'É um sinal', fiéis lotam igreja do Bonfim na última sexta-feira do ano

A última sexta-feira do ano foi duplamente abençoada no Bonfim. A multidão de fiéis que tradicionalmente lota o Santuário da Basílica do Senhor do Bonfim, na Cidade Baixa, em Salvador, nessa data teve um motivo a mais para ir à igreja: celebrar o nascimento de Jesus Cristo nesse 25 de dezembro. 

Nave da igreja na missa das 9h (Foto: Tiago Caldas/ CORREIO)

Para algumas das muitas pessoas de branco que subiram a colina sagrada hoje pela manhã o fato de o dia do nascimento do maior símbolo do cristianismo cair justamente na última sexta-feira do ano não foi uma simples coinscidência. A professora Elisangela Oliveira, 47 anos, é quem explica. 

“Esse é um sinal. Um sinal de que precisamos procurar Deus mais do que nunca. Esse foi um ano muito carregado. Tivemos, e ainda estamos tendo, muitas provações. O mundo precisa de mais amor, e Deus é amor”, afirmou.

Tradição de amarrar fitinhas para fazer pedidos foi mantida (Foto: Tiago Caldas/ CORREIO)

E por falar em sinais, eles estavam por toda a parte mostrando que esse não era um ano normal. Dessa vez, havia um gradil do lado de fora da igreja que obrigava os fiéis a formarem uma fila para entrar no templo. Funcionário mediam a temperatura e aplicavam álcool nas mãos das pessoas. O uso de máscara foi obrigatório.

Do lado de dentro, o acesso a nave principal foi controlado e cadeiras foram postas no pátio e até na sacristia. Eram cerca de 350 lugares que foram ocupados em todas as missas. Aquela imagem de corredores aglomerados que todos os anos aparece na imprensa e nas redes sociais não aconteceu.

Público observa imagem do Senhor do Bonfim (Foto: Tiago Caldas/ CORREIO)

Por todos os cantos era lembrado que estamos em quarentena e o tema pandemia apareceu até na homilia dos padres que se alternaram nas celebrações das nove missas do dia. O falatórios dos funcionários no acesso lateral da igreja e a movimentação da rua incomodou alguns fiéis na missa das 9h, mas eles não arredaram o pé. 

“Estou aqui para agradecer as bençãos conquistadas. Meu pai teve covid, ficou internado, mas se curou. Os dias em que ele passou no hospital foi de muita oração para mim, minha mãe e minhas irmãs. Todos nós somos devotos de Senhor do Bonfim. Fazemos a procissão em janeiro, estamos aqui na primeira e na última sexta-feira do ano, e sempre que podemos assistimos uma missa”, contou a nutricionista Maria Alice Novaes, 35 anos.  

Fiéis demonstraram devoção das mais variadas formas (Foto: Tiago Caldas/ CORREIO)

O casal de paulistas Luís Antunes, 48, e Glaucia Moreira, 42, esteve na igreja do Bonfim pela primeira vez. “Acredito que ele terá menos trabalho para atender aos pedidos esse ano, porque provavelmente são os mesmo: o fim da pandemeia”, afirmou Gláucia, após amarrar uma fotinha no portão da igreja. 

Após cada celebração os bancos e cadeiras são higienizados. Quem não conseguiu assistir as missas das 6h, 7h20, 9h e 10h30 ainda pode ver as celebrações das 12h, 14h, 15h30, 17h ou 18h30.

Fonte: Correio