Ministério Público denuncia homem que fez ofensas racistas a motoboy em Valinhos

O Ministério Público (MP) denunciou Matheus Abreu Almeida Prado Couto, homem filmado praticando ofensas racistas ao motoboy de aplicativo Matheus Pires Barbosa no final do primeiro semestre deste ano. O vídeo viralizou à época e, o pai do acusado, havia afirmado que o filho sofria de esquizofrenia paranoide e, por isso, teria cometido os atos. O caso ocorreu no final de julho em um condomínio de Valinhos, em São Paulo, e veio à tona no início de agosto.

O Suspeito responderá por discriminação racial, que tem pena de um a três anos de prisão, e o MP pede que o Matheus pague um “valor mínimo” para reparar danos morais provocados por ele. A denúncia foi oferecida no último 30 de novembro, mas ainda não há posição de acatamento por parte da Justiça paulista. 

“O crime cometido possui enorme gravidade em concreto, tendo havido comoção em Valinhos, no Estado de São Paulo e em todo o Brasil, do que são evidências a moção de repúdio aprovada pela Câmara Municipal de Valinhos, a atuação da Comissão Especial – Discriminação Racial, da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, o repúdio externado pelo Presidente da República, além de manifestações da comunidade inconformada com a conduta do denunciado, que violou a dignidade da pessoa humana”, diz texto da denúncia.

O MP pediu celeridade no processo e avaliação, por perícia médica, das condições mentais do acusado. A quantia a ser paga por danos morais deverá ser determinada pela Justiça, mas a promotora responsável pela denúncia menciona no texto estimativa de R$ 500 mil. 

“O denunciado, insatisfeito com o serviço, com a intenção não só de desqualificar e humilhar o entregador, mas de afirmar sua superioridade e subjugar todos os integrantes da população negra, utilizando elementos de raça e cor, chamou-o de ‘preto’, ‘negro’, ‘encardido’, ‘fedido’, ‘favelado’, ‘pobre’, ‘nojento’, ‘marginal’, ‘vagabundo’, ‘semianalfabeto’ e ‘lixo’ , disse que ele nunca seria alguém na vida, que ele não deveria lhe dirigir a palavra e que ele tinha inveja da cor da pele dele, denunciado, apontando a mão para o próprio braço, em referência à cor de sua pele [branca]. O autor dos fatos, ainda, com a mesma intenção discriminatória de raça e cor, em menosprezo à população negra, cuspiu no entregador e, com deboche, imitou um macaco/gorila, batendo em seu próprio peito e fazendo sinais e sons, comportando-se como o animal”, ressalta a promotora.

Fonte: Agencia Brasil