Mulher é morta a tiros em Sussuarana e Salvador chega a 3 feminicídios em 10 dias

Mais um caso. O terceiro de contornos semelhantes em 10 dias na capital baiana. A realidade do feminicídio bateu à porta de Salvador novamente. A vítima da vez foi a jovem Karoline Almeida de Oliveira, 23 anos, encontrada morta na tarde do último domingo (20), no rua Irênio Souza, bairro de Sussuarana Velha.

Em nota, a Polícia Militar informou que, de acordo com a 48ª Companhia Independente de Polícia Militar (Cipm), o crime aconteceu por volta do meio-dia, às 12h05, mais precisamente. O suspeito é o marido de Karoline, Gideon Campos de Oliveira. Ele teria matado a esposa com tiros antes de cometer suicídio com a mesma arma.

A PM informou que sua guarnição socorreu as vítimas, que foram encaminhadas para o Hospital Geral Roberto Santos, mas nenhum dos dois resistiu e ambos morreram.

O caso está sendo acompanhado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a Polícia Civil, um revólver calibre 38 foi apreendido no local do crime junto a três munições deflagradas e outras duas intactas. Quem investiga o caso é a 2ª Delegacia de Homicídios (2ªDH/Central).

Feminicídio
Foi o terceiro caso de assassinato de mulheres que aconteceu em Salvador somente nos últimos 10 dias. No último dia 10 de dezembro, João Miguel Pereira Martins, o DJ Frajola, foi encontrado morto dentro de um apartamento no bairro do Caminho das Árvores horas depois de assassinar a sua ex-namorada, a estilista Tatiana Fonseca, que foi surpreendida quando estava saindo do apartamento onde morava, na Pituba.

No dia seguinte, 11 de dezembro, o prefeito do município de Conceição de Feira, Raimundo da Cruz Bastos, o Pompílio, foi encontrado morto ao lado da esposa. A Polícia Civil está investigando o crime e a suspeita é de que ele tenha tirado a própria vida após assassinar a mulher.

No último levantamento publicado pelo Monitor da Violência, em setembro, colocava a Bahia como o terceiro estado com mais casos de feminicídio no ano, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

Além disso, nos primeiros seis meses de pandemia, 49 mulheres foram vítimas de feminicídio na Bahia. Utilizando dados solicitados das secretarias de segurança pública, um levantamento nacional feito pelo Instituto AzMina apontou que, entre os 19 estados respondentes, a Bahia figurou como o terceiro lugar onde mais mulheres foram mortas por esse crime, que é motivado pela condição de gênero. Neste período do monitoramento, 497 mulheres foram assassinadas no país, o equivalente a uma morte a cada nove horas.

Em primeiro e segundo lugar, ficaram os estados de São Paulo, com 79 óbitos, e Minas Gerais, com 64, respectivamente. Dos 26 estados brasileiros, sete não responderam ao pedido de informação. As unidades da federação que fazem parte da amostra concentram 94% da população feminina do Brasil. No total, os estados que estão incluídos no levantamento registraram queda de 6% no número de casos em comparação com o mesmo período do ano passado.

Fonte: Correio