Apresentado no Bahia, Dado projeta: 'Eu preciso tentar algo novo'

O novo treinador do Bahia, Dado Cavalcanti, comandou seu primeiro treinamento na Cidade Tricolor nesta quarta-feira (23). Na entrevista de apresentação oficial após a atividade, o técnico comentou que seu principal papel na chegada ao clube é inovar e exigir o melhor de cada atleta. O tricolor está em 16º lugar no Brasileirão, com os mesmos 28 pontos do Vasco, primeiro time na zona de rebaixamento e que tem um jogo a menos.

“Na minha primeira conversa com os atletas fui muito enfático em compartilhar duas responsabilidades em conjunto: eu preciso tentar algo novo, alternativas e fatos novos; e eles, (terem) o comprometimento de fazer mais e melhor. Porque tudo o que foi feito até agora não foi suficiente para trazer respostas. São esses os dois viés [sic] que vamos buscar”, afirmou Dado.

O comandante completou que já pensa nos erros que a equipe tem cometido e que “se fizermos as mesmas coisas, vamos colher os mesmo resultados. Se estou sendo apresentado, alguns problemas fizeram com que ocorresse uma troca no comando”, pontuou o substituto de Mano Menezes, que por sua vez sucedera Roger Machado em setembro. 

Ex-treinador da equipe sub-23 do Bahia, entre 2019 e abril de 2020 – quando o time de transição foi desmontado -, Dado Cavalcanti retornou ao Bahia em outubro para coordenar a divisão de base e comandar a remontagem do elenco de aspirantes. Com a demissão de Mano, volta à função de treinador. Aos 39 anos, o pernambucano de Arcoverde acredita que esse agora é o maior desafio da sua carreira. “É um grande desafio. Sem sombra de dúvidas o maior de minha carreira, assim como tem o mesmo tamanho da oportunidade”, analisou.

Ele disse também que olhará com bons olhos para a divisão de base, principalmente com o bom desempenho dos atletas da categoria sub-20, que estão na final da Copa do Brasil. “Enxergo com bons olhos a vinda de alguns atletas da base, que estão em boa fase, confiantes, e que pode até ser uma oxigenada no nosso grupo da equipe principal. Vejo de forma salutar, no momento certo, depois da final, para não desfalcar a equipe”, completou. 

Na entrevista o técnico também ressaltou as mudanças planejadas no esquema tático, valorizando a posse de bola e corrigindo posicionamento das linhas de marcação. Sobre a defesa, que é mais vazada do Campeonato Brasileiro, Dado afirmou que enxerga o jogo de “forma sistêmica” e buscará ajustes em todas as faixas de campo para ajudar no rendimento defensivo.

A estreia do treinador é domingo (27), contra o Internacional, às 16h, na Arena Fonte Nova.

Dado Cavalcanti é apresentado como treinador do Bahia (Foto:Felipe Oliveira / EC Bahia)

Outros trechos da coletiva de Dado Cavalcanti:

O tamanho da cobrança e diferença entre o elenco principal e o sub-23.  É o maior desafio de sua carreira?
Dado: É um grande desafio. Sem sombra de dúvidas o maior de minha carreira, assim como tem o mesmo tamanho da oportunidade. As diferenças são significativas e eu entendo demais pela experiência em outros clubes em que trabalhei. O trabalho com jovens requer mais cuidado, atenção e até desgaste em orientar e indicar. Quando se trabalha com jogadores mais experientes e mais vividos, eles já entendem o processo por inteiro, suas responsabilidades, os caminhos que seguir e acaba facilitando. Tenho o privilégio conhecer quase 100% dos atletas, muitos por ter trabalhado na equipe de transição, em outras equipes ou também como adversários, e isso fortalece minhas convicções sobre o que devo fazer no meu trabalho aqui.

O que esperar de diferente com Dado no comando e como se recuperar na competição?
Dado:
 A recuperação é no dia a dia. Precisa acontecer internamente, no contato com os atletas, no meu comprometimento de ser assertivo em minhas escolhas. É um somatório de variáveis que vem a culminar na evolução e na busca por resultados. Junto com a  comissão técnica, visualizo o que temos e a gente consegue fazer um pouco mais em relação à minha expectativa. Vamos nos ajudar e se cobrar internamente, buscar essa evolução e os resultados vão vir com o passar do trabalho e do tempo.

