Pazuello anuncia contrato com Butantan para compra de 46 mi de vacinas até abril

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7), o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou assinatura de contrato com o Instituto Butantan para receber 46 milhões de doses da Coronavac, da chinesa Sinovac, até abril deste ano. 

Até o final do ano, a instituição poderá entregar à pasta outras 54 milhões de doses, completando 100 milhões, a depender de um novo acordo a ser firmado posteriormente.

Pela manhã, o Butantan informou que a eficácia da vacina nos testes no Brasil foi de 78% contra a Covid-19.

O ministro não deu uma data para o início da vacinação no país, mas previu que, “na melhor hipótese”, a imunização começa a partir do 20 de janeiro.

“O Butantan, se não é o primeiro, é o segundo maior fornecedor do ministério. Compramos algo em torno de R$ 2 bilhões em vacinas do Butantan por ano, somos o grande cliente do Butantan, que é uma instituição de Estado”, disse o general. 

Pazuello informou que há negociações para compra da vacina russa contra a doença, Sputinik V, e com as “vacinas americanas”, da Pfizer, Moderna e Jansen. 

Participaram do anúncio, também, o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco; o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros; e o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto.

Autodefesa
O ministro afirmou que só conseguiu avançar no contrato com o Butantan após a edição, na quarta-feira (6), de uma medida provisória (MP) que permite a compra de vacinas mesmo antes do registro ou aval para uso emergencial ser concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Disse que toda a produção do Butantan será incorporada ao plano nacional de imunização, coordenado pelo governo federal. Doria, porém, tem planos de começar a vacinação em São Paulo em 25 de janeiro. Segundo Pazuello, 46 milhões da Coronavac serão distribuídas até abril. E mais 54 milhões, no resto do ano.

Pazuello fez uma declaração à imprensa, no Palácio do Planalto, em tom de defesa do seu próprio trabalho e da atuação do presidente Bolsonaro. Ele disse que há “incompreensão” sobre a gestão na Saúde. A fala ocorre no momento em que o governo é pressionado para antecipar o calendário de vacinação. Dentro do governo há dúvidas sobre a permanência do ministro Pazuello na pasta nos próximos meses.

O ministro disse que há meses a Saúde já negocia a compra e produção de vacinas. “Isso precisa ser dito, foi falado 50 vezes Que inoperância é essa que o Ministério da Saúde tem se há cinco meses nos posicionamos para isso?”, reclamou ele.

O ministro listou à imprensa as negociações feitas pelo governo por vacinas. A aposta do governo federal é a vacina da AstraZeneca/Oxford. A Fiocruz deve distribuir 210,4 milhões de doses a partir de fevereiro. E 2 milhões de unidades devem chegar neste mês, prontas, da índia.

Pazuello afirmou que a vacina de Oxford poderia ser aplicada apenas em uma dose, o que não é ainda indicado por agências reguladoras.

Segundo o general, a fabricação na Fiocruz e do Butantan servirá ao plano nacional de imunização, mas o excedente pode ir para a iniciativa privada e exportação.

Pazuello negou atraso para compra de seringas e agulhas. Disse que o pregão que conseguiu apenas 2,4% (7,9 milhões) das 331 milhões de unidades procuradas não “fracassou”. Ele afirmou que a requisição de estoques da indústria nacional, feita após o pregão fracassado, já garante “estoque regulador” para começar a vacinação. Afirmou ainda que os Estados têm estoque para imunizar 60 milhões de pessoas.

Outras vacinas
Pazuello disse ainda que negocia a compra da vacina russa Sputnik V, que será fabricada pela farmacêutica brasileira União Química. Ele disse que a quantidade da compra está em discussão

O ministro citou negociação com a Janssen, que, segundo ele, é o “melhor negócio” entre as vacinas. Isso porque o preço é baixo e a imunização exige apenas uma dose, segundo ele. Mas a farmacêutica ofereceu somente 3 milhões de doses ao País, com entrega que começaria no segundo trimestre.

Pazuello declarou ainda que negocia a compra de 30 milhões de doses da vacina da Moderna, com entrega após outubro. Cada unidade custaria US$ 37. Ele voltou a criticar a proposta da Pfizer, que exige não responder pelos efeitos colaterais registrados no País.

Ele também reclamou da quantidade de doses ofertadas, que não seria suficiente para o Rio de Janeiro. “Não posso pegar 500 mil doses da Pfizer e soltar pelo Brasil em janeiro. Para dizer que começou a vacinação, como muitos acham que é solução”, disse Pazuello.

(Com agências)

Fonte: Agencia Brasil