Advogada trans conta como os negócios sociais mudam comunidades e empresas

Durante um ano, a advogada recém-formada e mulher trans Gabriela Augusto trabalhou gratuitamente apresentando seu livro de bolso ‘Manual da Empresa de Respeito’, sobre conceitos e aplicações da diversidade no ambiente corporativo. Por um tempo, as empresas que contratavam o serviço de consultoria pagavam com permuta. O primeiro salário recebido foi de R$ 400,00 por uma hora de palestra. Apesar dos desafios, ela confiou nos sonhos e seguiu adiante.

Quatro anos se passaram e, hoje, a Transcendemos Consultoria ocupa um lugar de destaque entre as empresas nacionais do setor, que atuam com o tema da diversidade e inclusão, tendo no seu portfólio a atuação junto a companhias como Google, Gerdau, Citi e Kraft-Heinz. Para Gabriela Augusto, empreender é justamente o que diz a máxima e equivale a nadar em mar aberto, sem proteção de bordas, ambiente controlado e com muitas ondas.

A advogada foi a convidada de Flávia Paixão, na última quarta-feira do mês da mulher, na live Empregos e Soluções, do CORREIO, no perfil do jornal no Instagram (@correio24horas). Durante o encontro, a diretora e fundadora da Transcendemos Consultoria falou sobre a experiência de criar um negócio de impacto social num momento em que os conceitos de diversidade ainda estavam muito atrelados ao marketing e sustentabilidade, quase sem recurso, sem visibilidade, mas com muita vontade de fazer a diferença para outras pessoas que, assim como ela, viam as oportunidades profissionais ceifadas simplesmente por serem quem são.   

Gabriela Augusto (de óculos) fez questão de ressaltar que o segredo é colocar o negócio para rodar com o que tem (Foto: Reprodução)

“Comecei a trabalhar muito insegura, sofrendo da Síndrome da Impostora, mas percebi que o segredo é colocar para rodar do jeito que estiver com as condições disponíveis”, afirmou ela, que fez questão de lembrar que para vender sua ideia, aprendeu a diagramar o manual na marra e imprimiu tudo na impressora de casa. 

“No final das contas, essa iniciativa me abriu espaços e possibilitou que eu conseguisse fazer experimentações em espaços controlados, testando as abordagens e estratégias que melhor se prestavam para trabalhar naquele momento”, contou. 

Hoje, a empresa atua com outros sete colaboradores e, além de ajudar outras organizações a se tornarem mais inclusivas, ainda prepara, através da Comuto, profissionais interessados em  encontrar os locais mais adequados onde expressarem todo o seu potencial.

“Eu queria ser agente da mudança desse mindset e queria demonstrar que empresas que não investem em diversidade não conseguem oferecer respostas aos consumidores e até mesmo aos colaboradores, afinal, ninguém desenvolve bem atuando num ambiente preconceituoso e opressivo”, completou Gabriela Augusto. 

A advogada fez questão de ressaltar que empreender é como nadar em mar aberto, mas que os desafios valem a pena (Foto: Reprodução)

Ela lembrou, ainda, que no início da pandemia viu inúmeros contratos serem cancelados e temeu pelo futuro. No entanto, alguns acontecimentos, como o assassinato de George Floyd, em Mineapólis, nos Estados Unidos, e a morte de João Alberto Silveira Freitas, 40, em um supermercado, em Porto Alegre, chamaram a atenção para a necessidade de uma cultura de inclusão e diversidade nas organizações e ela viu uma chance de reverter aquela situação em proveito do negócio e da sociedade.

“Foi preciso repensar as propostas e modelos de palestras, consultorias e aulas, mas o saldo foi positivo e, logo, teremos novidades para contar”, disse.

Quem quiser saber mais, pode acompanhar a conversa que fica gravada no perfil do Jornal Correio. Vale salientar que as lives Empregos e Soluções são realizadas sempre às quartas-feiras, a partir das 18 horas, na página @correio24horas no Instagram.  

Fonte: Correio