Cigano faz luta 'velha escola' x 'nova escola' contra Gane no UFC

O lutador brasileiro Júnior Cigano está longe do auge. O catarinense (que já foi radicado na Bahia) que já foi dono do cinturão dos pesos pesados em 2011 e 2012 vem de três derrotas consecutivas. Sequência que ele garante não abalar em nada seu psicológico para a luta desse sábado (12) contra o francês Ciryl Gane, pelo UFC 256, em Las Vegas, nos Estados Unidos – o combate principal será entre o brasileiro Deiveson Figueiredo, dono do cinturão dos moscas, e o desafiante mexicano Brandon Moreno.

Ciryl Gane tem apenas seis lutas na corporação e está invicto, o que faz o embate com Cigano ser considerado pelo próprio UFC como um duelo entre a nova escola e a velha escola. Na entrevista a seguir, Cigano comenta o que pensa sobre isso e também fala sobre outros assuntos, como pandemia e a aposentadoria de Anderson Silva. Confira:

Cigano, o próprio UFC está divulgando seu confronto com Ciryl Gane como um embate “new school” x “old school” (nova escola versus velha escola, em português). Explica um pouco melhor o motivo dessa definição e até se você concorda com ela, já que a diferença de idade entre vocês não é tão grande, de 6 anos.
Eu acho que eles estão definindo dessa forma porque eu já estou há muito tempo no esporte e no próprio UFC, enquanto Gane acabou de entrar no evento. É um cara novo, só tem seis lutas no total no MMA. Acho que é mais nesse sentido.

Você vem de três derrotas seguidas. Isso mudou sua preparação e sua visão para essa luta? Como está sua cabeça nesse momento?
A cabeça está boa. Não é uma situação que eu gostaria de estar enfrentando, sem dúvida. É um momento difícil, mas eu tenho enfrentado de forma muito boa. Posso dizer que estou 100% pronto para buscar a vitória.

Falando um pouco mais sobre a preparação, quais os pontos fortes e fracos que você vê em Gane para esse combate? Qual foi o foco durante os treinamentos?
Eu sempre me preparo para tudo. Mas uma coisa que aprendi durante a minha carreira é que a gente não pode evidenciar demais as qualidades dos oponentes. Óbvio que temos que estar preparados para os pontos fortes e fracos deles, mas importante é impor minha forma de lutar e minha estratégia. Quero impor meu jogo.

O fato do oponente estar há 1 ano sem lutar muda alguma coisa? Enxerga vantagens ou desvantagens?
Eu acredito que não. Por mais que a gente fique sem lutar – é importante ter uma constância boa de lutas -, mas a gente está sempre treinando e se testando de outras formas na academia. Acredito que ele tenha feito isso também.

Nesse contexto de pandemia, como você avalia os protocolos de segurança, tanto na preparação quanto no momento da luta? E outra pergunta: você entrou no octógono já durante a pandemia. Houve alguma mudança em seu estilo de vida ou de treinamento nesse período em que o confinamento estava mais restrito?
Eu estou bastante feliz. A gente faz o teste para poder viajar. Chega aqui, testa de novo, fica de quarentena. A atenção e os cuidados que o UFC tem proporcionado são muito importantes e relevantes. Nos dá um sentimento bom de segurança e tranquilidade.

Sobre meu treinamento, passamos a tomar mais cuidado uns com os outros. Um dos meus treinadores, o (Luiz) Dória, é um cara super preocupado. Está sempre de máscara, inclusive durante os treinos, puxando manopla. Ele se preocupa muito com isso. Acabando o treino ele tem essa preocupação de higienizar tudo. Então sempre lembramos um ao outro sobre isso.

Anderson Silva, um outro grande nome do Brasil no UFC, anunciou em novembro a aposentadoria. Qual o legado que você acredita que ele deixa para o universo do MMA e como ele te inspirou na carreira?
Anderson é um fenômeno. Foi capaz de proporcionar momentos incríveis, levou o esporte a outro patamar. É um privilégio para mim ter vivido esse momento, ter treinado com ele. Vou levar para a minha vida. Todos nós que somos desse esporte temos de ser gratos a ele.

Fonte: Correio