Termo para instalação de acervo digital de Glauber Rocha é assinado

Foi assinado nessa terça-feira (8) o termo que dará acesso público às obras do cineasta baiano Glauber Rocha. O Tempo Glauber Digital será instalado no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), uma iniciativa da Secretaria Estadual de Cultura (Secult). A assinatura contou com a presença da secretária estadual de Cultura, Arany Santana; de Paloma Rocha, filha do cineasta; da diretora da Funceb, Renata Dias; e do diretor do Ipac, João Carlos Oliveira.

São mais de 50 mil itens entre projetos, desenhos, fotografias, cartas e filmes, que vão compor a plataforma. Ficarão expostos ainda os cartazes originais dos filmes, a câmera do cineasta, uma espada e um facão usados nas películas. O espaço terá a curadoria de Paloma Rocha.

Ela destacou que a proposta é justamente trazer o acervo para a Bahia, que é o lugar de origem do cineasta, possibilitando que as pessoas tenham acesso a essa produção. “Esse projeto faz parte da política pública do governo da Bahia, que está investindo na restauração e na preservação da memória. E o Glauber, para além da memória, ele é uma memória viva. É uma memória atual. Os filmes dele dialogam com as ruas do Brasil hoje”, disse Paloma. 

A cineasta e atriz lembrou ainda a importância da obra de Glauber permanecer viva e, nos dias atuais, ainda realizar esse grande diálogo. “É uma das coisas que nos resta nesse momento de desaparecimento total das atividades e das referências culturais. Faço questão de levar esse projeto adiante até o acesso público dele”.  

Nascido em 1939, na antiga Rua da Várzea, em Vitória da Conquista, Glauber Pedro de Andrade Rocha se mudou para Salvador com a família em 1948. Fez teatro e poesia, além de participar de um programa de rádio sobre cinema. Estudou direito e jornalismo.

Foi um dos maiores cineastas brasileiros na história. Conquistou o mundo através de sua sensibilidade criativa. Revolucionário e vanguardista, Glauber fundou o Cinema Novo, movimento que imprimiu uma nova estética à produção cinematografia brasileira. Em sua obra, teve como sina poética retratar o seu povo. 

“Com a assinatura vivemos esse primeiro momento, aqui na Dimas [Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia], que marca a entrega de três objetos simbólicos: punhal, espada e a câmera usada nos primeiros filmes de Glauber Rocha. O segundo momento será a implantação de uma sala no MAM com equipamentos apropriados, que abrigará cartazes, exposições e instrumentos importantes e específicos para acesso do público. Tanto estudantes da rede pública quanto pesquisadores, não somente daqui da Bahia, mas do Brasil e do mundo, poderão acessar esse que será o Tempo Glauber Digital”, destacou a secretária Arany Santana.  

A secretária estadual de Cultura, Arany Santana; a atriz e cineasta Paloma Rocha, filha de Glauber; a diretora da Funceb, Renata Dias; e o diretor do Ipac, João Carlos Oliveira (Foto: Divulgação Lucas Rosário)

Fonte: Correio