Clube da permuta: empresários se unem para trocar produtos e serviços na pandemia

Em 2012, o empresário Leonardo Bortoletto, começou a receber pagamentos para os serviços prestados em permutas bi-laterais que fazia entre a sua empresa de tecnologia e seus clientes. Sócio em uma empresa de tecnologia, ele percebeu que muitos clientes pagavam seu serviço em “créditos” e começou a vender esses créditos para amigos, criando assim uma rede negócios. Desse movimento, surgiu a ideia de uma plataforma que permite que empresários troquem seus produtos e serviços uns com os outros, tornando o negócio oficial. Nascia ai o Clube de Permuta, em Belo Horizonte (MG).

Três anos depois, o Clube de Permuta entrou para o mercado de franchising. Hoje, a rede movimenta mais de R$200 milhões em negociações. O mercado de permutas tem percebido aumento em suas transações empresariais em todo o mundo. Segundo o International Reciprocal Trade Association (IRTA), órgão que regulamenta as companhias do segmento de permutas, aumentou em 30% o volume de transações realizadas por meio de permutas em todo o mundo. 

Para Leonardo Bortoletto, durante períodos de crise é que consegue enxergar nitidamente a importância do segmento na economia, afinal, as empresas inseridas nesse mercado conseguem manter seus negócios sem necessariamente ter que perder receita ou conseguem ter uma renda a mais, utilizando por exemplo um espaço que por conta da crise ficou ociosos. “A rede de franquias do Clube de Permuta conta com 23 unidades espalhadas pelo Brasil, são mais de 1500 empresas associadas. As transações acontecem dentro da plataforma da empresa, por meio de um sistema que facilita as transações comerciais entre as empresas associadas”, esclarece. 

Trocas variadas

Bortoletto explica que as transações são multilaterais, o que significa que a empresa “A” não precisa vender e comprar somente da empresa “B”. O modelo de compra e venda do Clube garante aos membros uma grande possibilidade de negócios. “O associado recebe um limite de operações para comprar e vender, podendo comprar mesmo antes de vender. É importante ressaltar que cada franqueado é responsável pela cidade franqueada e as trocas acontecem apenas naquela cidade, fomentando assim apenas a economia local”, diz o empresário.

Em Salvador, os adeptos desse tipo de negócio começam a surgir. O franqueado Hugo Ramos Teixeira, por exemplo, defende que um negócio como o Clube de Permuta é promissor na capital baiana, especialmente pelo caráter disruptivo e inovador. “Tem tudo para revolucionar a forma atual de se fazer negócio na cidade. O nosso principal objetivo é trazer cada vez mais operações que agreguem diversidade ao mix de produtos e serviços do Clube de Permuta Salvador, gerando ainda mais credibilidade e interesse dos nossos associados em utilizarem e indicarem a plataforma”, defende.

Associada ao Clube há 3 anos, Thayná Carneiro tem um ateliê de arte em Belo Horizonte e também atende pelo e-commerce. Em seu ateliê ela oferece cursos voltados ao comportamento humano, atendendo todas as idades, desde crianças a partir dos 5 anos até idosos e pessoas com deficiência.

A empresária destaca que esses cursos ajudam essas pessoas a se empoderarem e potencializarem seus negócios e profissões “Estamos aqui para a fazer as pessoas se descobrirem, muitas vezes um médico se descobre pintor, e isso o ajuda em sua profissão de diversas maneiras”, comenta. Para ela, a parceria a favorece em diversos aspectos, não só com novos contatos, por ser um ambiente que permite uma série de relações, mas também a empresária enxerga estar associada ao Clube como um aprendizado. “Tendo uma visão de negócios e enxergo de forma muito positiva fazer parte do Clube de Permuta”, ressalta. Ela ainda destaca que o Clube ajuda muito também em sua vida pessoal, pois, ela consegue utilizar os serviços oferecidos.

Por indicação

Para ser um associado do Clube de Permuta é necessário que a empresa seja indicada. Em outras palavras, alguém que já faz parte do Clube faz uma indicação. Após uma análise, a empresa recebe um limite de operações em ‘permutz’, uma sigla de referência do sistema que diz que 1 Permutz é igual a 1 real e é utilizado para as negociações dentro da plataforma.  Segundo Bortoletto, todos que integram o Clube passam por uma rigorosa avaliação antes de entrarem. “Acreditamos que isso garanta a qualidade dos produtos e serviços oferecidos na rede”, reforça, salientando que em 2019, o mercado movimentou cerca de $14 bilhões e o Clube de Permuta movimentou R$50 milhões só no último ano.

Ao se tornar um associado do Clube de Permuta, as empresas conseguem contar com ajuda nos negócios, desde a preservação do fluxo de caixa até a manutenção de funcionários, sobretudo, em um momento de crise. “Fizemos um levantamento com nossos associados e constatamos que a economia decorrente das trocas pode chegar a 50%”, explica o criador do Clube. Para ele, as trocas multilaterais são interessantes para os negócios não só em momento de crise, mas, também no período pós quarentena. “Quando uma empresa troca aquilo que ela tem, seu produto ou serviço, por algo que precisa, ela não altera o caixa e o preserva”, pontua. 

Leonardo Bortoletto  acredita que o fim do isolamento social trouxe algumas mudanças importantes em todo o mundo e que as necessidades por alguns serviços serão maiores, como os de tecnologia, consultorias, implementação de novas tecnologias, de gestão e de RH, por exemplo. “Com a permuta, a empresa consegue fazer tudo isso preservando o caixa da empresa, o que pode ser crucial para sua manutenção depois de um período tão difícil”, explica. Para o empresário, o maior desafio é modificar uma cultura arraigada e levar este formato de negócio para o empresário que está acostumado, desde sempre com apenas uma forma de comprar e vender os seus produtos.
 

Fonte: Correio