FIM? FIRF? FIA? Entenda quais os tipos de fundos de investimentos

Se você abrir agora mesmo o aplicativo da sua corretora favorita e clicar em “fundos de investimento”, certamente vai se deparar com uma lista – aparentemente infinita – de opções de onde colocar parte do seu patrimônio.

O que chama a atenção, ainda mais no caso de um investidor que está apenas começando nesse mundo, são as siglas. Normalmente, os fundos são apresentados dessa forma, por exemplo:

Gestor Título FIC FIA

ou

Banco Nome FIRF CP

Natural que quem esteja olhando para essas siglas pela primeira vez não entenda nada. Afinal, o que significam FIC, FIA, FIRF, FIM e tantas outras siglas? Elas são muito importantes.

Bom, para começar: o primeiro termo apresenta qual empresa faz a gestão do fundo – se é um banco, uma seguradora ou uma corretora. O segundo termo refere-se ao nome do fundo – ou seja, é uma forma de identificá-lo dentro da carteira daquela empresa.

Já as várias siglas que começam com as letras FI (redução para Fundos de Investimentos) identificam qual é o tipo daquele fundo. Ou seja, se ele investe em ações ou em ativos de renda fixa, por exemplo.

“São tantas opções de fundo que o investidor que está só começando se perde. Não sabe o que são as letrinhas. O que é um FIM, um FIC, um FIM e como tudo isso se comporta. Você abre a plataforma, vê uma infinidade de coisas para escolher e não sabe por onde começar”, reflete Luciano Bernardi, Head de Wealth Management da Arazul Research.

Por mais complicado que pareça de início, é fundamental entender a que se refere cada um desses tipos. “Pode ser chato, mas tem que fazer esse trabalho para não ser enganado. Comprar, por exemplo, um fundo de ações achando que é um fundo de renda fixa”, diz Luciano.

“A primeira coisa que a pessoa tem que fazer portanto é olhar em que tipo de fundo ela está investindo. Se é um fundo multimercado, de ações, de renda fixa. Tem que abrir a lâmina do fundo e ver o histórico da sua performance. Analisar se faz sentido para a estratégia que o investidor está procurando”, completa o especialista.

No capítulo anterior da série do CORREIO sobre investimentos, voltada para quem está começando nesse meio, o leitor entendeu o que são fundos de investimento, como funcionam e quais são as suas vantagens e desvantagens.

Nesse capítulo, vamos entender quais são os principais tipos de fundo e como identificá-los. Além disso, trazemos um resumo do perfil ideal de investidor para cada um deles.

Em linhas gerais, o investidor iniciante vai se deparar com três tipos. São os Fundos de Investimento em Ações (FIA), os Fundos de Investimento em Renda Fixa (FIRF) e os Fundos de Investimento em Multimercado (FIM).

Fundos de Investimento em Renda Fixa (FIRF)

Como o próprio título indica, os FIRF são fundos que investem em ativos de renda fixa. É o caso dos CDBs, Tesouro Direto, LCI, LCA e outros que já apresentamos nessa série do CORREIO.

“Os fundos de renda fixa são caracterizados por terem a maior parte do seu portifólio em títulos de renda fixa. São os fundos que têm o que o mercado chama de menor risco de se investir, e para onde a maior parte da população acaba migrando quando decide sair de uma caderneta de poupança”, diz Luciano Bernardi.

Os FIRF precisam investir pelo menos 80% do seu montante em ativos vinculados a taxa de juros como Selic e CDI ou em taxas de variação de preço, como o IPC-A. Por isso, possuem um retorno mais baixo, porém mais constante, característica esperada da renda fixa.

“Os FIRF têm uma característica similar à da poupança. Tendem a pagar um pouquinho mais de rentabilidade, mas possuem certa estabilidade”, diz Luciano.

