São Paulo: Covid-19 avança no interior e pacientes fazem filas por vagas em UTI

A pandemia da Covid-19 avança novamente no interior paulista, que já tem registros de fila para atendimento em hospital e vê a Justiça obrigando a abertura de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Em Sorocaba, dois hospitais – Santa Casa e Unimed – estavam com 100% de ocupação em leitos de UTI adulto nesta sexta-feira (11) e a prefeitura vê na assinatura de um convênio a possibilidade de ampliar a oferta de vagas para reduzir a pressão no sistema de saúde.

A cidade enfrentou problemas nesta última semana, com 10 pacientes de enfermaria aguardando vagas para leitos destinados a internados com o novo coronavírus.

Sorocaba tem 23.806 casos confirmados da doença, com 510 mortes, e a expectativa é que um convênio de 60 dias com o Hospital Santa Lucinda disponibilize a partir da próxima semana 20 leitos de enfermaria.

O governo pagará R$ 737,59 por dia para cada leito, o que representa R$ 442.554 por mês.

A situação de pressão em Sorocaba se repete em outros locais do interior paulista. No último dia 3, o juiz Darci Lopes Beraldo acatou liminar obrigando o estado a abrir pelo menos dez leitos adicionais de UTI para pacientes de Covid no Hospital Regional de Presidente Prudente, sob pena de multa diária de R$ 100 mil caso a decisão não fosse cumprida em 24 horas.

Em sua decisão, o juiz apontou divergências entre os dados do Censo Covid-19 e a realidade nos hospitais. “Essa sobra [de vagas] apontada no censo não existe na prática, já que no dia 1º de dezembro a Promotoria de Justiça foi acionada duas vezes pelo fato de pacientes estarem internados na UPA [Unidade de Pronto Atendimento] aguardando vagas UTI Covid-19, pois a notícia é de que não havia vagas”, afirmou.

Relatou que, no dia seguinte, cinco pacientes graves aguardavam por vagas de terapia intensiva.

“Chega-se à conclusão de que o Censo Covid para a região de Presidente Prudente não espelha a realidade, de modo que a sobra de leito nele exibida é figurativa, sendo que a microrregião em que está inserida a comarca de Presidente Prudente e o Pontal do Paranapanema está descoberta, não havendo leito de UTI suficiente para o enfrentamento da Covid-19. Aliás, sequer leito clínico/enfermaria”, afirmou a decisão.

Após a liminar, a Secretaria de Estado da Saúde destinou dez leitos adicionais de UTI para o Hospital Regional de Presidente Prudente, dobrando a capacidade de atendimento.

Um plano de contingência firmado entre o Ministério Público Estadual e as operadoras de saúde nesta semana vai permitir a abertura, até janeiro, de 20 leitos no Hospital Iamada e na Santa Casa, que estavam à beira do colapso.

Hoje a região de Presidente Prudente, que abarca 45 municípios, tem 85,5% de ocupação na UTI para Covid-19. Apenas a cidade de Prudente tem 8.239 casos e 176 mortes por Covid.

Em Campinas, a taxa geral de ocupação de leitos de UTI exclusivos para Covid subiu de 58,8% em 27 de novembro para 84,46% na sexta (11). A situação é precária em todas as esferas: são 93,24% das vagas municipais do SUS ocupadas – 76,47% do SUS estadual e 79,41% de hospitais privados.

A prefeitura chegou a desativar 42 leitos de UTI para Covid nas redes pública e particular em 1º de dezembro, ficando apenas sete vagas disponíveis no SUS (hoje são nove).

Mas anunciou em seguida a transferência de dez vagas de uma UTI pediátrica no Hospital Ouro Verde para o uso de adultos com Covid-19. Também foi anunciada uma negociação para a contratação de mais dez leitos com a Santa Casa.

Campinas tem hoje 45.989 casos confirmados e 1.409 mortes.
Em Ribeirão Preto, que tem 87 leitos de UTI disponíveis, menos de 40% do registrado no auge dos casos na cidade, a ocupação está subindo e alcançou 50,57% nesta sexta. Na rede privada, o índice é de 65,5%.

No litoral de São Paulo, a taxa de ocupação de leitos de UTI na rede privada alcançou 74% em Santos, ficando em 42% na rede pública. A cidade tem 26.929 casos confirmados e 828 óbitos. Grande parte dos municípios paulistas não está divulgando dados sobre a ocupação de leitos em suas páginas oficiais ou suas redes sociais -casos de Sumaré, São José dos Campos e Piracicaba, no interior, e Praia Grande, no litoral.

Procurada pelo jornal Folha de S.Paulo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Sumaré respondeu que 60% dos leitos da UPA Macarenko (enfermaria) estavam ocupados, mas que era necessário procurar o Hospital Estadual e cada hospital particular para obter a informação.

O Hospital Estadual primeiro informou que não havia nenhum paciente de Covid internado. Depois afirmou que havia quatro em UTI, mas não a totalidade dos leitos disponíveis.

Já a Prefeitura de Piracicaba relatou 49,23% de leitos de UTI ocupados tanto em hospitais privados quanto públicos. Não foi informada a ocupação separadamente.

São José dos Campos e Praia Grande não responderam aos questionamentos da reportagem.

Fonte: Agencia Brasil