Qual sua ideia sobre o uso da base na reta final da Série A?
Dado:
 Pretendo usar, por uma natureza minha. Em todos os trabalhos que fiz tive um olho para a base e essa característica que me trouxe até aqui, na equipe de transição. Só não podemos esquecer que essa equipe está numa final da Copa do Brasil, por isso nesse primeiro momento não pretendo desfalcar esse time, que tem todas as possibilidade de levar um troféu. Mas já enxergo com bons olhos a vinda de alguns atletas da base, que estão em boa fase, confiantes, e que pode até ser uma oxigenada no nosso grupo da equipe principal. Vejo de forma salutar, no momento certo, depois da final, para não desfalcar a equipe.

Já dá para aplicar a filosofia de jogo? Ou apenas escapar do rebaixamento? 
Dado:
 Bom, tenho minhas condições em relação ao “jogar”. Óbvio que não vou fugir disso, mas tenho consciência das nossas dificuldades em algumas variáveis do jogo. Vamos procurar uma mescla porque não temos tempo para testagem, repetições e treinamentos. São quatro dias até nossa estreia e minhas ideias não serão implementadas em sua totalidade nesse início, mas vamos buscar respostas para que a gente consiga algo dentro dessas minhas convicções e do que é possível. 

“Existe aquilo que é ideal e o que é factível. Vamos atrás do factível para uma evolução rápida, buscar pontos necessários e ter mais tranquilidade no restante do campeonato”

Como resolver o problema da defesa e voltar a vencer no campeonato?
Dado: 
Eu costumo enxergar o jogo de forma sistêmica. Às vezes as respostas não estão exatamente no setor. Nossa equipe falha ao tomar gols, não só nossa defesa, com zagueiros e goleiros. Já tinha falado sobre isso e minha ideia é tentar algo novo. Não conseguimos os resultados esperados até então, por isso vamos mexer um pouco nesse caldeirão que hoje está à minha disposição e buscar alternativas. Não só a condição única desse setor, mas na relação entre setores, da condição coletiva, estratégias de jogo, modificação de linhas de marcação e agressividades. Tudo isso está sendo procurado para que a gente consiga tomar a decisão assertiva do que será feito.

Os erros de Mano Menezes
Dado:
 É uma condição subjetiva. Não tenho o direito de comentar sobre esse fato. A gente busca as informações e todo processo que aconteceu aqui internamente. Mas o mais importante é refletir sobre isso e buscar as respostas, não tenho que externar nada disso.

Como administrar uma semana tão confusa dentro e fora de campo?
Dado: 
Essa condição já está sendo contornada. Estou tendo o apoio da direção, da comissão técnica e os atletas têm consciência dessa responsabilidade que temos daqui em diante. O tempo é o senhor da razão e um dia após o outro traz um fechamento de feridas abertas. Esperamos que essa semana seja conduzida da melhor forma, tirando o foco do extracampo e do que aconteceu no jogo passado, e concentrar nosso olhares para o campo, com dedicação para buscar a evolução interna.

Para quem não se recorda, fala do seu estilo de jogo
Dado:
Tenho minhas convicções sobre futebol. Ninguém se apaixona pelo jogo correndo atrás da bola. Qualquer criança se identifica com o jogo tendo contato com a bola e tendo em seu domínio. E isso fala muito dos trabalhos que fiz. É fato que o tempo para colocar tudo em prática é inviável, mas as principais convicções em relação ao jogo é ter esse entendimento, que ele passa a ter o contato e a valorização da bola. Todas as outras ações são consequências dessa relação com a bola. Então isso responde muito por mim, essa condição vai ser aplicada desde minha chegada. Preciso encontrar a linha média e alternativas em cima de carregar minhas conexões e vender aos atletas para que eles comprem e efetuem da melhor maneira possível.

“Sei que há uma distância grande entre o Bahia de hoje e o que eu imagino e entendo como jogo ideal na minha cabeça”

Fonte: Correio