Caetano Veloso: Então é Natal! Mas poderia ser Réveillon, Verão, Carnaval e Porto da Barra

Quem me conhece sabe que eu costumo dizer que, na minha modéstia opinião existe uma Santíssima Trindade na MPB formada por Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso. E vai ser sobre Caê que vou falar hoje aqui, no Baú do Marrom. Pego carona na badalada live natalina que ele realiza neste sábado (19), às 21h com transmissão no YouTube do artista e no Canal Like. Empolgado Caetano tem se preparado para essa maratona e contado com a ajuda dos fãs que estão pedindo musicas para compor o repertório. Com certeza virá muitos clássicos.

Sem dúvidas foi um presentão para quem gosta de boa musica nesses tempos de pandemia. E mais uma vez Caetano mantém a tradição de se manter ativo quando chega o Verão. E ele, em anos anteriores sempre desembarcava em Salvador, vindo do Rio de Janeiro para curtir as festas, os ensaios e o Carnaval que ele sempre amou e cantou em versos e prosas.

Nos anos de 1980 era muito comum Caetano realizar uma festa de Réveillon em sua casa na Ondina para amigos. Mas tinha uma galera jovem na faixa dos 18 a 20 anos (nos quais eu me incluo) que simplesmente ia passar o réveillon lá com a maior naturalidade (rs). Mas isso era outro tempo de uma Salvador onde todos se conheciam, curtiam os mesmos programas e ainda se podia andar sem medo de ser assaltado ou ter seu celular tomado no grito.

Também quando chegava o Verão era certa e continua sendo (exceto por essa terrível pandemia) a chegada de Caetano a Salvador. Eu costumava dizer que o Verão em Salvador só começava quando o artista nascido em santo Amaro desembarcava na capital baiana. Sempre uma festa com amigos tudo no maior astral como se falava antigamente. Era Caetano, leonino, irradiando o brilho do sol.

Outra parada da chamada galera descolada era um mergulho no Porto da Barra. Onde de cara a gente se batia com Caetano, Gil, Baby Consuelo (Hoje Baby do Brasil) a galera dos Novos Baianos, Regina Casé, Angela Ro Ro, Marina Lima, Zizi Possi. Enfim uma fauna de estrelas. Sem contar com a turma local que incluía Leticia Muhana (já uma badalada jornalista), Dodoia Ribeiro, Gal Karatê, Tânia Soco Fino, Keka Oxóssi, Bebete Martins, Graciete, Isabela Larangeira, Iracema Vieira, Sylvia Patricia, Jussara Silveira, Fábio Pestana, Bi Oliveira, Evinha Freitas. Algumas dessas pessoas faziam parte da turma do frescobol.

Caetano Veloso figura importante no Verão da Bahia (arquivo)

O dia emendava com a noite, e o ponto de encontro era o Zanzibar no Garcia com Ana Célia, Neide, Macalé os saudosos Bené e Danda (todos da mesma família). Restaurante de comidas africanas maravilhosas. Da batida de gengibre. E de se bater com Vovô (sim Vovô do Ilê dando uma força no caixa). Um luxo. Tinha também o Beco dos Artistas, também no Garcia e a Praia dos Artistas na Boca do Rio com o personagem icônico Aloisio e seu chapelão.

Ai vinha o Carnaval (Caetano lançou em 1977 um disco chmado Muitoss Carnavais) e olha todos se encontrando na Praça Castro Alves e nos famosos encontros dos trios. Sim porque naqueles anos, antes do surgimento da axé music o Carnaval tinha alguns blocos de trios como Internacionais, Coruja, outros de índio como Apaches e Comanches, mas a grande estrela eram os Trios Elétricos. Principalmente o de Dodô e Osmar ou o trio com Os Novos Baianos. Ai a gente podia ver Caetano dando uma canja enquanto ali sob os olhares do poeta tudo acontecia. Mas tudo mesmo que não dá para contar num artigo (rs). E havia ainda a apoteose com o Encontro dos Trios com Osmar Macedo fazendo o famoso desafilho (desafio de pai e filho) duelando com Armandinho).

Tinha também o desfile Gay da segunda-feira nas escadarias do prédio que hoje funciona a Federação Bahiana de futebol. Se vocês acham que hoje em tempo LGBTQIA + é fechação não imagina naquela época. Com Fernando Noy um argentino que morava aqui (ele voltou para Buenos Ayres) e era a verdadeira lacração. Como diria Tieta do Agreste famosa personagem do romance de Jorge Amado: Êita Lelê.

Fonte: Correio