Minissérie sobre o Menudo ignora escândalos da boy band de Porto Rico

Produção da Amazon Prime, a minissérie ‘Súbete a mi Moto’, sobre a história da boy band de Porto Rico, Menudo, fenômeno latino da cultura pop nos anos 1980, vêm sendo descrita pela crítica especializada como ‘uma versão chapa branca’ da história do grupo, manchada por denúncias de assédio sexual e exploração do trabalho infantil contra os adolescentes que integraram as muitas versões da banda. O nome do programa é homônimo a uma das canções do grupo, no Brasil conhecida pela versão em português: ‘Sobe em minha moto’.

A minissérie cobre 20 anos da história do Menudo (miúdo, em espanhol), entre 1977 e 1997. Apesar da riqueza de detalhes na caracterização de época, figurinos e na grandiosidade dos shows do Menudo nos anos 1980, que lotavam estádios como a antiga Fonte Nova, em Salvador, onde a versão mais famosa do grupo, com Roy, Ray, Charlie, Rob e Rick Martin, se apresentou; o programa não aprofunda os dramas envolvendo as histórias de vida dos rapazes e nem dá a dimensão real da comoção que eles causavam.

O personagem melhor retratado é justamente aquele que, após sair do Menudo, se transformou em um artista de sucesso internacional, Rick Martin. Na série, é detalhado, por exemplo, o processo de escolha dele para a banda – só conseguiu entrar no terceiro teste – e a forma como, uma vez no Menudo, ele se tornou um dos integrantes mais queridos pelas fãs.

Um exemplo de temas importantes mas que foram tratados de forma superficial é que a série, de 15 episódios, tem um dos capítulos inspirado no show do Menudo no estádio São Januário, no Rio de Jaeiro, em março de 1985, que resultou em duas mortes de fãs por pisoteamento. O estádio tinha capacidade para 60 mil pessoas, foram vendidos 130 mil ingressos e 80 mil pessoas conseguiram entrar na base do empurra empurra. Ainda assim, a história, segundo a crítica, não é detalhada.

A série, no entanto, parece ter sido feita na medida para agradar aos fãs do grupo e reviver a nostalgia de suas adolescências.

Fonte: Correio