‘Me salvou nessa quarentena’, diz Silva sobre novo álbum

A quarentena abalou a cabeça de muita gente, mas logo o cantor Silva, 32 anos, encontrou uma alternativa para manter a sanidade mental: se trancou no estúdio durante meses. De lá saiu com um disco novo, Cinco, décimo álbum de sua carreira e quinto de inéditas lançado nesta quinta-feira (10) à noite, em todas as plataformas digitais. Ao lado dele, outras novidades musicais marcam a semana (confira abaixo).

Solar, o trabalho de Silva cria um clima de leveza na mente de quem escuta as canções que misturam MPB, soul music, ska, jazz e samba. “A música é o meu chão”, justifica Silva. “Poder fazer esse álbum me ajudou a ocupar minha cabeça e me salvou nessa quarentena. Sei que fui muito privilegiado por ter isso pra me ocupar e, além de tudo, estar com saúde e poder proporcionar trabalho para minha equipe”, reconhece.

Com participação de Anitta, Criolo e João Donato, o disco foi totalmente produzido e mixado de forma 100% analógica por Silva, no estúdio de sua casa em Vitória, no Espírito Santo. Na verdade, o processo acabou virando uma necessidade para o cantor que sempre produziu seus próprios discos. Essa seria a primeira vez que chamaria um produtor de fora, mas veio a pandemia e mudou tudo.

“O produtor que eu queria estava com outros trabalhos e não ia conseguir fazer a tempo. Por isso, acabei produzindo e mixando o Cinco, mas acredito também que se não tivesse sido eu, ele não teria ficado como ficou e estou muito feliz com o resultado”, comemora Silva. Para o cantor, o trabalho representa um novo ciclo em sua identidade, “como pessoa e artista”.

Cinco
Ao todo, 14 músicas compõem o álbum cujo nome foi fácil de escolher, afinal não faltavam motivos e coincidências. Além de ser o quinto disco de inéditas de Silva, Cinco é também o número de letras que formam o seu nome e do seu irmão, Lucas, que o ajudou na produção. Mas não é só isso.

“Cinco é mãe Oxum, a me lavar com suas águas, é o número de vezes que já me apaixonei nessa vida, e é a quantidade de vezes que fui a Salvador no último ano”, diverte-se o artista. “Eu amo Salvador, amo a Bahia. Nos últimos anos tenho ido sempre à cidade, claro que esse ano não consegui tanto quanto queria, mas já tenho planos para breve. Eu ainda vou morar em Salvador”, revela, rindo.

Foi aqui, no último Réveillon, que Silva encontrou o rapper Criolo na mesma festa em que passou a Virada e fez a proposta para criarem algo juntos. “Do jeito dele, ele me falou ‘não vamos ficar combinando, quando você tiver algo me manda.’ E quando surgiu Soprou, não pensei em outra pessoa. Ele adorou a música e ainda compôs a segunda parte. Eu amei”, comemora.

Feliz com o resultado do álbum, Silva conta que se sentiu desafiado a todo momento. Até na hora de decidir sobre as participações. No princípio não ia ter “feat” algum, mas o cantor se convenceu que os convidados “abrem as caixinhas de possibilidades para flertar com outros públicos e estilos”. Então, apesar de receoso por conta da parceria recente com Anitta, também mandou uma nova música para ela.

“Quando mandei, ela adorou e me devolveu a voz em cinco dias. Adoro Anitta por isso, ela é dedicada e muito profissional”, elogia. Já João Donato foi um desejo antigo e tê-lo no disco “é um presente”. “Ele é um dos maiores artistas do mundo. Eu o chamei, porque sou muito fã”, entrega. A música, que era um samba “mais aceleradinho”, acabou virando “uma bossa linda” nas mãos do convidado.

Depois de meses no estúdio, fazendo com calma e dedicação cada processo de construção do disco, Silva percebeu que conseguiu chegar em “todas intenções que queria para esse momento”. “Eu e meu irmão, Lucas, pudemos como nunca focar em todo longo processo de composição, faixa a faixa, sem correria, como amamos fazer”, reforça. 

Diante do resultado que o deixou “muito orgulhoso”, Silva deseja que o trabalho possa inspirar outras pessoas. “A música é onde eu encontro sentido para as coisas e para esse mundo. É a minha razão de viver. Então eu espero que meu disco de alguma forma faça parte da vida das pessoas. Que inspire e emocione, para que a gente possa ver que a vida, mesmo quando dura, vale ser vivida com leveza e beleza”, convida.

Outros lançamentos da semana

Daniela Mercury
No aniversário de 50 anos da canção Apesar de Você, de Chico Buarque, Daniela Mercury regrava este clássico da música popular brasileira. Lançada nesta quinta-feira (10), Dia Internacional dos Direitos Humanos, a música vem acompanhada de um vídeo-manifesto contra a violação de direitos humanos. Entre os artistas convidados, estão Silva, Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Teresa Cristina e Margareth Menezes.

Toquinho
O cantor, compositor e violonista lança o clipe da música que dá nome ao seu recém-lançado álbum de inéditas, A Arte de Viver. Dirigido por Pedro Hansen, o vídeo traz cenas de animação intercaladas a imagens captadas no estúdio, feitas durante a gravação do disco. A composição é assinada por Toquinho, Paulo Cesar Pinheiro e Camilla Faustino.

Marcelo Quintanilha
Com participação da cantora Mônica Salmaso, compositor lança a música Três Sinais. Segunda do álbum EruDito, no qual Quintanilha propõe letras para temas clássicos, a música presta uma homenagem aos artistas a partir do Improviso Op. 90 n˚3, de Schubert. Com direção artística de Luca Raele e Camilo Carrara, o álbum completo tem previsão de lançamento para 2021, pelo selo Yb Music.

Fonte: Correio