Covid-19: 3,5 mil pessoas não voltaram para tomar segunda dose da vacina em Salvador

A vacina para covid-19 é composta de duas doses, mas tem gente que está se contentando apenas com a primeira. Em Salvador, subiu para 3,5 mil o número de pessoas que ainda não compareceram aos pontos de imunização para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Para evitar que a imunização fique incompleta, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) tem encaminhado mensagens de texto para o celular das pessoas que não compareceram para receber o imunizante. No caso da Coronavac, é necessário um intervalo de 28 dias entre as duas aplicações.

A data de retorno consta no cartão de vacinação de cada cidadão, mas também é possível consultar no portal www.saude.salvador.ba.gov.br/vacinacao-covid/ o dia que cada pessoa deve retornar aos postos.

“É necessário que as pessoas sigam rigorosamente as orientações prestadas pelo Programa Nacional de Imunização, que estão alinhadas com as recomendações dos fabricantes dos imunizantes, para assegurar a proteção contra o vírus. O esquema vacinal incompleto não assegura a imunidade contra a doença”, afirmou a médica infectologista da SMS, Adielma Nizarala.

De acordo com estudos da área de saúde, o sistema imunológico leva cerca de duas semanas para criar anticorpos neutralizantes, capazes de barrar a entrada do vírus nas células. A resposta pode variar de acordo com faixa etária e outros aspectos individuais do vacinado. Ou seja, mesmo após a segunda dose os vacinados não estão imediatamente protegidos – este processo começa, em média, duas semanas após a aplicação da segunda dose.

Interior
Mas não é apenas em Salvador que as pessoas estão em falta com a segunda dose. Em Teixeira de Freitas, dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que 75% dos idosos de 85 a 89 anos ainda não para tomar a 2ª dose da vacina para covid-19. Para Rosidalva Barreto, diretora de Vigilância em Saúde, o dado é preocupante, pois a grande maioria desse público já está há mais de uma semana podendo tomar a vacina e não procuraram a rede.  

“Nós ficamos preocupados, pois observamos que a busca pela dose 2 é sempre muito pequena. Fizemos na semana passada uma intensificação e ontem tivemos uma busca maior. Estamos com a expectativa de que as pessoas compreendam que tomar uma dose apenas não é suficiente. Para ter uma maior chance de estar imunizado, é preciso tomar também a segunda dose”, disse. 

No caso de profissionais da saúde da cidade, o índice de ausência é bem menor, 22,2%. Somente os idosos com mais de 90 anos da cidade tiveram a imunização completa e tomaram as duas doses. Isso foi possível, pois os profissionais da secretaria de saúde foram até as casas dessas pessoas e aplicaram o imunizante, o que garantiu a aplicação em todos. Na cidade, quem tem menos de 89 anos só recebe a vacina em domicílio se for acamado. 

“A gente entende que o idoso tem uma dependência, principalmente o de idade muito elevada, de outras pessoas para poder levar ele a um posto de vacinação. Então a gente faz o chamado não só a ele, mas também aos seus filhos e cuidadores para ficarem atentos às datas. Se o idoso tem alguma dificuldade de locomoção, recebeu a dose domiciliar, é importante eles entrarem em contato com a Secretaria de Saúde para buscar meios de tomar essa dose”, explicou Rosidalva.  

Ainda segundo a diretora de Vigilância em Saúde, a aplicação de toda segunda dose é realmente um desafio devido também às dificuldades logísticas envolvidas no processo. “A gente não tem frascos unidoses. Nós não podemos abrir doses 2 em todas as unidades e todos os dias. Então, é preciso que as pessoas aproveitem a oportunidade dos pontos de vacinação. Mas aumentando a busca, a gente faz também o aumento da oferta de vacinas”, garantiu. 

Realidade 
A realidade de idosos que não retornaram para tomar a segunda dose não é exclusivo de Teixeira de Freitas. Em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), 183 pessoas deixaram de comparecer para tomar a segunda dose na data adequada de um total de 2.100 pessoas que receberam a 1ª dose logo no início da campanha de vacinação. Em números percentuais, a ausência na segunda dose é de 8,7% dos que tomaram a primeira, algo que preocupa a prefeitura.  

“Estamos percebendo um percentual muito elevado de pessoas que não foram tomar a segunda dose da vacina na data programada. É importante salientar que a imunização só acontece quando concluímos a vacinação com a quantidade de doses que foi realizado o estudo da vacina. Deixar de tomar a segunda dose é assumir o risco de não ter a imunização completa e ficar vulnerável para a contaminação da covid e até adquirir a forma grave da doença”, aponta a superintendente de Vigilância em Saúde, Regina Coeli. 

