Adeus ano velho, feliz metas novas: 5 missões do Vitória em 2021

O ano de 2020 passou bem longe do que o torcedor do Vitória sonhava. Foram frustrações em todas as competições, com quedas precoces nos torneios mata-mata. Na Série B, a promessa era de briga pelo acesso à elite do futebol, mas terminou o mês de dezembro a apenas um ponto de distância da zona de rebaixamento.

Agora em 2021, o rubro-negro precisa evitar que um novo ano ruim se repita. A começar pela própria segunda divisão, que só termina a temporada atual no próximo dia 30, atrasada por causa da paralisação do futebol nacional em decorrência da pandemia do coronavírus. 

Se distanciar do Z4 – e terminar o campeonato bem longe dele – é essencial para impedir que 2021 já se inicie de forma ruim. O técnico Rodrigo Chagas terá sete jogos para lutar contra a queda e definir a história do Vitória na competição. O primeiro duelo desta reta final será neste domingo (3), às 18h15, contra o Operário-PR, no Barradão.

Apesar de se afastar da zona ser o mais urgente objetivo do Leão para o ano, esse não é o único. O CORREIO listou cinco metas do clube para 2021, incluindo missões dentro e fora de campo. Confira:

1. Garantir a permanência na Série B

Faltam sete partidas para o Vitória terminar a atual temporada na Série B. E o cenário preocupa. O Leão está na 15ª posição, com 36 pontos. Apenas um a mais que o Náutico, que abre o Z4. Atualmente, o rubro-negro tem 36,5% de chance de rebaixamento, de acordo com o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A probabilidade é a mesma do Figueirense, o 16º colocado. O Paraná (17º) aparece com 77,2%, enquanto Botafogo-SP e Oeste já estão praticamente na terceira divisão – 99,34% e 99,995%, respectivamente. Segundo os cálculos da UFMG, um time que chegue aos 46 pontos ao fim do campeonato tem chance de queda de 4,3%. Para chegar lá, o Vitória precisaria de 10 pontos nesses sete jogos finais, o que renderia um aproveitamento de 47,6%. Efetivado como novo técnico da equipe, o ex-atleta Rodrigo Chagas, em seus quatro duelos como interino, teve rendimento superior ao necessário para escapar: 58,3%, com dois triunfos, um empate e uma derrota. Se repetir o feito, o Leão chega aos 48 pontos, quase zerando a probabilidade de ir para a Série C (0,049%). Dessa forma, pode voltar a lutar na próxima temporada por uma vaga na Série A.

2. Fazer melhor campanha no Baianão

Em uma decisão da diretoria do clube, o Vitória começou o Baianão de 2020 com o time sub-23. O objetivo era poupar os jogadores principais e amenizar o calendário apertado. O plano, porém, foi alterado quando a pandemia do coronavírus afetou o futebol brasileiro. Em março, a competição foi paralisada e a equipe de aspirantes, desfeita. Na retomada, em julho, atletas do grupo profissional foram chamados para disputar o restante dos jogos. No fim, o Leão decepcionou e foi eliminado ainda na primeira fase do Baiano, pelo segundo ano consecutivo. A meta para 2021 é escrever uma nova história e, pelo menos, voltar a disputar uma decisão. O primeiro jogo do rubro-negro será no dia 21 de fevereiro, contra o caçula Unirb. O encerramento do campeonato será no dia 23 de maio. O último título do Rubro-negro no Baianão  foi em 2017.

3. Quebrar o jejum no Nordestão

Maior campeão da Copa do Nordeste, o Vitória vive uma zica no regional. Foram três anos consecutivos caindo nas quartas de final da competição. Em 2018, foi para o Sampaio Corrêa, após derrota por 3×0 e empate em 0x0. Em 2019, para o Fortaleza, ao sofrer goleada de 4×0 em jogo único. Em 2020, deu adeus depois de perder para o Ceará, por 1×0. Em todos esses anos, aliás, o time que eliminou o Leão acabou faturando o título. Em 2021, a meta é virar o lado da mesa: ser a equipe que avança e fatura a cobiçada taça regional, que não vence desde 2010, quando disputou com um time reserva.

4. Estabilizar um técnico

Em 2020, o Vitória teve nada menos que cinco treinadores diferentes. Começou o ano com Geninho, que deixou o cargo em junho, logo após a retomada dos trabalhos, interrompido por conta da pandemia. Ele não foi desligado por desempenho – a passagem rendeu 50,6% de aproveitamento em 25 jogos -, mas por problemas financeiros do clube, agravados pelo coronavírus. Em seguida, estiveram à frente do comando técnico do clube na temporada: Bruno Pivetti (19 partidas e 36,8% de rendimento), Eduardo Barroca (9 duelos e 29,6%), Rodrigo Chagas (4 confrontos e 58,3%) e  Mazola Júnior (4 jogos e 25%). Destes quatro, apenas Barroca não foi demitido, já que decidiu se transferir para o Botafogo em novembro. Nesta reta final da Série B, Chagas, que era interino, volta agora efetivado. Se o alto número de treinadores assusta, fica ainda pior ao se constatar que isso ocorre pelo segundo ano seguido. Em 2019, também foram cinco comandantes em uma só temporada: Marcelo Chamusca, Cláudio Tencati, Osmar Loss, o saudoso Carlos Amadeu e Geninho. Para 2021, é preciso reduzir essa instabilidade.

5. Reestruturar as finanças

A situação financeira do Vitória em 2020 foi turbulenta. Os médicos do Leão chegaram a ficar dez meses sem receber salários e deixaram de viajar com a equipe para jogos fora de casa. Atualmente, funcionários estão com dois meses de salários atrasados, sem contar o precioso 13º, sem previsão de cair na conta. Em novembro, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o pedido de antecipação de receitas feito pelo atual presidente Paulo Carneiro. O adiantamento, de R$ 3 milhões, tinha como finalidade pagar salários atrasados a atletas, funcionários e prestadores de serviço. No mês seguinte, o rubro-negro chegou a receber uma punição da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por dívidas mantidas com outros clubes, sendo proibido de registrar novos jogadores por seis meses. Neste novo ano, estabilizar a área financeira é essencial para o Vitória.

Fonte: Correio