Segundou: Nizan Guanaes traz mensagens de inspiração e gás para seguir em frente

Precisamos deixar de ser modernosos e ser modernos. A diferença sensível foi explicada por Nizan Guanaes, convidado da Live Segundou e entrevistado por Joca Guanaes ontem, em conversa transmitida pelo Instagram do CORREIO.

O publicitário baiano de 62 abriu seu coração e mente para falar de tudo um pouco: mudanças necessárias ao capitalismo, escolhas e estratégia para sua carreira publicitária e a caretice da atual juventude.

Por outro, também deixou o coração falar sobre seu amor à Bahia, o sonho de ver a vacina contra a covid-19 ser distribuída o quanto antes e ainda convidou para a live de Caetano Veloso, viabilizada por sua empresa de consultoria, a N-Ideias, que será transmitida no YouTube de Caetano no próximo dia 19. 

Logo abaixo, selecionamos alguns trechos da entrevista. Separe um pouquinho do seu precioso tempo e leia. Podemos garantir que será um gás e tanto para seguir em frente em tempos tão sombrios. Ou veja em instagram.com/correio24horas/

Trabalho
Eu não trabalho com velocidade, trabalho com dedicação para meus clientes, estou disponível para eles. Por outro lado, eu tenho um outro cliente chamado Nizan Guanaes, eu quero ter tempo para mim. No nosso universo de marketing e comuinicação, as pessoas não têm tempo para viver e um homem de marketing tem que viver. É da vida que a ideia se alimenta. As pessoas estão exaustas e como é possível que uma cabeça que precisa ter ideias e inspiração não esteja alimentada da vida? Como um homem que dá consultoria, preciso me atualizar constantemente. Esse foi um dos grandes ganhos que tive com tudo isso que aconteceu. Nesse festival de horrores não há só horrores”

Pós-Horror

Tem tanta confusão e estamos o tempo todo vendo problemas e tal. Mas a gente também não percebe os avanços que a civilização teve. Coisas boas trazem coisas ruins e coisas ruins, como a pandemia, trazem algumas coisas boas. Eu acho que se colocar a cabeça apenas nos problemas você vai ficar sem esperanças, sobretudo nesse momento horroroso, o pior do século XXI e talvez do século XX. Estou tentando tirar a cabeça disso e trazer oportunidades, reflexões. Uma crise é uma oportunidade muito grande para ser perdida. A peste negra matou 1/3 da Europa mas foi a cama para o Renascimento. Eu tenho certeza que mutias coisas incríveis estão acontecendo dentro desse festival de horrores.

A Bahia é a cura

Eu adoro o óbvio, no Brasil as pessoas não gostam. Eu acho que o óbvio é sensacional. Eu sou parceiro do óbvio. A gente precisa desesperadamente desse Natal [com Caetano]. Eu quero dar às pessoas um momento de alegria, esperança e orgulho. Todas as vezes que estou cansado eu ouço Caetano, Gil, a música popular, eu vou para a Bahia. Os planos de saúde deveriam cobrir viagem pra Bahia porque cura. Eu me sinto bem quando ouço Caetano, tenho esperança no Brasil. Ele é uma coisa enorme, fora do comum. Eu quero dedicar essa live aos médicos, às empresas, que deram tudo de si”

A Bahia cuida mais que a marca dela do que o Brasil tem cuidado. Isso porque a Bahia teve os melhores publicitários do Brasil como Caetano, Gil, Brown, Bethânia.

Temos um rolo compressor debaianos só falando bem de si. Nós, baianos, não trabalhamos com modéstia. Tentamos, mas não encontramos argumentos. Uma vez eu tava elogiando Salvador e um cara chato me perguntou se a Bahia é tão boa porque eu não moro lá e eu falei que lá eu não me destaco porque são todos baianos. Reconheço que são Paulo me acolheu, deu mercado, família e a capacidade de realizar meu talento. A música que eu mais gosto é Sampa, porque é a Bahia cantando o lugar que moro e vice-versa.

Novo normal?

O novo normal será diferente, só que igual. A natureza humana não vai se perder. Comprar no online é igual mas é diferente. Acho muito incrível que as pessoas falam que tem que ter uma conversa presencial e eu me sinto super presencial aqui. Até mais presencial, porque posso estar presente toda hora. Temos que ter a perspectiva que a grande transformação é no trabalho. Todas as vezes que o trabalho muda, o homem muda. O homem era um caçador, aí vem a agricultura e em vez de rodar ele começa ter que defender a terra dele. E a vida muda. Vem o artesão e a propriedade. O homem muda. Vem a pequena burguesia e a sociedade industrial, com produção em massa. Essas mudanças sutis que acontecem na sociedade como o home office lhe darão transformações profundas. Só o online já basta para uma mudança radical na maneira de trabalhar e consumir, que farão uma evolução enorme no homem.

Não existe covid assintomática. Pode não ter sintoma físico, mas tem os mentais. Na pandemia isso aconteceu várias vezes. Decidi liderar. Eu sou um homem de comunicação. Se Deus te dá um dom, você precisa usar. Neste momento é importante passar liderança para as pessoas. (…). A melhora maneira de pensar em si é pensar em todos. Não vamos conseguir sair das encrencas que o mundo está metido pensando só em nós”

Juventude careta

Eu acho os jovens hoje caretíssimos. A gente teve que desbundar, ficar louco de droga (eu nunca tomei assim), lutamos por legalização disso, daquilo, amor livre, queda do muro de Berlim e hoje os caras falam o tempo todo de unic´[ornio e de repente ser jovem virou jogar pebolim e andar de patinete. Cadê a utopia? Temos que ter utopia. Num mundo cheio de desigualdade os jovens têm que chamar responsabilidade. Onde estão vocês agora no mundo das mudanças climáticas? Tem que ir para a discussão profunda. Não é possível que 50 famílias no mundo tenham mais dinheiro que o restante da humanidade. Eu acho legítimo o sujeito querer ser empreendedor, o cara querer ser vitorioso. A droga de hoje é a alienação. As pessoas acham que like é voto e não é assim. Não é ficar o tempo todo no digital olhando a vida dos outros e dando likes. Jesus tinha 12 seguidores e fez muitas coisas importantes só com isso. A gente não tem que ficar pautando a vida por Love ou Like. É preciso ter perspectiva do que você quer e sonha. Ao invés da gente corrigir o mundo, a gente fica corrigindo palavras. Minha geração era muito cáustica, um mundo do Pasquim e hoje avançou. Mas essa coisa de vigiar a vida alheia para pegar [erros] no cisco das coisas… isso não é a vida. Precisamos transformar o mundo de maneira positiva e não com uma Inquisição Digital.

Salvador no mundo

O trabalho que ACM Neto fez em Salvador foi transformador. (…) As grandes cidades têm poder de Estados no mundo. Londres, Cingapura, Paris. É onde o drama vive e onde a solução está mais perto. Mudar a cidade é  criar um templo de ideias e transofrmação. Salvador está pronta para ser um player global. Hoje todas as cidades concorrem com o mundo porque o digital nos colocam. Temos acesso ao mundo e o mundo tem acesso a nós. 

Fonte: Correio