MPF revela tentativas de intimidação orquestradas por alvos da Faroeste

No pedido que deu origem ao recente cerco da Faroeste, o Ministério Público Federal (MPF) revela tentativas de intimidação orquestradas por novos alvos da operação contra delatores e testemunhas do esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ). De acordo com o MPF, “foram documentadas quatro situações intimidadoras, em que Vasco Rusciolelli (advogado e filho da desembargadora afastada Sandra Inês Moraes Rusciolelli) recebeu recados de advogado, policial e agente do sistema prisional, a fim de que fosse desencorajado a firmar acordo de colaboração”. Vasco e a mãe foram presos pela Faroeste em 24 de março deste ano e autorizados a cumprir regime domiciliar seis meses depois, pelo relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Og Fernandes. 

Nome aos bois
Os recados, disse o MPF, têm como um dos supostos autores o advogado Rui Barata, filho da desembargadora Lígia Ramos Cunha. Ambos estão entre os alvos da nova fase da operação.

Memórias do cárcere
Os episódios relatados pelo MPF teriam ocorrido quando Vasco Rusciolelli ainda cumpria prisão preventiva no Centro de Observação Penal (COP), unidade do Complexo Penitenciário da Mata Escura, em meio às tratativas para um eventual acordo de delação premiada. Ao solicitar autorização do STJ para deflagrar as novas ofensivas da Faroeste, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, alerta sobre o perigo de manter em liberdade alvos com grande poder para intimidar colaboradores da operação e interferir nas investigações contra a venda de sentenças no Judiciário baiano.

Pé na porta
Pouco antes do cerco lançado na última segunda-feira pela Polícia Federal, o advogado Júlio César Cavalcanti, que se tornou o principal delator da Faroeste, teve a casa invadida. Na ocasião, foram roubados um notebook e um telefone celular. O crime ganha dimensão maior pelo papel de Cavalcanti no caso. A maioria dos indícios que serviram de base para o avanço da operação foi fornecida por ele ao MPF, incluindo nomes de filhos de desembargadores suspeitos de receber propina em nome dos pais e advogados apontados como responsáveis pela lavagem de dinheiro ilícito.

Curto prazo
Nomeado anteontem como secretário interino de Segurança Pública, a reboque da decisão do STJ que provocou a queda de Maurício Barbosa, Ary Pereira sinalizou a interlocutores próximos que ficará no cargo por pouquíssimo tempo. Mais precisamente, até que o governador Rui Costa (PT) defina o sucessor definitivo de Barbosa. Ao aceitar o comando da SSP, Pereira deixou claro a Rui que não tem o menor interesse no posto e pediu que o substituto seja escolhido o quanto antes.

Procura-se
Até o momento, segundo apurou a Satélite, o governador quebra a cabeça em busca de alguém com perfil e disposição para chefiar a SSP. A dificuldade tem origem na resistência de quadros que reúnem qualidades consideradas ideais à função.

“É um absurdo o ministro da Saúde questionar o motivo da angústia pela vacina. Já morreram mais de 182 mil brasileiros! Temos que correr para salvar vidas, entendeu?” – Jaques Wagner, senador pelo PT da Bahia, ao criticar as declarações em Eduardo Pazuello minimiza a ansiedade pela vacinação contra a covid

Fonte: Correio