, 02, que 2020 caminha para se tornar o segundo ano mais quente da história, perdendo apenas para o escaldante 2016. Segundo a entidade, cinco conjuntos de dados colocam 2020 – caracterizado por ondas de calor, secas, incêndios florestais e furacões intensos – como o segundo mais quente desde que os registros começaram, em 1850. A OMN acrescentou que mais de 80% dos oceanos globais tiveram uma onda de calor este ano.

Para ver e ouvir:

Praia dos Ossos – O podcast produzido pela Rádio Novelo (@radionovelo) narra o emblemático caso de Ângela Dinis, uma socialite e celebridade mineira que foi assassinada pelo namorado, Doca Street, nos anos 1970, e de como o julgamento dele mobilizou a opinião pública e fortaleceu o feminismo no Brasil.

Rainha de Katwe – O filme da Disney – no streaming Disney+, conta a história de uma jovem de Uganda que luta para se tornar uma das melhores jogadoras de xadrez do mundo. O elenco traz Lupita Nyong´o, de Pantera Negra e Nós, premiada com um Oscar, em 2014, por 12 Anos de Escravidão.

Fonte: Correio