Alguns desses fundos também podem investir em títlos de Crédito Privado, como debêntures – que são dívidas emitidas por empresas privadas. Nesses casos, o título do fundo deve vir também acompanhado da sigla CP.

Nesses casos, a fatia de Crédito Privado pode ser maior do que 50% do total do fundo. Fundos com essa natureza CP tendem a ser mais agressivos, ou seja, buscam rendimentos maiores, mas também há um risco maior.

Outro termo que pode vir no título de um FIRF é a palavra ‘Simples’. Isso significa que aquele fundo – também chamados de Fundos Simples – buscam o mínimo de risco possível.

Para isso, investem até 95% do patrimônio em Tesouro Direto e CDBs de grandes bancos. Por outro lado, tendem a ter um rendimento mais contido.

Como qualquer fundo, os FIRF cobram taxa de administração, porém tendem a ser baixas, em muitos casos abaixo de 1%.

Importante: apesar de investirem majoritariamente em títulos de renda fixa, esses fundos não possuem a garantia que ativos como CDB, LCI e LCA possuem, de acesso ao Fundo Garantidor do Crédito (FGC), que garante o reembolso de até R$ 250 mil por instituição financeira.

E a explicação é simples: “Os ativos que esses fundos compram muitas vezes têm essa garantia. Por exemplo, se um fundo compra um CDB e aquele banco tem problema, ele está coberto. Só que é até R$ 250 mil, então não tem relevância para os fundos, que geralmente possuem um volume maior do que isso de investimento total”, esclarece o especialista da Arazul Research.

Fundos de Investimentos em Ações (FIA)

Mais um nome que já diz tudo: esses fundos possuem a maior parte do seu ativo – pelo menos 67% – investido em ações de empresas, compradas na Bolsa de Valores.

“Dá para dizer em linhas gerais que são o oposto aos fundos de renda fixa. Porque são os fundos que investem preponderantemente em ações. O risco portanto é estar exposto ao mercado de ações tanto de dentro como de fora do Brasil, que oscila naturalmente”, explica o especialista da Arazul.

Portanto, esses fundos, assim como as ações, não possuem um ganho certo. Aumentam a rentabilidade de acordo com o que o gestor compa e venda as ações em posse do fundo, mas também pode obter mais retornos a depender de outras opções do mercado acionário.

Já que adquirem ações de empresas na Bolsa, esses fundos possuem políticas das mais variadas. Alguns podem investir em ações de companhias elétricas, outros em ações de bancos, empresas de tecnologia, empresas que estão iniciando sua trajetória e possuem potencial e por aí vai.

Sendo assim, é fundamental que o pretenso investidor abra a chamada lâmina do fundo – que você entendeu o que é no capítulo anterior da série – e estude em quais empresas aquele gestor aposta e usará como a sua estratégia.

Do ponto de vista da gestão, os FIA podem ser de duas categorias: ativo ou passivo. Os FIA Ativo buscam superar um determinado índice de referência na Bolsa de Valores, como o índice Ibovespa – que acompanha a valorização das principais ações da Bolsa brasileira – ou simplesmente não seguem qualquer indicador como referência.

Já os fundos de gestão passiva têm como objetivo replicar o comportamento de um determinado índice de referência, como o Ibovespa ou o Small Caps (SMLL), que são empresas de menor capitalização.

Já em relação à estratégia do FIA pode investir em Crescimento – que aposta em empresas que estão abaixo do valor patrimonial mas possuem potencial de valorização no longo prazo -, Setoriais – que investem em empresas de determinados setores econômicos – Dividendos – que investem em empresas que pagam dividendos sobre os seus lucros.

Podem ainda possuir a estratégia de investir em Small Caps – empresas que têm baixa capitalização, ou seja, baixo valor de compra de ações mas possuem potencial de crescimento –, ESG – que priorizam companhias de boa governança e preocupadas com o meio-ambiente e responsabilidade social – ou mesmo terem estratégia Livre – sem estratégia definida.

