De cria da base a técnico: Rodrigo Chagas completa ciclo no Vitória

A trajetória de Rodrigo Chagas em mais de 30 anos no futebol gira em torno do Vitória. O hoje treinador roda, alça voos por outros estados e países, mas sempre retorna à Toca do Leão. Toca que, aliás, ele ajudou a construir – e não há exagero algum em dizer isso.

No dia 3 de janeiro, quando estrear como técnico efetivo diante do Operário, no Barradão, Rodrigo completará um ciclo, passando por todas as categorias do clube. Essa é a sua quinta passagem pelo Vitória. Foram três como atleta e está em sua segunda como técnico.

“Mais do que nunca, vou fazer o melhor pelo nosso clube. Sei do carinho que a torcida tem por mim e eu tenho por minha torcida. Agradeço pela oportunidade de estar à frente desse clube que amo e que tenho toda a identificação”, disse ao assumir o cargo.

As origens

Apesar do jeito de falar bem típico do baianês, Rodrigo Chagas nasceu no Rio de Janeiro. Chegou ao Vitória em 1992, aos 19 anos, quando trocou a base do Bahia, onde treinava, pelo Barradão. Foi um dos garotos que Newton Motta levou consigo ao trocar a direção da base tricolor pela do rival.

O garoto que treinava nos juniores rapidamente chamou a atenção do então técnico João Francisco, que lhe deu as primeiras oportunidades no Baianão de 1992, disputado no segundo semestre e que foi vencido pelo Leão.

Rodrigo, porém, entraria para a história rubro-negra no ano seguinte. Em 1993, tornou-se titular absoluto e destaque da equipe que chegou à final do Brasileiro. Ao lado de Dida, Vampeta, Paulo Isidoro, Alex Alves e outros garotos, firmou o Vitória como um clube revelador de talentos.

“Tínhamos um grupo muito impositivo, com uma ‘juvenilzada’ abusada. Quando tinha problema entre profissional e a base os garotos se fechavam, éramos muito unidos. Algumas das minhas melhores lembranças era ficar embaixo de uma mangueira aqui no Barradão chupando manga com Alex, Flávio, Vampeta e toda aquela garotada”, lembrou Rodrigo em especial sobre o Brinquedo Assassino, publicado pelo CORREIO em 2017.

Ajuda para construir a Toca do Leão

Em julho de 1995, o clube alemão Bayer Leverkusen comprou Rodrigo e Ramon Menezes do Vitória por 2 milhões de dólares, ou R$ 2,1 milhões na época – o equivalente a mais de R$ 11 milhões atualmente, se for considerada a inflação.

Aquele dinheiro, segundo o próprio Paulo Carneiro, foi investido na criação dos dois primeiros campos da Toca do Leão. Em 1995, aquela parte do complexo era um barranco de areia, e o clube só dispunha de um campo para treinar, o do próprio Barradão.

“Foi uma herança que a gente deixou, digamos. Com a nossa venda, foram construídos dois campos. Depois vieram outros atletas, que continuaram a proporcionar esse crescimento ao Vitória. Fico feliz de ter contribuído para essa transformação do clube”, disse Rodrigo no especial do CORREIO.

Na foto de 1994, Rodrigo disputa a bola com Zé Carlos, ex-Bahia, então no Atlético-MG, em jogo no Barradão (Foto: Antenor Pereira / Arquivo Correio)

Retornos à Toca

Já consagrado e com convocações para a Seleção Brasileira, Rodrigo retornaria ao Vitória para mais duas passagens como jogador. Em 1999, chegou do Corinthians em meio Brasileirão para aumentar o nível técnico da equipe. Deu certo: o Leão terminou aquele campeonato em 3º lugar.

Em 2002, fez a sua última passagem pelo rubro-negro, terminando o Brasileiro em 10º. Teve que encerrar sua carreira precocemente, em 2006, aos 34 anos, por conta de um acidente de carro.

Como treinador

Assim que encerrou sua carreira como jogador, decidiu iniciar a de técnico. E onde mais daria o pontapé? Voltou ao Vitória em 2006 para ser treinador do sub-17, comandando o treino nos mesmos campos que ajudou a constuir na Toca do Leão. Ficou até 2009 na equipe, sendo bicampeão baiano.

Ao deixar a base do Leão em 2009, assumiu o time profissional de diversas equipes, como Ipitanga, Catuense, Ypiranga, Barras do Piauí e Jacuipense. Nesse último, foi vicecampeão da Segunda Divisão do Baiano e conquistou o acesso.

Em 2017, retornou ao Vitória e iniciou a passagem que dura até hoje. Primeiro, Rodrigo assumiu o papel de técnico do time sub-18, criado naquele ano. Com o fim da equipe em 2018, voltou a ser treinador do sub-17. Em 2019, foi promovido ao comando do sub-20, pelo qual foi campão da Copa do Nordeste naquele ano.

Ou seja: em quase 30 anos de Vitória, Rodrigo viveu todas as categorias do clube. Juvenil e profissional de destaque como jogador. Técnico do sub-17, sub-18 e sub-20. Agora, prepara-se para o maior desafio da carreira.

“Tenho certeza de que toda a energia positiva vai ser mandada por todos. Por nossa torcida, pelo familiares, e que assim a gente possa realmente fazer um ótimo trabalho. E que saiamos o quanto antes dessa situação incômoda”, disse ao ser efetivado.

Fonte: Correio