Já Salvador, na semana passada, contabilizava mais de 3 mil pessoas que deveriam receber a segunda dose do imunizante e não compareceram aos pontos de imunização para completar o esquema vacinal. Na capital baiana, as pessoas podem consultar a informação sobre a data de retorno para aplicação da segunda dose no cartão de vacinação ou no portal http://www.saude.salvador.ba.gov.br/vacinacao-covid/. Equipes da Secretaria Municipal da Saúde também estão encaminhando mensagens de texto para o celular dos faltantes.  

O CORREIO perguntou os números atualizados de Salvador, mas não obtivemos retorno até o fechamento da reportagem. Também sem sucesso foram procuradas as cidades de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Juazeiro e Ilhéus. Já a cidade de Barreiras disse não ter registro de desistência da segunda dose, enquanto Itabuna afirmou ter 873 pessoas para serem vacinadas na pela segunda vez, mas que ainda não é possível afirmar que se tratam de pessoas que não querem tomar o imunizante.  

“Vamos fazer um apanhado essa semana para saber se precisa de uma busca ativa. Olhar nos registros para ver se tem paciente que não compareceu mesmo na data prevista e comunicá-los para fazer a vacinação”, disse Camila Brito, coordenadora de imunização da cidade. Essa estratégia da busca ativa é recomendada por Vania Vandenbroucke, coordenadora de Imunização do governo do estado.  

“Os municípios têm os nomes e dados de quem faltou, por isso podem fazer essa busca ativa. É importante as pessoas que já tomaram a primeira dose concluam o esquema de vacinação. A gente sempre pleiteia que a taxa de abandono seja a menor possível, que mesmo assim acaba acontecendo”, disse. O CORREIO também perguntou para Vania a quantidade de pessoas que não tomaram a segunda dose da vacina no estado, mas ela disse que para isso seria preciso o relatório consolidado da vacinação de cada município, o que ainda não está disponível no sistema do Ministério da Saúde.  

Alerta 
Infectologista da SOS Vida, o médico Matheus Todt explica que a definição da necessidade de duas doses da vacina é feita durante o estudo para o desenvolvimento do imunizante. “Eles vão testando os protocolos com uma dose e duas doses com diferentes intervalos entre a primeira e a segunda para saber qual o caminho mais efetivo, o que gera mais anticorpos”, disse.  

Para aqueles que já atrasaram a data de tomar a segunda dose, o médico recomenda que eles procurem a imediata imunização. “De forma geral, vacina não tem validade. Se a dose é atrasada, pode ser tomada. Por ser uma vacina nova, a gente alerta a necessidade de seguir o protocolo a risco. Se não tomar a segunda dose, pode ser que a quantidade de anticorpos caia, por exemplo”, explicou.  

Adielma Nizarala, infectologista da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, também lembra que os estudos realizados pelos fabricantes dos imunizantes concluíram que a segunda dose provoca a quantidade de anticorpos confiável para atestar a imunização. “É necessário que as pessoas sigam rigorosamente as orientações prestadas pelo Programa Nacional de Vacinação, que estão alinhadas com as recomendações dos fabricantes – para assegurar a proteção contra o vírus. O esquema vacinal incompleto não assegura a imunidade contra a doença”, afirmou.  

Até a noite dessa terça-feira (30), 1,5 milhão de primeiras doses e outras 313 mil segundas doses foram aplicadas em toda a Bahia. Desse total, 343 mil primeiras doses foram aplicadas em Salvador, enquanto 75 mil pessoas já tomaram a segunda dose. As vacinas aplicadas na Bahia são a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a de Oxford/Astrazeneca.  

Quando o indivíduo está imunizado? 
O sistema imunológico leva, em média, duas semanas para criar anticorpos neutralizantes, capazes de barrar a entrada do vírus nas células, de acordo com estudos publicados. A resposta pode variar de acordo com faixa etária e outros aspectos individuais do vacinado. Ou seja, mesmo após a segunda dose não significa proteção imediata aos vacinados. A proteção começa, em média, duas semanas após a aplicação da segunda dose no paciente. 

Este foi o intervalo de tempo usado nos testes clínicos das duas vacinas disponíveis no Brasil como a Coronavac e a Oxford, para medição da resposta imune dos vacinados.  

OBS 1: Se uma pessoa que tomou a vacina se infectar antes desse tempo, não quer dizer que a vacina falhou, mas que não deu tempo do sistema imunológico criar a resposta imune, segundo o departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Vale lembrar ainda que a vacinação não assegura 100% de imunidade, no entanto, a pessoa que completou o esquema de vacinação reduz drasticamente as chances de desenvolver um quadro grave da doença.  

OBS 2: Os cuidados, porém, não devem ser ignorados, mesmo por quem já completou o ciclo da vacinação (as duas doses). Uso de máscara de proteção, higiene constante das mãos e manutenção do isolamento social – especialmente no sentido de evitar aglomerações – continuam sendo fortes aliados no combate à Covid-19. 

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro. 

Fonte: Correio