Incentivo à pesquisa ajuda no desenvolvimento de conhecimento e habilidades dos estudantes

A Iniciação Científica é um processo de educação que proporciona ao estudante a construção do seu conhecimento a partir da pesquisa, experimentação prática e desenvolvimento de projetos científicos. É uma grande oportunidade para que alunos aperfeiçoem suas capacidades teóricas e técnicas, além de desenvolver o conhecimento prático e o amadurecimento nas escolhas e interesse de carreiras para seguir. Entre as grandes vantagens, estão o desenvolvimento de habilidades de empreendedorismo, inovação, resiliência e senso crítico.

O incentivo à pesquisa é geralmente feito durante a graduação. Porém, a Escola SESI Bahia tem antecipado a iniciação científica para os seus alunos do ensino médio e do 9º ano do ensino fundamental. “O objetivo é desenvolver nos estudantes a sua capacidade pesquisadora e dar mais significado ao currículo escolar. Além disso, o estudante se engaja mais para aprender quando o tema ou assunto é apresentado por meio de uma problematização, que é um gancho para pesquisar e querer compreender”, destaca a gerente executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia, Cléssia Lobo.  

Para Fernando Moutinho, coordenador do Programa de Iniciação Científica na instituição, os benefícios vão além do mundo acadêmico. “A Iniciação Científica, sobretudo no ensino médio, promove o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que preparam os estudantes não só para o ambiente acadêmico, mas também para os desafios da vida e do mundo do trabalho contemporâneo. Na Escola SESI Bahia, os estudantes elaboram projetos autorais, promovendo soluções para desafios e problemas do cotidiano. São soluções inovadoras e inteligentes, que podem impactar de forma positiva na perspectiva social, ambiental e econômica”, ressalta.

Atualmente, o programa de Iniciação Científica da Rede SESI Bahia de Educação conta com quase 500 estudantes inscritos em escolas da capital e do interior. No total, são 39 grupos de pesquisa ativos, que contemplam quatro áreas do conhecimento: ciências da natureza, ciências humanas, engenharia e matemática, e linguagens. Para participar, os alunos precisam passar pelo processo seletivo detalhado em edital divulgado previamente.

Em 2020, o processo de pesquisa foi adaptado por conta do distanciamento social necessário diante da pandemia do novo coronavírus. A Escola SESI Bahia utilizou plataformas digitais para interação com os estudantes de forma virtual online. Assim, as aulas de Iniciação Científica vêm sendo realizadas por meio de videoconferências e chats, com construção remota de projetos e trabalhos em equipe.

“A Iniciação Científica não parou. Sempre tivemos ferramentas digitais para utilizar, mas durante a pandemia estamos fazendo de forma remota. O maior desafio foi se adaptar à nova realidade, mas já tínhamos um aparato tecnológico, o que facilitou”, diz o orientador do Grupo de Pesquisa em Linguagens e Tecnologia (Lintec), da Escola SESI Anísio Teixeira, de Vitória da Conquista, Vilmar Rocha, que destaca também a aproximação do programa com a universidades, parceria importante para intercâmbio de conhecimento.

Bolsas de iniciação científica
Para estimular ainda mais a pesquisa, a Escola SESI Bahia fez um processo seletivo para 50 bolsas de iniciação científica, voltadas para os alunos que já participam do programa da rede de ensino. O valor do incentivo é R$ 100 mensais, durante 12 meses. “A ideia é fomentar ainda mais o engajamento dos estudantes do ensino médio das sete unidades que possuem Iniciação Científica”, pontua o superintendente do SESI Bahia, Armando Costa Neto. Além disso, os estudantes que participam de projetos de iniciação científica com bolsas de pesquisa têm mais chance de conquistar vaga em programas de intercâmbio patrocinados por universidades e institutos de fomento internacionais, que adotam esse critério como diferencial.

Fernanda Barbosa, de 15 anos, é uma das contempladas com a bolsa de iniciação científica da Escola SESI Bahia. A aluna do 1º ano da Escola SESI Ignez Pitta de Almeida, em Barreiras, tem direcionado seu projeto para as áreas da farmácia e cosmética. “Eu fiz essa escolha pois acho muito importante desenvolver produtos que possam ajudar a cuidar da saúde e da pele. Fico feliz e realizada com a bolsa, pois me dedicar à pesquisa pode ser um diferencial e uma evolução para a minha carreira profissional, seja ela acadêmica ou não”, declara.

Mostra STEAM
A Escola SESI Bahia possui um espaço para apresentação dos projetos de iniciação científica. Trata-se da Mostra STEAM – Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics –, que reúne a produção cultural e científica dos alunos da instituição, do ensino fundamental ao ensino médio. Este ano, pela primeira vez, o evento foi online, reunindo mais de 600 projetos das áreas de ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática das nove escolas da Rede.

Os projetos apresentados são desenvolvidos pelos estudantes a partir do tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. As pesquisas de cada escola estão disponibilizadas no site da mostra: www.sesimostrasteam.com.br. A programação incluiu painéis sobre pesquisa, tecnologia e cultura, que foram mediados por professores com participação de convidados da área e de universidades.

Projetos de destaque
Projetos de estudantes da Escola SESI Bahia, apresentados na Mostra STEAM, têm se destacado em competições científicas. Um deles é o da estudante Nicole de Almeida, 17, que conquistou, ao lado da colega Yasmin Fonseca, três prêmios da Feira Brasileira Jovens Cientistas 2020 (FBJC), entre eles o da categoria Excelência em Pesquisa. As alunas da Escola SESI Djalma Pessoa, em Salvador, desenvolveram uma tecnologia alternativa de agrotóxico no âmbito da agricultura, com a proposta de envelopar sementes de coentro em um plástico natural, obtido a partir da mandioca.

Em janeiro deste ano, o mesmo projeto de pesquisa havia representado o Brasil em uma premiação internacional, o Prêmio Zayed, nos Emirados Árabes. Com as premiações na FBJC, as alunas da Rede SESI Bahia conquistaram credencial para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) 2021, um dos principais eventos científicos pré-universitários do País, promovido pela Universidade de São Paulo (USP). “Tem sido um momento muito feliz da minha vida. É muito bom ver que o seu esforço está sendo reconhecido. Deu até para esquecer da pandemia”, brinca Nicole.

Outras duas pesquisas de estudantes da Escola SESI Anísio Teixeira, que fazem parte do Lintec, foram aceitas para publicação nos anais do I Seminário de Linguagens do IFbaiano (Selif), ocorrido em setembro deste ano. Um deles foi desenvolvido pela aluna do 3º ano, Maria Eduarda Cardoso, 17. O projeto trata da aplicação da plataforma Eduquito, que busca apoiar no processo de inclusão sociodigital, e sua aplicação com pessoas com deficiências. “A aprovação foi algo surpreendente. Uma sensação incrível por ter uma pesquisa agora como artigo e ser uma pesquisa de ensino médio, que foi escolhida dentre trabalhos de graduandos, mestrandos, professores e doutores”, comemora.


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Fonte: Correio