Av. Joana Angélica é reordenada e ambulantes ganham espaço fora dos passeios

Quem transitava até ontem pela avenida Joana Angélica, principalmente na região próxima à praça da Piedade, no centro da cidade, sabe que, para caminhar por ali, era preciso disputar espaço com os ambulantes na calçada e com os carros, no meio da rua. Essa situação, no entanto, mudou com a entrega pela prefeitura de Salvador da reforma e reordenamento na av. Joana Angélica e na av. Sete de Setembro. 

O passeio foi ampliado, os ambulantes ganharam espaços determinados e os carros agora passam distantes da movimentação dos pedestres. A ação de reordenamento, que começou por conta das medidas sanitárias de restrição na pandemia, é permanente e pretende dar mais segurança e conforto tanto para quem compra, como para quem vende nas ruas. 

O projeto teve duração de quatro meses e custou R$ 1,5 milhão aos cofres municipais. Entre as intervenções realizadas estão também os serviços de fresagem do pavimento, demolição do passeio, implantação de Zona Azul, requalificação do passeio, implantação do novo asfalto, e a sinalização em sentido único de trânsito para Nazaré.

Clientes e ambulantes falaram da sensação de conforto e segurança após as obras (Foto: Valter Pontes/Secom)

O prefeito ACM Neto, que esteve no local durante a manhã de ontem, disse que a intenção da obra foi priorizar as necessidades de quem passa a pé pela Joana Angélica. Ele ainda salientou que toda a readaptação foi pensada para clientes e ambulantes.

“Trouxemos uma nova cultura de valorização do pedestre com obras voltadas a quem anda a pé, que é a maioria. Nos últimos oitos anos, demos prioridade para quem anda na rua. A avenida Sete e avenida Joana Angélica são exemplos disso. Nós diminuímos o espaço dos veículos para dar conforto e segurança para os que estão a pé, inclusive os ambulantes que tiram seu sustento daqui”, afirmou.

Mateus aprovou nova organização da Joana Angélica (Foto: Wendel de Novais/CORREIO)

Conforto na venda e na compra

Os ambulantes da Joana Angélica, apesar de ainda estarem se adaptando à novidade, aprovaram o novo modelo da avenida. Os clientes também elogiaram as intervenções. Beatriz Morais, 18, trabalha vendendo frutas no local há dois anos e conta que ficou contente em ver que a readaptação do espaço foi pensada considerando o trabalho dos comerciantes informais. “A mudança foi bacana porque agora cada um tem seu espaço, é tudo mais organizado. Fico feliz com a atitude deles de fazer uma ação focada em nós, que somos ambulantes. Me sinto mais segura, não tenho que brigar por espaço com pedestre e muito menos com carro que fica bem longe da gente”, diz. 

Outro que falou bem das mudanças foi Mateus Ferreira, 23, que trabalha na Joana Angélica há mais de sete anos. Para ele, repensar aquele espaço era uma ação necessária e que vem em boa hora: “É, mudou bastante. Não sei como ficam as vendas agora porque deve ter alteração, vou esperar para saber. Mas, falando de organização, não dá nem para comparar. É outra Joana Angélica, com tudo mais arrumado”.

Marcos Vinicius Cruz, 20, que vende frutas há quatro anos na avenida, também gostou do que viu no primeiro dia.  “Da reforma e das mudanças que fizeram aí, eu já gostei logo quando cheguei. Tem nosso espaço pintado no chão, tudo de um jeito mais bacana para o nosso trabalho. É uma reforma que vai fazer as coisas serem diferentes aqui. Diferente para melhor”.

Jaguaracira gostou da calçada com mais espaço para pedestres (Foto: Wendel de Novais/CORREIO)

Já os clientes que estiveram na Joana Angélica no primeiro dia após a reforma, enfatizaram o conforto para comprar e a sensação de segurança. Jaguaracira de Souza, 51, comerciante que passa pelo local há anos, elogiou: “Tá ótimo! Era uma agonia doida para passar, gente para todo lado. Agora, melhorou demais, você passa tranquila e tem mais tempo para ver o que quer comprar, avaliar se é aquilo mesmo que você precisa, sem ser atropelado. É bom também que tem mais segurança, longe dos carros e sem ficar um por cima do outro porque o corona tá aí, né?”, lembrou.

A professora Zaineide Pinto, 41, por sua vez, disse que a experiência de caminhar pela avenida ficou melhor. “A primeira impressão é de um espaço muito maior e depois de ver os ambulantes eu percebi que a organização aqui é muito maior. Antes, a gente tinha que disputar o passeio com os ambulantes e agora tem o lugar do pedestre e tem também o do ambulante. Todo mundo sai ganhando”, afirmou.

A aposentada Zelmara Falcão, 76, acredita que vai ter mais paz ao caminhar pelo local, mas alerta que, para manter a organização, é necessário que exista uma fiscalização rígida na região. “Ficou bom demais, claro que melhorou bastante para nós. Só que para continuar assim precisa de respeito, né. Se o povo respeitar as determinações, tá tudo bom. Se isso não acontecer, não dura muito tempo. Por isso, tem que fiscalizar”, indicou.

Reordenamento também afetou o trânsito no local (Foto: Valter Pontes/Secom)

Trânsito mudou há um mês

As mudanças no trânsito da avenida Joana Angélica ocorreram há mais de um mês, mudando as regras para carros, motos e ônibus que circulam pela região. Com a alteração, os condutores que faziam o percurso para a praça da Piedade vindos de Nazaré, seguem pela rua do Carro, ao lado do Fórum Ruy Barbosa, para descer a rua Professor Hugo Baltazar da Silveira e acessar o Dique do Tororó, seguir para o Vale dos Barris e subir para a rua Direita da Piedade.  Já os motoristas que têm como destino o Tororó, entram na rua Junqueira Freire, que é transversal à rua do Tinguí, passam pela praça Duque de Caxias e sobem a ladeira da Mouraria. Na Joana Angélica novamente, eles chegam ao Tororó através das ruas Francisco Ferraro ou José Duarte.

Os ônibus que circulam pela Joana Angélica, sentido praça da Piedade, também tiveram os itinerários modificados devido às obras de requalificação. Os veículos passaram a acessar a rua Tingui, largo do Campo da Pólvora, rua Professor Hugo Balthazar da Silveira, Boulevard América, rua José Leonildo de Sena, Avenida Vasco da Gama (Dique do Tororó), Vale do Tororó, Vale dos Barris, rua Clóvis Spínola, rua Direita da Piedade, rua Portão da Piedade, retorno em frente à sede da OAB-BA e rua Direita da Piedade, seguindo então o itinerário normal.

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio