Policiais empurram e atiram para o alto para afastar jornalistas na Barra; vídeo

Jornalistas que trabalhavam na cobertura do caso do policial militar que, durante um surto, começou a atirar para cima no Farol da Barra, relatam que foram ameaçados por um militar da Rondesp que atuava na operação para conter o atirador.

Para dispersar os profissionais da imprensa, um policial da Rondesp sacou um fuzil e disparou dois tiros para o alto numa área residencial, perto dos repórteres, cinegrafistas e fotojornalistas que faziam a cobertura do cerco ao PM. Eles dizem que foram empurrados pelos policiais.

Arisson Marinho, fotojornalista do CORREIO, estava lá durante o episódio e explica que todos os profissionais estavam respeitando a área de segurança demarcada pelos policiais, porém, quando foram feitos os disparos que atingiram o atirador, houve uma correria.

“Após todo mundo correr, nessa agonia, abriu um espaço vazio e a imprensa começou a ocupar esse espaço. Foi quando um policial começou a gritar para a gente voltar. Um colega perguntou se ele ia agredir a imprensa, e o policial respondeu que ia mesmo. Então começaram os empurrões e, em seguida, dois tiros para o alto”, narra o fotojornalista.

Veja o vídeo:

Em nota, Moacy Neves, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia (Sinjorba), condenou veementemente o comportamento dos policiais envolvidos no episódio classificado por ele como “lamentável”.

“Não havia qualquer necessidade de agir daquela maneira, pois os jornalistas estavam trabalhando e não representavam qualquer ameaça aos PMs ou à operação. O fato apenas demonstra que os agentes de segurança padecem de preparo para lidar com o trabalho da imprensa em um ambiente democrático. Espero que o Coronel Coutinho, comandante da Polícia Militar que há pouco assumiu, inaugure um novo tempo, onde a PM não enxergue os jornalistas como inimigos. Vamos procurá-lo para conversar sobre o ocorrido e pedir providências para que este tipo de intimidação e violência não se repita”, escreveu Moacy.

O CORREIO tentou entrar em contato com a Polícia Militar da Bahia para falar sobre o ocorrido mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. Caso a corporação envie um posicionamento, incuiremos.

Fonte: Correio