Topless na areia: verão de 1980, o ano em que a Bahia chegou a tanto

Topless na Praia dos Artistas em janeiro de 1980
(Foto: Sonia/Arquivo CORREIO)

Verão de 1980, há 40 anos. Era o segundo ano de vida do CORREIO e o segundo verão que o jornal cobria em Salvador. Pareceu mesmo ser o ano da liberdade sexual. Se, hoje, um topless na areia é capaz de escandalizar muita gente, a prática virou quase rotina no verão soteropolitano daquele ano. Na Praia dos Artistas, na Boca do Rio, uma placa com a inscrição ‘Topless Drinks’ indicava que, ali, as moças curtiam o banho de mar sem a parte de cima do biquíni.

E não foi coisa de um dia só, protesto daqueles que, hoje em dia, deixaria meia Bahia horrorizada. Os arquivos fotográficos do jornal mostram que, no verão de 1980, o topless era livre e praticado por diversos dias seguidos – pelo menos três fotógrafos diferentes têm fotos da praia lotada, de moças tomando sol na areia, jogando frescobol e tomando banho de mar. A reportagem publicada no jornal baiano repercutiu pelo Brasil e teve até quem não acreditasse na ousadia.

Placa na entrada na praia indicava a prática por ali
(Foto: Lourival Custodio/Arquivo CORREIO)

O Jornal da República, do jornalista Mino Carta, publicou uma fotografia e uma legenda em tom de descrença. Disse que a Bahia não tinha chegado a tanto: “Topless livre? Tudo ilusão”. Mas tinha, como provam as fotos feitas pela fotógrafa Sonia, nos dias 17 e 19 de janeiro de 1980. As imagens bem poderiam ser embaladas pelos versos de ‘Uma noite e meia’, de Renato Rocketh, sucesso na voz de Marina Lima. Mas, na verdade, a canção que fala de topless na areia só foi lançada no final da década, em 1987.

A Bahia chegou a tanto, e antes de o topless virar moda. Quarenta anos depois, o topless continua, mas raramente em público, em praias urbanas. Artistas recebem elogios ao adotar a prática em fotos, mas também muitas críticas. Alguns olhares bem menos naturais e leves do que as senhoras que compartilhavam a areia com a moças de topless em 1980. 

Ao redor da moça de topless tem todos os tipos de olhares, mas nada tão leve quando o da senhora de mãos na cintura
(Foto: Sonia/Arquivo CORREIO)

Fonte: Correio