E os riscos? Naturalmente, ao se investir em ações há sempre um risco de oscilação atrelado. Por isso, é tão importante conhecer o histórico da empresa gestora do fundo e também da sua performance.

“Em qualquer caso o risco do fundo está na própria operação dele. Ou seja, se o gestor está com boa performance ou não. Então é fundamental abrir a lâmina, entender a estratégia daquele gestor, ver se está de acordo com o seu perfil de risco – que é o primeiro passo para tudo ao se investir – e o seu perfil pessoal e estudar o histórico de performance do fundo”, explica Luciano Bernardi.

Fundos de Investimento em Multimercados (FIM)

Esses fundos visam explorar os mais diversos mercados em busca de um alto rendimento, sem uma parametrização estabelecida. Ou seja, podem adquirir parte dos ativos em ações e outra parte em renda fixa, mas também podem investir em câmbio de moedas, em crédito privado, em commodities e tantas outras opções do mercado financeiro.

“O FIM é um fundo dinâmico. Dá para dizer que está no meio dos FIRF e dos FIA. O gestor pode tanto investir em ações como em renda fixa, sem uma parametrização definida. É o gestor do fundo quem cria essa estratégia”, explica Luciano Bernardi.

Essa fluidez permite aos gestores uma diversificação maior da carteira de ativos e uma resposta mais rápida. Dessa forma, se a Bolsa de Valores se desvalorizar, por exemplo, ele pode investir em títulos de renda fixa para proteger o patrimônio dos cotistas, ou fazer o contrário caso a taxa de juros do país caia.

“Hoje em dia, o mercado de fundos em multimercados está crescendo muito no Brasil, muito mesmo. O investidor que abrir a plataforma da sua corretora vai encontrar uma série de opções de FIM. Tem muita gente indo neles, só que tem que caprichar muito na análise”, completa o especialista.

Alguns FIM podem apresentar um desempenho recente de alto rendimento, mas isso não indica que a performance futura será parecida. Esses fundos também possuem taxas de administrações e taxas de performance das mais variadas. Por isso, os especialistas recomendam uma análise profunda.

“São fundos muitos dinâmicos. Tem que ver se a taxa que eles cobram não é muita cara, tem que fazer uma avaliação profunda das taxas em relação à performance do fundo. Tem que olhar também a fundo qual é a estratégia que o gestor está vendendo. Enfim, os FIM demandam uma análise com uma lupa um pouco maior, para não ter surpresas desagradáveis na frente”, recomenda Luciano.

Outros

Existem outros tipos de fundo, que também podem apresentar siglas específicas:

Fundos de Investimentos em Cotas (FIC) – São fundos que adquirem cotas de outros fundos. É uma espécia de guarda-chuva: abaixo desse FIC estão uma série de outros fundos dos quais ele possui cotas. Permite uma certa diversificação, investindo em fundos de renda fixa, de ações, de multimercados. Os gestores fazem uma espécie de curadoria, fazendo o papel do próprio investidor, analisando quais os fundos que estão indo bem ou indo mal.

Fundos de Investimentos Cambiais – Aparecem com o termo ‘Cambial’ no nome. São fundos que investem pelo menos 80% do patrimônio de seus cotistas em moedas ou ativos relacionados à variação do câmbio. Os mais famosos são os fundos em dólar, e o maior fator de risco, obviamente, são as variações cambiais diárias das moedas a que estão atrelados.

Fundos de Investimentos em Participações (FIP) – Buscam investir majoritariamente em adquirir participações em companhias fechadas ou sociedades limitadas. O objetivo é acompanhar e lucrar com o crescimento desses negócios a longo prazo, além de adquirir algum grau de decisão na gestão dos negócios das empresas. Tratam-se de fundos com um valor de entrada mais alto e por isso são mais limitados, voltados para pessoas com alto nível de experiência no mercado financeiro, os chamados investidores qualificados.

Fonte: Correio